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Entre iniciantes e guerrilheiros

Com a marca da diversidade estética, começa hoje o Festival de Brasília, em uma disputa que reúne diretores consagrados e cineastas estreantes

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postado em 17/09/2013 16:00 / atualizado em 17/09/2013 17:20

Yale Gontijo

A ficção Os pobres diabos, traz do veterano Rosemberg Cariry de volta ao festival (Claudio Lima/Divulgação) 
A ficção Os pobres diabos, traz do veterano Rosemberg Cariry de volta ao festival

Cena de Plano B, documentário dirigido pelo novato Getsemane Silva  (Olho de Gato Filmes/Divulgação) 
Cena de Plano B, documentário dirigido pelo novato Getsemane Silva


O 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ficou deslocado, longe de casa no ano passado, o Cine Brasília estava fechado para uma reforma estrutural. Mas hoje, o CEP do cinema brasiliense voltou a ser o mesmo endereço afetivo dos cinéfilos, com a reabertura do edifício projetado por Oscar Niemeyer, renovado em suas características originais.

Como em anos anteriores, esta será uma competição travada entre cineastas iniciantes e guerrilheiros veteranos. Mais uma vez na cidade, o cearense Rosemberg Cariry, quase 40 anos de carreira, concorre com o novo filme de ficção Os pobres diabos, estrelado por Silvia Buarque, Chico Diaz e Gero Camilo. A documentarista brasiliense Maria Augusta Ramos, autora de Justiça (2008) e Juízo (2004), substitui os dramas documentais jurídicos pela observação do funcionamento de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em Morro dos Prazeres, um dos concorrentes documentais.

Nos últimos anos, o Festival de Brasília foi marcado por escassez de polêmicas na tela substituídas por intermináveis discussões em relação a mudanças feitas no DNA da mostra cinematográfica mais antiga do país. Alguns dos tópicos de discussão parecem coisa do passado. As exibições digitais e simultâneas no Plano Piloto e nas cidades-satélites, novidade inserida há três anos, já não têm execução duvidosa.

O formato que dividiu a competitiva ao meio, entre documentários e ficções, decisão que dobrou o número de títulos em disputa — deverá ser encarado com naturalidade pela plateia e pelos jornalistas e críticos que cobrem o evento, todos submetidos a cinco ou seis horas dentro da sala de projeção. Desta vez, sem susto. Uma boa notícia parece fechar o bom ano do cinema brasiliense. Depois de um período de estiagem, a seleção competitiva exibe representantes do cinema local em três categorias: Plano B (Getsemane Silva, longa documentário), O gigante nunca dorme (curta documental de Dácia Ibiapina) e RYB (Getsemane Silva), um curta animado.

Concorrência

Uma baixa no meio do caminho coloca uma pulga atrás da orelha: mesmo com tantas alterações, o festival está conseguindo manter relevância nacional ante os outros festivais cinematográficos do país? A estrada 47, de Vicente Ferraz, havia sido anunciado entre os concorrentes do certame brasiliense. A pedido da distribuidora do longa, a Europa Filmes, o drama de guerra foi retirado do festival, abrindo espaço para a seleção do pernambucano Amor, plástico, barulho, de Renata Pinheiro. “O que nos foi dito é que não havia autorização da distribuidora para participar em Brasília e que o filme entraria em cartaz no circuito comercial”, explicou o coordenardor-geral do Festival de Brasília, Sérgio Fidalgo.

Sem entrar em circuito, A estrada foi anunciado entre os selecionados para a Première Brasil do Festival do Rio, a ser realizado entre 26 de setembro a 10 de outubro. Outro exemplo: o cineasta mineiro Cao Guimarães e o pernambucano Marcelo Gomes ganharam prêmios de melhor filme em Brasília no ano passado, o primeiro na categoria longa documental (Otto) e o segundo em ficção (Era uma vez, eu, Verônica). Em 2013, escolheram estrear o filme assinado por ambos, O homem das multidões, na competitiva do Rio.

De acordo com Fidalgo, no entanto, não há razões para se preocupar com a disputa entre festivais. “Não entendo que os festivais brasileiros estejam em competição entre si. Existem identidades diferentes, alguns festivais servem como vitrine comercial. Não sei se é funcional, mas algumas empresas de distribuição acham melhor inscrever seus filmes em outros lugares. É coisa de distribuidora com vontade de lançar no circuito comercial”, explica Fidalgo. “A seleção de filmes em Brasília continua optando por oferecer ao público filmes de estéticas diferenciadas e temática política, capazes de aventar discussões variadas. O público já sabe que vai ver algo diferente do que se vê em cinemas comerciais”, avisa o coordenador.

Revelação do Brasil


Hoje, a noite é da cineasta Betse de Paula, na exibição de Revelando Sebastião Salgado, documentário sobre o célebre fotógrafo brasileiro, autor das séries documentais Êxodos, Terra  e Serra Pelada. Salgado tem como metodologia a convivência com seus personagens. “O filme é um visão da intimidade, de Salgado. Nós conhecemos muito bem o trabalho dele, mas sabemos pouco sobre sua intimidade. Acho que o filme o revela mesmo”, adianta a diretora. Além da vida pessoal, Betse mostra parte da metodologia de trabalho do mestre da fotografia em preto e branco. “Salgado não tira uma foto e abandona o lugar onde a tirou. Ele passa meses em contato com seus personagens, comendo com eles, dormindo ao lado deles. Foi o que mais me atraiu para fazer o filme: o modus operandi do fotógrafo”, explica a cineasta.

Betse viveu em Brasília durante 10 produtivos anos. Tomou parte, junto dos cineastas José Eduardo Belmonte e René Sampaio, do primeiro boom de curtas-metragens produzidos na cidade nos anos 1990, assinando comédias como Feliz Aniversário, Berta! e Leo 1313.

De volta ao Rio, rompeu recentemente um hiato da carreira com o lançamento da comédia Vendo ou alugo, estrelada por Marieta Severo e Silvia Buarque. É a segunda vez que um filme dela é escolhido para abrir a semana dedicada ao cinema brasileiro na capital do país. “Estou grata pelo convite simpático para abrir o festival. Espero que tenha colaborado com alguma coisa durante os meus anos em Brasília. Trabalhei muito para isso, Brasília foi fundamental na minha carreira, a cidade que me deu régua e compasso”, declara a cineasta admiradora da nova geração de realizadores brasilienses como Santhiago Dellape, diretor de Ratão.

Meu nome é Glauber Polanski!
Sou crítico de cinema, agitador cultural e de batidas de abacaxi, entrepeneur do cerrado, comedor de coxinha com pequi e jornalista nas horas vagas. Este ano, estarei a vosso serviço, noticiando o que de melhor e pior acontece no querido Festival de Brasília. Sigam-me os justos!

A inauguração
Odorico Paraguaçu que se cuide. Só faltou banda de música na reabertura do Cine Brasília, teve até plaquinha de metal e fitas cortadas por políticos engravatados — é ou não é uma cidade provinciana? De qualquer forma, deu gosto ver o espaço realmente renovado. O ar-condicionado funciona que é uma beleza; quase um clima polar. Uma pomposa senhora saiu reclamando dos toaletes; esqueceram do papel higiênico! Como é que pode? Indelicado com as damas!
Teve gente reclamando do tamanho da tela; ora, o que passa é que antes tinha os cantos arredondados, agora é plana. Dizem que assim tem chance de passar filmes em 3D. Já pensou? 3D?
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