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Sob a luz deles...

Festival será marcado pelo trabalho de importantes nomes da fotografia no cinema

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postado em 17/09/2013 16:00

Ricardo Daehn

Aloysio Raulino, Carlos Reichenbach, Affonso Beato e Sebastião Salgado (Reprodução Internet - 19/4/13/ Dezenove Som e Imagens/Divulgação - 7/3/09/ José Paulo Cardeal/Divulgação - 16/9/13/ Yasuyoshi Chiba/AFP - 27/5/13) 
Aloysio Raulino, Carlos Reichenbach, Affonso Beato e Sebastião Salgado


Profissionalmente estabelecida em época coincidente ao nascimento do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, uma série de personalidades — homenageada no evento — imprime atenção à fotografia nesta edição. Pisando em terreno “sagrado e mitológico” do renomado Sebastião Salgado, a diretora Betse de Paula comparece à abertura com o premiado documentário Revelando Sebastião Salgado. Tião, como Betse chama o amigo do pai, Zelito Vianna, ficou mais palpável em 2010, quando a diretora, ao lado de familiares, hospedou-se na casa de Salgado. “O Juliano Salgado (filho de ‘Tião’) participou muito; senão, não chegava lá. Há muito clima de intimidade”, explica a diretora.

Homenageado em 2010 no festival, e morto ano passado, o cineasta Carlos Reichenbach — que teve aprendizado técnico na fotografia publicitária — estará nas telas, como ator, em Avanti popolo, longa de ficção assinado por Michael Wahrmann. Forjado na Boca do Lixo e autor da fotografia de fita de João Silvério Trevisan, Reichenbach era sinônimo do cinema de arte, defendido por Wahrmann, “na essência, experimental, e que alimenta novas linguagens”. Na trama de Avanti popolo, a permanência da fotografia — no caso, em suporte Super 8 — é mais do que relevante para o resgate de uma figura da trama.

Contemporâneo de Reichenbach, o fotógrafo Aloysio Raulino também deixará a marca no evento, pelo último trabalho de ficção (Riocorrente), concluído um mês antes de sua morte. “É, sem dúvida, um dos maiores fotógrafos que este país já teve. Foi meu professor e irmão artístico. Ele se reinventou e se doou para filmes como o Serras da desordem e O prisioneiro da grade de ferro, que só existem pela sensibilidade do Aloysio”, comenta Paulo Sacramento, diretor de Riocorrente. Para além do comando das imagens de O homem que virou suco (1979), Raulino foi fundador da associação nacional de documentaristas (ABD).

Com casos curiosos como o trabalho em dobradinha de Rosemberg e Petrus Cariry, respectivamente, pai e filho, e diretor e fotógrafo de Os pobres diabos, o 46º Festival de Brasília trará estreias profissionais em longas como Hereros Angola. Envolvido com fotografia desde os 15 anos, o pernambucano Sérgio Guerra promete ser autoral na fita que teve direção de fotografia do colega Hamilton Oliveira. “No filme, ainda que sem isolamento social, cinco grupos étnicos da mesma raiz angolana perpetuam uma cultura tradicional que sobreviveu ao século 21. O meu foco são as pessoas: todo mundo merece se ver bonito. Em termos de fotografia, isso tem um peso estético fundamental”, avalia Guerra.

De memórias e ideais
Também familiarizado com fotografia, o diretor Noilton Nunes (do documentário A arte do renascimento — Uma cinebiografia de Silvio Tendler) respondeu pelo segmento em praticamente todas as fitas realizadas. Ele ressalta não apenas a “sensibilidade grande” para a função, mas avança em questões formais. “Minha dúvida tem sido: ‘O que é mais interessante, a mulher fotografada, com a alta definição, na mesma escala do registro de uma bomba estourando na cara do espectador, em 10 dimensões; ou imagens feitas com celular, com o suporte mais pobre possível, e que mostre ou tipo de realidade?’. Para que tanto desenvolvimentismo se a gente não vai a fundo nas questões válidas para a humanidade?”, pondera Nunes.

Enquanto Exilados do vulcão (com fotografia do peruano Inti Briones) usa, na trama, a obra de um fotógrafo na reconstituição da vida dele; um dos documentários em competição, Outro sertão, assinala — na reconstrução de passagem pouco difundida da vida de João Guimarães Rosa — os esforços de sete profissionais da fotografia. Obra fundamentada na preservação de imagens e de história é O mestre e o divino (de Tiago Campos), feito pela integração dos registros, em filme, de indígenas mato-grossenses, em duas épocas diferentes.

Aos 73 anos, o diretor de fotografia Affonso Beato — parceiro de Almodóvar — também estará no 46º festival. No longa de Getsemane Silva Plano B, Beato entra no jogo híbrido que mescla equipe e personagens e se vale de metalinguagem com Brasília: contradições de uma cidade nova (1967). “Ele veio de Los Angeles, para rodar aqui, por cinco dias. No subúrbio da capital, ele reviu lugares fotografados em 1967”, conclui Getsemane.

“Ele pensava e enxergava comigo.
Confiava cem por cento na percepção do olho dele” 


Paulo Sacramento,

diretor de Riocorrente, em referência ao fotógrafo Aloysio Raulino
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