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postado em 17/09/2013 17:12 / atualizado em 17/09/2013 17:17

Aroma Filme/Divulgaçao
Entre os anos de 1938 e 1942, o escritor mineiro João Guimarães Rosa atuou como vice-cônsul na cidade de Hamburgo, na Alemanha nazista. Várias décadas depois, a comunicóloga capixaba Adriana Jacobsen e a e a jornalista mineira Soraia Vilela se viram em situação semelhante à do conterrâneo, vivendo em Berlim e se especializando em suas áreas de interesse em universidades da capital alemã. As duas se conheceram na cidade e, imersas no mesmo universo estrangeiro que Guimarães esteve outrora, resolveram resgatar os detalhes da passagem do literato pelo país europeu.

A pesquisa desaguou no documentário Outro sertão, que será exibido amanhã na 46ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A história por trás do longa-metragem revela uma característica que se encaixa em várias outras produções selecionadas para este ano: a dos diretores com formação no exterior. Para Adriana Jacobsen, esta é uma tendência natural nos dias de hoje no cinema brasileiro, por conta da facilidade para realizar tais intercâmbios.

“Na nossa geração, é bastante comum estudar fora, faz parte do currículo. E acredito que, de certa forma, ajuda a relativizar o olhar sobre seu país”, diz a cineasta. “É como uma câmera: quando você muda de posição, muda o ângulo pelo qual as coisas são vistas.” Ao tentar compreender como a experiência alemã influenciou a literatura de Guimarães Rosa, as realizadoras lançam mão de um exercício que se aplica também a elas. Como a estada em Berlim definiu o modo como elas pensam o cinema?
Arquivo CB/D.A Press


A pernambucana Renata Pinheiro, que estreia em longas de ficção com Amor, plástico e barulho, a ser exibido sábado, se especializou em arte contemporânea na Inglaterra e, posteriormente, em direção e montagem na França. Diretora de arte de filmes como Amarelo manga e A festa da menina morta, Renata aborda, em seu primeiro filme, a relação de duas mulheres em busca de sucesso na música brega. Apesar dos traços regionais, a cineasta defende que o filme conta uma “história particular” de “forma universal”.

“Nosso trabalho está sempre recebendo influências de fora, mas não podemos esquecer a reflexão sobre nosso país”, observa ela. Para Renata, além dos cineastas se aventurarem pelas escolas europeias, é interessante que interajam também com o circuito latino-americano. Em Amor, plástico e barulho, o diretor de fotografia é o argentino Fernando Lockett.

Formada em música pela Universidade de Brasília (UnB), Maria Augusta Ramos acabou mudando de área. Foi estudar na Academia Holandesa de Cinema e TV, em Amsterdã, e se influenciou muito pelo olhar holandês sobre o gênero, como confirma o filme Morro dos prazeres, com exibição marcada para sábado. “Os holandeses têm enorme tradição no documentário, baseados em observação, e mestres fundamentais, como Joris Ivens e Johan van der Keuken”, comenta a realizadora. A lista inclui também o pernambucano Getsemane Silva, diretor de Plano B, que foi bolsista em desenvolvimento para documentários no Japão.


Integração com outros povos

Michael Wahrmann
, diretor do longa-metragem de ficção Avanti popolo, apesar de radicado em São Paulo desde 2004, é uruguaio-israelense.

O documentário O mestre e o divino, do antropólogo mineiro Tiago Campos, narra a saga de um missionário alemão e seu contato com os índios e um cineasta xavante que faz filmes para a tevê.

A cineasta Paula Gaitán, que dirige o longa Exilados do vulcão, é francesa, nascida em Paris. Estudou em Bogotá, na Colômbia, e vive no Brasil desde 1977.

O documentário baiano Hereros Angola, do diretor Sergio Guerra, é sobre herdeiros dos povos bantos habitantes do país africano que dá nome à produção.
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