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Correio visitou os principais locais do circuito bossa nova, no Rio

Durante a visita, a reportagem cruzou com dois garçons que serviram o Poetinha

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postado em 04/10/2013 17:20 / atualizado em 09/10/2013 18:43

Diego Ponce - Enviado especial

 

Diogo Ponce de Leon/CB/D.A Press
 

Rio de Janeiro
Rua Nascimento Silva, 107 / Você ensinando pra Elizete / As canções de Canção do amor demais”. O endereço eternizado na composição de Vinicius e Toquinho é uma das visitas obrigatórias para quem pretende percorrer o longo circuito da bossa nova, que reúne locais, primordialmente, em Ipanema, Copacabana e no Centro do Rio de Janeiro. Muitos deles, frequentados por Gisele Santoro quando ela própria residia em Copacabana. “Vinicius recebia muito. Assim como Nara (Leão). Os encontros tomavam conta dos apartamentos dali”, disse.

Diogo Ponce de Leon/CB/D.A Press

O boêmio Beco das Garrafas, logo no início de Copacabana, quase não guarda vestígios daquela época, nos áureos tempos da década de 1960. As boates que ocupavam a estreita ruela fecharam há muitos anos. Hoje, o local está abandonado.
Vez por outra, um turista mais atento percebe a sobrevivente placa indicativa e faz poses no local.
Uísque na praia
O bairro vizinho que eternizou a garota (ou vice-versa), hospeda com mais carinho os endereços. Pelas ruas de Ipanema, vários estabelecimentos remetem à bossa nova. A rua Vinicius de Moraes esbarra com a Nascimento Silva, provocando um geográfico encontro musical. Nas imediações, residem dois restaurantes bossanovistas. Um na frente do outro. Sem querer, imortalizam a canção e um dos criadores. O Vinicius fica logo à frente do Garota de Ipanema. Poético. E não é por acaso.
Antes de receber o nome da mais famosa canção brasileira no exterior, o Garota de Ipanema respondia por Veloso, e foi por lá que Vinicius e Tom teriam escrito a composição que sacralizou o movimento. Reza a lenda, pelo menos. E de lendas, ninguém melhor entende que os garçons Arlindo Costa e Adonias Teixeira, que trabalham no Garota, respectivamente, há 50 e 40 anos.
Diogo Ponce de Leon/CB/D.A Press

“O que mais me lembro de Vinicius é que ele chegava aqui bem cedo. E tínhamos que o receber antes mesmo de o restaurante abrir”, contou Teixeira. Segundo o garçom, “era tanto uísque que ele ficava de pagar depois. Acho que muita bebida acabou por conta da casa”, lembrou, às gargalhadas.
De certa forma, Teixeira deu sorte. O colega Arlindo teve que servir Vinicius na areia: “Ele ia para a praia com o Tom e queria a bebida por lá. E lá ia eu. Era uma cena estranha. Eu, com a indumentária de garçom, servindo Vinicius, com calções de banho. No fim do dia, ou à noite, Vinicius finalmente ia para o bar. Sem hora para ir embora.”
Diogo Ponce de Leon/CB/D.A Press

Foi no restaurante que Arlindo atendeu um dos mais importantes telefonemas da música mundial, se houvesse tal indicativo: “Era o Sinatra. Queria falar com o Tom”. O garçom, que não falava nada de inglês, não fazia ideia de que A Voz estava do outro lado da linha: “Chamei o Tom e disse que tinha um cara falando enrolado do outro lado”, recordou, rindo.
Embora a adolescente de 17 anos, Helô Pinheiro, tenha hipnotizado Tom e Vinicius, os garçons acreditam que não faltaram musas por aquelas calçadas: “Eles eram muito brincalhões. Comentavam sobre as mulheres nas ruas. Faziam uma farra”, disse Arlindo, que planeja se aposentar em breve: “Já tenho muita história dos outros para contar. Preciso cuidar da minha.”

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