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Correio Braziliense

Versos tornaram Vinicius de Moraes um dos autores mais traduzidos do mundo

Cronista, crítico e poeta. Nem só de música viveu Vinicius de Moraes

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postado em 09/10/2013 16:19 / atualizado em 09/10/2013 16:31

Diego Ponce de Leon

VM CULTURAL/DIVULGAÇAO
“Vinicius é mais conhecido pela sua poesia ou por sua canção?”, indagam Wagner Homem e Bruno de La Rosa na primeira frase do recém-lançado Histórias de canções: Vinicius de Moraes. A pergunta reflete a dualidade do trabalho artístico do compositor, conhecido como Poetinha. O próprio Wagner Homem, em entrevista ao Correio, propõe uma resposta: “Como a canção é uma arte muito mais popular que a poesia, nela o reconhecimento é numericamente maior. Porém, até o mundo acadêmico teve que se curvar à qualidade de seus versos. Vinicius é o poeta brasileiro mais traduzido no mundo”, esclarece.

Segundo Eucanaã Ferraz, coordenador editorial da Coleção Vinicius de Moraes, o Poetinha cresceu em um ambiente muito musical e se insurgiu desde cedo como letrista. Contudo, ao adentrar a faculdade de direito, teve contato com um mundo mais intelectualizado, o que fez com que se afastasse totalmente da música popular e mirasse a poesia tradicional. Isso nos anos 1930, quando música popular e poesia caminhavam em lados opostos”, contextualiza.

Exemplo da dicotomia, como lembra Wagner Homem, foi o uso da alcunha “Poetinha”, empregado a Vinicius e outros, naquele tempo. “Originalmente, o apelido era um pejorativo utilizado por aqueles que condenavam o poeta que se recusava a viver na redoma e que ia em busca de expressão mais popular, dedicando-se à música, por exemplo. Mas, para a tristeza desses críticos, o termo se tornou uma expressão extremamente carinhosa e é difícil crer que alguém o associe a algo como um poeta menor”, comentou Wagner.

Eucanaã, escritor e poeta, conhece bem as qualificações literárias de Vinicius. “A poesia dele está cheia de vigor, de frescor. Acho que, hoje, estamos mais preparados para compreendê-la do que anos atrás, quando vigorou certa intransigência sobre alguns temas”, opinou. “Vinicius sempre esteve livre, fez o que queria, e muitas vezes isso não coincidiu com o gosto dominante. Hoje, não há uma vanguarda que vigore.”

Cá e lá

Por ser próximo de Susana de Moraes, filha do Poetinha, Eucanaã acabou sendo designado para coordenar, ao lado de Antonio Cicero, uma nova edição da Antologia poética do escritor. Desde 2003, o carioca se debruça sobre a obra de Vinicius.

Este ano, aproveitou para lançar o livro Jazz&Co, com artigos, ensaios, e até poesias, em que Vinicius descreve sua percepção do gênero norte-americano nos anos em que ele viveu nos Estados Unidos como diplomata, na década de 1950. “O Vinicius cronista, apesar de ótimo, não tem algo de extremamente original. O que há de original é que cada cronista inventa sua forma de escrever, e ele dá continuidade a isso, com leveza, rapidez e humor”, elogiou.
Walter cultural/Divulgaçao/D.A.Press

Por sua vez, Wagner Homem acabou direcionando o trabalho para o gênero musical e, antes de Vinicius, esmiuçou a obra de Toquinho, Chico Buarque, entre outros. “Não tenho predileção por este ou aquele. Gosto do conjunto, de música brasileira e boas histórias”, disse. Analisando as letras de Vinicius, Wagner percebe “a permanente busca do novo e uma facilidade para se desligar das conquistas recentes”. Ele faz questão de exemplificar: “Depois do sucesso da bossa nova, ele se lançou-se com Baden Powell nos afrossambas; depois com Edu Lobo, e, em seguida, com Toquinho, gerando diferentes produções”.

Assim como a música, a verve literária de Vinicius também seduziu Wagner, que não somente o escuta, mas faz questão de lê-lo: “Os poemas do Poetinha estão na minha cabeceira ao lado de Drummond e Fernando Pessoa”.
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