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Leitores do Correio contam seus relatos inspirados em Vinicius de Moraes

A reportagem selecionou relatos emocionados enviados pelos leitores e que têm como pano de fundo Vinicius

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postado em 18/10/2013 17:32 / atualizado em 18/10/2013 18:43

Guilherme Pera - Esp. Correio

Edilson Rodrigues /CB/D.A.Press
Vinicius de Moraes, nove casamentos e vários sucessos depois, estaria a dois dias de completar seu 100º aniversário se vivo estivesse. Ainda que o centenário artista não esteja aqui em carne e osso, tem sua presença eternizada na vida das pessoas por sua obra. O legado do Poetinha, entre composições musicais e poesias, é herança que passa de geração a geração, ajuda um primeiro encontro, une famílias, inspira novos poetas e faz lembrar parentes que, a exemplo do autor de Eu sei que vou te amar e Garota de Ipanema, já partiram. A reportagem selecionou relatos emocionados enviados pelos leitores e que têm como pano de fundo Vinicius.


Edilson Rodrigues /CB/D.A.Press

Daniel Barros, 44, escritor e fotógrafo

Quando penso em Vinicius de Moraes, logo me lembro de Isabela, meu primeiro amor. Certa vez, coloquei um LP de Vinicius na radiola, deitei na rede e adormeci ao som de Garota de Ipanema. Sonhei com uma linda garota, pele bronzeada, cabelos longos e dourados pelo sol. Acordei com o braço da vitrola girando no centro do LP sem nada tocar, mudei o lado do disco enquanto me trocava para passear na praia da Jatiúca, em Maceió. Peguei meu walkman e fui. Estava distraído ouvindo música no volume máximo, e não percebi uma pessoa que vinha em sentido contrário. Esbarramos. Meu walkman caiu, assim como o dela. Gentilmente, ela apanhou meu toca-fitas portátil, e como o volume estava no máximo, pôde ouvir o que eu escutava. Ela olhou para mim admirada, pegou os fones de seu walkman, e só então entendi o espanto dela.

Estávamos ouvindo a mesma música: Insensatez. Quase não acreditei, e o pior é que ela era igual à garota do meu sonho. Com essas coincidências o encontro fortuito se transformou em amizade e um namoro apaixonante. E assim, Vinicius nos acompanhou por todo nosso relacionamento e também me inspirou como escritor.
Edilson Rodrigues /CB/D.A.Press

Rafael Barroso, 26 anos, analista de mídias sociais

Vinicius marcou minha vida em um momento importante: o fim de um namoro. Recente. Sinto que estou vivendo Canto de Ossanha, música que ouvi umas 50 vezes nas duas últimas semanas. É aquilo: “Que eu não sou ninguém de ir / Em conversa de esquecer / A tristeza de um amor que passou / Não! / Eu só vou se for pra ver / Uma estrela aparecer / Na manhã de um novo amor”.

Terminei recentemente um relacionamento de três anos e vejo que minha ex-namorada faz de tudo para esquecer o que vivemos juntos nos últimos tempos. Eu não. Amei, sei disso e não vou esquecer. Não apagarei de minha memória o “amor que passou”. E estou aberto a novos amores.
Edilson Rodrigues /CB/D.A.Press

Neto Cavasin, 24, cientista político

Quando era adolescente, era 100% adepto do rock’n’roll, tinha um estilo dark e gótico, daqueles que gostam de visitar cemitério. Um belo dia, minha mãe estava na cozinha e pediu para o meu pai tocar uma tal de Regra três (Vinicius e Toquinho) no violão. Meu pai não queria, dizia que não tocava mais nada, mas acabou cedendo. Presenciei, achei aquilo lindo e muito emocionante. Foi daí que comecei a deixar a guitarra de lado e iniciei minha vida com o violão e a música brasileira, nos quais mergulhei de cabeça desde então.

Depois, quando morei em Paris, sempre levava meu violão para os encontros com o pessoal, a maioria estrangeiros. E, quando tocava Vinicius e Tom, eles adoravam, mesmo sem entender nenhuma palavra. Eu perguntava o que fazia eles gostarem tanto assim das músicas, e me diziam que simplesmente nunca tinham ouvido algo tão original e harmonioso. Alguns até arriscavam Garota de Ipanema em suas próprias línguas, algo que me deixou maravilhado. E orgulhoso.
Paulo de Araújo/CB/D.A Press

Rodrigo Petriz, 30, advogado

Vi o documentário Vinicius (2005) logo que foi lançado. Achei ótimo e passei a me identificar profundamente com Vinicius de Moraes. Pouco tempo depois, vasculhando a biblioteca pessoal de minha avó paterna, em busca de algo dele, achei o livro Para viver um grande amor e li uma dedicatória, escrita em 1981 pelos amigos de meus avós em homenagem aos 27 anos deles juntos.

Fiquei emocionado ao ver aquilo, pois meu avô João Henrique morreu em 1993, quando eu tinha apenas 11 anos, então nunca tive a oportunidade de me relacionar com ele em uma fase mais madura. Hoje, quando ouço ou leio algo de Vinicius, lembro bastante dele e me pergunto como seria se ele ainda estivesse aqui.
Edilson Rodrigues /CB/D.A.Press

Nathalia Pedrosa, 30, advogada e Martha Fialho, 55, economista

A primeira poesia que li na vida foi de Vinicius de Moraes: conheci o Soneto de separação quando tinha 8 anos de idade. Aos 12, escrevi a minha primeira poesia, Mágoa. Fui ler as duas e notei que o começo dos versos era bem parecido. Quase caí dura! Vinicius foi uma inspiração involuntária que me rendeu nota máxima e fez meu professor de português, à época, me incentivar a continuar escrevendo. (Nathalia)

Quando minha filha veio me dizer, lembrei na hora. Somos unidas também por isso: a primeira poesia que li na vida também foi Soneto de separação. Outra coisa que me emociona muito de lembrar é que estive no último show da vida de Vinicius de Moraes, em junho de 1980, no Canecão, no qual ele tocou com Toquinho e Clara Nunes. Achei que ele estava muito cansado, que ia mesmo partir. Ainda assim, foi lindo estar lá, emocionante presenciar aqueles talentos. E ainda mais marcante por ser a última vez que Vinicius de Moraes apresentou músicas para uma plateia. (Martha)
Edilson Rodrigues /CB/D.A.Press

Álvaro Abreu, 67, arquiteto e escritor

Na época dos meus 20 e poucos anos, meus amigos e eu vivíamos no Rio de Janeiro. Saíamos de Minas Gerais na sexta à noite, passávamos o fim de semana no Rio e voltávamos. Tive contato com vários artistas da época.

Lembro-me que, uma vez, estava sentado em um bar com ilustres companhias: Elis Regina, Chico Buarque, Toquinho e o próprio Vinicius de Moraes. Os olhares das pessoas estavam voltados todos para a nossa mesa. Reconheciam os outros quatro e não sabiam quem eu era, claro. Mas me olhavam com um misto de curiosidade e admiração como quem diz: “Não sei quem é esse daí, mas se está naquela mesa, ele é f.!”
Edilson Rodrigues /CB/D.A.Press

Marcello Lavenère, 22, estudante universitário

A minha iniciação sexual foi marcada pelos versos da canção e do poema Eu sei que vou te amar. Inspirado na letra da música, consegui relaxar e “amar” minha “musa”. A partir daí, Vinicius sempre me serviu de base para aprender um pouco mais sobre o encantador mundo feminino.

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