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Viva os palhaços e as palhaças!

Nesta terça-feira (10) é dia de homenagear os mestres da gargalhada

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postado em 10/12/2013 15:20 / atualizado em 10/12/2013 15:05

Ana Paula Lisboa

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press


Muito além dos circos, os palhaços estão nas ruas, nos centros comerciais, nas festas… Vestem fantasias coloridas e espalhafatosas, calçam sapatos exageradamente grandes, usam perucas e, na frente do rosto, colocam o a menor máscara do mundo: o nariz vermelho. Sozinhos ou acompanhados, dominam o palco e prendem os olhares atentos de crianças e adultos. Na frente dos mestres da gargalhada, como se lembrar de dever de casa, quarto para organizar e outras obrigações? É muito difícil resistir e não dar pelo menos um sorrisinho. Em 10 de dezembro, é comemorado o Dia do Palhaço. Nesta ocasião, o Super! faz uma homenagem aos mestres da gargalhada do Distrito Federal.

Eu acho

Cinco crianças da Escola Canadense Bilíngue Maple Bear foram à Sala Cássia Eller da Funarte para um encontro com palhaços tradicionais. Ao chegar ao teatro, a energética Wanda Wright dos Santos, 8 anos, ficou com medo. Mas, ao ver os palhaços pintando o rosto e fazendo graça, logo ficou à vontade. Até subiu ao palco para pegar o relógio que o palhaço Mateus da Lelé Bicuda havia colocado na sacola vermelha.

— Não há nada!, espantou-se.

Luis Eduardo da Silva, 9, ficou impressionado com o número do Palhaço Pipino:

— Foi bem esquisito, ele desceu uma escada, mas não tinha buraco!

Ele revelou que sentia um pouco de medo também, mas que agora não sente mais e já foi ao circo várias vezes com a família.

Sylvia Tzemos Sobreira, 8, ficou bem curiosa sobre como eles aprendiam aqueles truques. Ela acredita que eles aprendem acrobacia, mágica e truques em uma escola. Mas, para ela, a graça é um dom de cada um:

— Acho que você já nasce sabendo fazer rir.

Para as irmãs Camila Campos Hosrt, 11, e Carolina, 8, os palhaços fazem a graça para o mundo. Se eles não existissem:

— Seria entediante, desabafa Carolina.

Como surgiu

Os palhaços — ou figuras parecidas com eles — surgiram em vários países diferentes há muitos e muitos anos para explorar a arte de fazer rir. A palavra palhaço vem de palha porque as primeiras roupas desse personagem eram de um tecido fofo feito de palha. Se bem que, para os palhaços, eles não são personagens e nem atores. Eles são uma expressão ridícula e cômica de quem o faz, por isso, o estilo de humor de cada um é único.

Perfis para dar risada

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press


Mateus da Lelé Bicuda
Chico Simões nasceu na Cidade Livre, atual Núcleo Bandeirante, há 53 anos, mas cresceu e vive em Taguatinga. O nome artístico dele é Mateus da Lelé Bicuda, morador da Volta Funda, rezador de costela, benzedor de cacunda. Aos 23 anos, conheceu um mestre que o ensinou a ser um palhaço típico do Nordeste, que tem a cara pintada de preto e é chamado de Mateus. Ainda tímido, passou a fazer graça nas ruas de Taguatinga e se encantou com o fato de poder falar verdades sérias, mas brincando.

As ideias para fazer o público rir, vêm do dia a dia e também do improviso. Para Mateus da Lelé Bicuda, fazer palhaçada tem que ser natural, uma coisa que se faz sem pensar. Perto do Dia do Palhaço, ele sai em defesa da categoria:

— Quero lançar uma campanha para que as pessoas parem de usar o termo palhaço como xingamento, pois é um desrespeito. Palhaço não é político ladrão. Palhaço é aquele que faz diferente.

Daniel Ferreira/CB/D.A Press


Palhaço Pirulito
É raro um brasiliense não saber quem é Pirulito, cujo nome de batismo é José dos Santos Cavalcante. Aos 47 anos, acumula 27 anos de carreira. Ao longo da vida, foi agricultor, faxineiro e palhaço. Perseguindo o sonho de virar ator de novela, deixou para trás a única paixão, uma prima, e veio para a Capital Federal. Não conquistou a meta, mas teve outras conquistas:

— Ser palhaço é bom demais e vou ser palhaço até morrer. Mesmo doente, não perco a alegria porque ela fica no meu coração. Quando a criança fala comigo, já me alegro todo.

Natural do Rio Grande do Norte, torcedor e mascote do time do Gama, Pirulito sofreu um acidente de carro no ano passado e teve parte do corpo queimado. Popular e querido, recebeu ajuda de muita gente para se recuperar. Quem quiser lhe dizer um “olá”, basta passar por colégios do Gama, onde ele vende balão, pirulito, picolé e algodão-doce e aproveita para dançar e fazer graças.

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press


Palhaços Mandioca Frita, Macaxeira e Fuleiro
Para Júlio César Macedo, 38 anos, que incorpora o palhaço Mandioca Frita há 23 anos, o bom humor foi a chance de mudar de vida. Natural de Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro, ele foi morador de rua por muito tempo. Em 1990, juntou-se, como auxiliar, à Cia Carroça de Mamulengo e veio para Brasília. Com o tempo trabalhando com outros palhaços, ficou interessado em fazer o público rir. Em 1994, tornou-se o Mandioca Frita, querido de muitos.

— Quando eu vou ao Parque da Cidade, que é praticamente meu escritório, o pessoal costuma me oferecer propostas para alegrar aniversários, colônias de férias, shoppings e eventos.

Para Mandioca Frita, palhaçaria é um negócio compartilhado com os filhos Luiz Felipe Macedo, 2 anos, o palhaço Fuleiro, e Júlia Maia, 19, a palhaça Macaxeira.

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press


Palhaços Maneco e Marmota
A atriz brasiliense Tina Carvalho, 35 anos, começou a atuar com 12 anos, sentia que faltava humor no cotidiano e resolveu virar palhaça. O nome artístico encaixou direitinho, já que Marmota é o apelido dela desde criança por ser muito desastrada. Ao longo de 15 anos, aperfeiçoou-se por meio de oficinas e cursos. Apresenta-se em diversos locais com a Marmotagem Companhia. Na profissão, vê muitas vantagens:

— O que eu mais gosto é de levar o riso, porque o riso é cura. E eu descobri que o ridículo da vida é normal.

O filho de Marmota, Kaian Ácrata, 14 anos, é o palhaço Maneco. Junto com a mãe, apresenta-se desde os 5 anos. Ele encarava como brincadeira e, mais crescido, decidiu seguir a carreira de palhaço.

— Eu sou muito tímido e ser palhaço me ajudou a vencer esta barreira. Para fazer os outros rirem, ensaio, escrevo falas, mas deixo o ambiente me levar.

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press


Palhaça Matusquella
A brasiliense Manuela Castelo Branco, 37 anos, mora em Sobradinho e vive atrás do nariz vermelho há 14 anos. Matusquella é um apelido de infância que ela recebeu por ser atrapalhada. Cheia de bom humor e simpatia, para ela, arrancar o sorriso de uma criança é a melhor recompensa. Ela sabe bem que tem muito menino e muita menina que tem medo de palhaço, por causa das roupas coloridas e dos sapatos grandes, mas ela mostra que não há motivo, tirando o nariz de palhaço e revelando sua identidade. Para Matusquella, o bom palhaço — ou palhaça — assume o ridículo e finge que é bobo, mas é inteligente. Entre os profissionais do humor, as mulheres ainda são minoria e isso incomoda a Matusquella:

— Temos que lembrar que hoje é o Dia do Palhaço e da Palhaça também! Tem muita gente que tem preconceito com mulher que é palhaça.

Antonio Cunha/Esp. CB/D.A Press


Palhaço Pipino
Natural de Brasília e morador de Jardins Mangueral, Guilherme Carvalho, 34 anos, trabalha como palhaço há 11 anos. O nome artístico veio do corpo magrelo, como um pepino. Ele já era ator e resolveu encarar o lado ridículo da vida. Além de apresentar-se em festas, teatros e shoppings com o grupo Pirilampo, faz um trabalho ainda mais bonito ao levar alegria para quem está doente com o Projeto Risadinha. No Hospital de Sobradinho, no Hospital Regional da Asa Norte e no Hospital do Paranoá, o palhaço Pipino oferece o encantamento da palhaçaria para funcionários, pacientes e acompanhantes.

— É muito recompensador trabalhar com a felicidade, que é uma coisa que independe da saúde. O nariz de palhaço é a menor máscara do mundo e só ele faz muita diferença. Existem crianças e adultos enfaixados e entubados que, ainda assim, conseguem rir. Assim como os hospitais, existem outros lugares onde o humor precisa entrar, como casas de recuperação e presídios.
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