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O sonho de dançar no Bolshoi

Jovem de 18 anos nascida e treinada em Brasília é aceita em curso da academia russa. Dividindo o tempo entre a faculdade e as sapatilhas, ela se prepara para encarar o desafio de fazer aulas ao lado de alguns dos melhores bailarinos de todo o mundo

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postado em 04/03/2014 09:15

Thalita Lins

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Movimentos suaves de uma brasiliense de 18 anos despertaram o olhar exigente de bailarinos de um dos mais antigos e prestigiados grupos do mundo: a Academia de Ballet Bolshoi, na Rússia. Pela primeira vez na história de Brasília, uma dançarina nascida e treinada na cidade foi aceita para participar do programa de verão da instituição, em Moscou. Natascha Farias Iplinsky ficará cerca de dois meses na terra do escritor Fiódor Dostoiévski para aprender novas técnicas. A estadia dela em solo russo, no entanto, poderá ser estendida caso a jovem seja chamada para integrar o corpo de bailarinos do instituto de dança ao fim das aulas, em agosto deste ano.

Natascha está a quatro meses de viver o maior sonho dela e de qualquer bailarina de balé clássico. Na semana passada, a moradora do Cruzeiro Velho recebeu por e-mail a mensagem que tanto esperou. “Estava na faculdade quando vi, no celular, a carta de aceitação. Senti muita alegria e logo liguei para minha mãe e para Norma Lilia. Mal pude acreditar. Conheço muita gente que tentou e nunca conseguiu entrar”, relembra. “Admiro muito o Bolshoi. Chegar lá é o topo para qualquer bailarina. Estou me preparando ao máximo para entrar na academia, porque terei aulas o dia inteiro e será bem pesado”, revela Natascha.

Para participar da seleção, Natascha teve que pedir ajuda para produzir um vídeo com o teste exigido pela banca avaliadora do Bolshoi. Em 10 minutos de imagens, a jovem exibiu movimentos perfeitos. “Montei a sequência e explorei o que ela tinha de melhor, sem aparentar nenhum erro”, revelou Norma, que acompanha o desenvolvimento de Natascha no balé há 11 anos, quando a jovem deu os primeiros passos na dança. Ao som de uma composição do russo L. Minkus, a estudante de nutrição mostrou que nasceu predestinada para trilhar o caminho da grande incentivadora e de outras bailarinas que são exemplos para ela, como a brasileira Ana Botafogo. “Digamos que ela ganhou na Mega-Sena um prêmio no valor de R$120 milhões”, brinca a professora.

Natascha foi testada em vários aspectos. Desde a precisão de saltos até a delicadeza dos movimentos. Avaliações que, segundo Norma, são, sem dúvida, as mais difíceis para qualquer bailarina. “Mas ela tem um conjunto de tudo: vocação, talento, dedicação e perfeição. Tem tudo isso desde criança. Natascha tem um grande potencial. Essa aceitação é um ganho para ela e um reconhecimento de um trabalho minucioso”, orgulha-se Norma. “Não foi fácil, porque eles são bastante rigorosos. Pedem uma sequência de passos na barra para avaliar a flexibilidade, o nível de técnica e o equilíbrio”, destacou a jovem.

Durante o curso, a brasiliense viverá uma rotina puxada ao lado de bailarinos do mundo todo. “Vou ter aulas de técnica clássica russa, aulas de ponta, pas de deux (dança a dois), dança a caráter, aulas de repertório clássico, alongamento e condicionamento físico”, conta. Além de treinar, a jovem começou a se dedicar à língua russa. “Tudo o que eu aprender lá, será passado em russo. Por enquanto, estou estudando em casa”, afirma. Por duas vezes, a bailarina já passou por cursos, em 2012 e 2013, na American Academy of Ballet, em Nova York, nos Estados Unidos.

Disciplina

Além de se dedicar aos estudos universitários e aos treinos diários, que ela insiste em seguir inclusive nos fins de semana e nos feriados, este ano, Natascha foi chamada para dar aulas. Ela é uma das professoras da dança no Ballet Norma Lilia Biavaty. “Estou descobrindo que eu gosto muito de ensinar”, revela a jovem. “Dou aulas para duas turmas de nível médio e para crianças entre 3 anos e 5 anos”, acrescentou.

Natascha começou um pouco tarde na dança. Ao contrário da maioria dos alunos, que entra na academia aos 4 anos, a bailarina calçou as primeiras sapatilhas aos 7. Por conta própria e sem muitas explicações, ela pediu à mãe para que a levasse a uma academia de balé clássico. “E, assim, desde a primeira aula, eu me identifiquei com o estilo. Embora tivesse entrado em uma turma com pessoas mais novas e com mais experiência, eu não desisti. Aliás, isso me motivou ainda mais a continuar”, recorda.

A insistência deu certo, enquanto o tempo médio para concluir o curso é de oito anos, Natascha terminou a formação em apenas quatro. Ela chegou a pular vários níveis e surpreendeu os professores. “O convencional são as pessoas fazerem quatro ciclos do básico, quatro do médio. O último ano é de aula de teoria, escrita e prática. Pulei quatro etapas”, orgulha-se a jovem.
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