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HISTóRIA »

Lucio Costa na intimidade

Maria Elisa lança hoje livro que conta hábitos simples do pai, como o de levar sempre o casaco quando saía de casa para andar de frescão, um coletivo do Rio de Janeiro. Na publicação, serão descritos também episódios da inauguração de Brasília

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postado em 12/03/2014 16:00 / atualizado em 12/03/2014 10:04

Camila Costa

 (Breno Fortes/CB/D.A Press) 


O arquiteto e urbanista Lucio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa deixou um legado tão extenso quanto o nome. Diversas publicações ajudam a compreender a trajetória profissional do homem que definiu Brasília no papel e na história. Maria Elisa, filha do arquiteto, decidiu compartilhar o lado pessoal do homem que desenhou o Plano Piloto no terraço do apartamento em que vivia no Rio de Janeiro. Ela lança hoje, às 18h, no Clube do Choro, o livro Lucio Costa, inventor de Brasília. Aos 79 anos, Maria Elisa resume o pai em poucas palavras: “O homem mais livre que conheci na minha vida. Tinha clareza em relação aos limites, o pé no chão, mas fez voos altos. Característica ideal para fazer Brasília”.

O livro de 132 páginas foi escrito como se fosse uma conversa da filha de Lucio Costa com o leitor. Num tom leve, próprio de quem viu Brasília ser criada em casa. Ainda jovem, na flor dos seus 20 anos, a arquiteta e urbanista Maria Elisa ajudou o pai a pregar os croquis do Plano Piloto com fita adesiva em um mural de papel. “Meu pai nasceu, para a maioria das pessoas, em 21 de abril de 1960, com Brasília. Mas ele, no Rio, já era considerável, muito conhecido”, contou.

As primeiras páginas trazem, inevitavelmente, fatos da inauguração de Brasília e o peso histórico desse processo. Porém, a sequência do livro começa a desenhar, em descrições informais de Maria Elisa, a personalidade de Lucio. Generoso, bem-humorado e dono de pensamentos ilimitados. “Um homem que veio de Marte, desenhou e voltou para lá”, destacou a filha, em tom de brincadeira.

Prevenido

Maria Elisa conta que a desculpa para levar o casaco pendurado no ombro mesmo com sol a pino estava sempre na ponta da língua. “Ele saía andando, jogava o casaco sobre o ombro e falava: ‘Nunca se sabe o frio que faz no frescão (ônibus que pegava no Rio)’”, lembra a filha, ao dizer que Lucio Costa não abria mão de andar no coletivo. Esses e outros comportamentos estarão nas páginas do livro. O jeito de falar, expressões, tudo é registrado para trazer um dos principais personagens da capital para mais perto das pessoas. “O que me motivou foi ver o carinho que as pessoas daqui têm por ele”, explica Elisa.

Os detalhes ela deixa para a edição. Segundo Maria Elisa, o conjunto de textos, desenhos e fotos vai surpreender o leitor. “Ele era muito inteiro, então não se separa a vida pessoal da profissional. Mas será diferente ver tudo isso comentado, ilustrado, mostrando Lucio como uma pessoa comum”, comenta. Maria Elisa foi apresentada ao projeto da cidade de uma forma despojada, a ponto de nem sequer dimensionar o tamanho da criação.

Em um show comemorativo de 19 anos da capital, com Roberto Carlos em um palco montado na Esplanada, Maria Elisa percebeu, de fato, a grandiosidade daqueles esboços soltos na mesa de casa. “Me lembrei que um dia meu pai me chamou e disse: ‘Olha como vai ser Brasília’. Achei tudo natural, mas não percebi a loucura que era. Neste dia, ao acabar o show, vi as pessoas indo embora, a caminho da Rodoviária”, disse Elisa, ao completar: “Vi tudo isso num pedaço de papel e, agora, estou dentro dele. Fiquei 30 minutos sem conseguir levantar do chão.”

Pioneiro

Lucio Costa nasceu em Toulon, na França, em 27 de fevereiro de 1902. Morreu em 13 de junho de 1998, no Rio de Janeiro. Além de arquiteto e urbanista, trabalhou como professor. No Brasil, é considerado pioneiro na arquitetura modernista, sendo mundialmente reconhecido pelo seu projeto do Plano Piloto de Brasília.


Imperdível
 (Reprodução) 

» Lançamento do livro Lucio Costa, inventor de Brasília

» Clube do Choro, hoje, a partir das 18h

» Evento aberto ao público

» Preço do livro: R$ 40

» Onde comprar: no local do lançamento, e depois pela internet e pelo site www.casadeluciocosta.org
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