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O drama atômico

Trinity, quadrinhos do norte-americano Jonathan Fetter-Vorm, retrata um dos mais impactantes momentos da história mundial: a construção das bombas nucleares

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postado em 24/03/2014 16:00

Lucas Lavoyer - Especial para o Correio

 (Editora 3 Estrelas/Reprodução) 
Figuras emblemáticas aparecem nos quadrinhos (Editora 3 Estrelas/Reprodução) 
Figuras emblemáticas aparecem nos quadrinhos
A revista explica  conceitos físico-químicos da bomba (Editora 3 Estrelas/Reprodução) 
A revista explica conceitos físico-químicos da bomba
 



A catástrofe travestida de bombas de urânio e de plutônio que silenciou Japão, Ásia e o restante do mundo em agosto de 1945 é reinterpretada pelo traço de Jonathan Fetter-Vorm, no quadrinho Trinity (2012). A obra traz a resolução do ultrassecreto Projeto Manhattan, precursor da Rosa de Hiroshima — título do poema de Vinicius de Moraes em alusão à devastação da cidade japonesa — e da desolação de Nagasaki.

A trama, ilustrada por Fetter-Vorm, aborda as relações do perturbado físico norte-americano J. Robert Oppenheimer e do ríspido general Leslie Groves — responsáveis pelo projeto iniciado em 1942, no deserto do Novo México (EUA). Durante cerca de três anos, em área construída de forma rápida e arcaica, os dois comandaram o desenvolvimento do artefato bélico que daria novos rumos à história mundial.

Em julho de 1945, o primeiro teste de uma bomba nuclear recebeu o nome de Trinity. Semanas depois da experiência que deixou uma cratera, preenchida com crosta de vidro, no deserto norte-americano, o Japão lamentaria a morte de 200 mil pessoas que habitavam Hiroshima e Nagasaki. Os traços de Fetter-Vorm mostram tanto o início do Projeto Manhattan quanto o encerramento da Segunda Guerra Mundial.

Indagado sobre o sigiloso projeto militar, o professor de história da Universidade de Brasília (UnB) Antônio José Barbosa comentou a importância desse para a história mundial. “Truman (presidente norte-americano à época) estava em uma reunião quando o telefone tocou e o avisaram que o teste da bomba deu certo. Depois disso, os Estados Unidos não cederam mais nada para a União Soviética (atual Rússia). A frase repetida por historiadores é a seguinte: ‘as bombas, fisicamente, foram jogadas sobre o Japão, mas, simbolicamente, atingiram a União Soviética’”, comentou o estudioso.

Figuras históricas do século 20 receberam contornos no quadrinho preto e branco. O húngaro Leó Szilárd, o alemão Albert Einstein e o ucraniano George Kistiakowsky são exemplos de cientistas ligados à Segunda Guerra Mundial que estampam a publicação. Quanto às personalidades políticas, os presidentes norte-americanos Franklin Roosevelt e Harry Truman e o soviético Josef Stalin também aparecem como desenhos.

Retração da história


Impulsionada pelo próprio tema, a HQ tem páginas didáticas. Com ilustrações e exemplos de fácil associação, o modus operandi e a origem das primeiras explosões nucleares recebem espaço na revista, em trechos que mais parecem um livro de história, química ou física.

Além disso, a trama construída sobre desenhos também aborda temas que viriam apenas depois do desfecho da Segunda Guerra Mundial, como alusões às corridas armamentistas e à Guerra Fria. “As bombas nucleares criaram outra realidade quanto às relações internacionais. Em 1949, quando União Soviética conseguiu detonar com sucesso a primeira bomba, Stalin disse: ‘Acabou a chantagem atômica’. Durante quatro anos, só os Estados Unidos a tinham e a utilizavam como moeda de troca”, apontou o historiador da UnB.

 

 (Editora 3 Estrelas/Reprodução) 

Trinity
HQ, 160 páginas, Editora Três Estrelas, tradução de André Czarnobai. Preço médio: R$ 30
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