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Correio Braziliense

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Os Construtores da copa

Conheça a história de quatro operários que participaram de duas obras essenciais para a realização do Mundial em Brasília: o estádio e o aeroporto. Todos vieram de fora da capital federal, mas hoje carregam o orgulho de terem erguido as construções

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postado em 27/03/2014 16:16

Seja no concreto das paredes do Estádio Nacional Mané Garrincha,seja nas vigas metálicas ainda à mostra na reforma do Aeroporto internacional Juscelino Kubitschek, o suor de milhares de trabalhadores ficará im-
presso nas próximas décadas. Alguns operários tiveram a chance de trabalhar nas duas obra se,orgulhosos,podem dizer que fizeram parte da história de Brasília. Por um motivo ou por outro, todos gostam muito do serviço no canteiro de obras e não trocam a labuta por qualquer outra.Sujos de tinta e com os sapatos cobertos pela poeira que cerca o local, quatro deles falaram ao Correio sobre a vida de operário das duas principais obras brasilienses para a Copa do Mundo.

Os três anos que separam os irmãos LeonardoePauloMelo,23e20,respectivamente, é o que diferencia as fisionomias da dupla. Os dois são muito parecidos e sorriem juntos quando questionados se querem ver um jogo do Brasil no estádio que ajudaram a construir. Montadores de drywall (parede em gesso leve), os maranhenses chegaram à capital federal em 2011, a convite de um primo que liderava uma empresa deconstrução.“Na obra do Mané Garrincha, eles precisavam muito de funcionários porque a construção estava atrasada.Tinha dia que a gente trabalhava das 7h30 até as 21h”, conta o irmão.No estado natal, Leonardo e Paulo ajudavam a família no negócio de ordenha e abate de gado.Vieram por insistência da avó, que pediu ao pai da dupla que não seguras se os dois ali,onde não teriam futuro.“A gente chegou e não sabia nada sobre o trabalho. Comecei no cargo de encarregado-geral, e logo um amigo me disse que isso não dava dinheiro. Procurei aprender sobre a profissão de gesseiro, que é algo que falta aqui em Brasília”, lembra Leonardo.EleePaulomontaram,sozinhos,toda a parede de gesso do novo saguão do aeroporto, que deve ser inaugurado em abril.

Conterrâneo dos irmãos Melos, o pintor José Enes, 30 anos, também chegou à capital em 2011. O maranhense era operário e, em Brasília, começou com algo diferente: caixa de farmácia.“Não gostei do trabalho. O meu foco é pintura. Um amigo me chamou para trabalhar no estádio, dizendo que pagavam bem pelo serviço”, afirma. Três meses depois de concluir o trabalho no Mané, ele conseguiu se empregar na obra do
Aeroporto.“Essa aqui está acelerada. Parece que foi ontem que tudo estava no chão. Espero que fique pronto a tempo, porque o brasileiro não quer passar vergonha quando começar a Copa do Mundo”, diz.

José ajudou a construir o estádio e já testou o próprio trabalho em três jogos do time do coração, o Flamengo.“Sou torcedor desde criancinha e nunca tinha ido assistir a um jogo deles. Para mim, foi uma grande emoção,eu nem acreditava que estava lá”, conta. A fiel escudeira é a filha, Ester Cristine, de 3 anos, que está aprendendo com o pai a ser rubro-negra. Nessas ocasiões, ele gosta de lembrá-la que ele trabalhou naquela obra.“Sempre que tenho oportunidade, eu a levo para que ela saiba que eu estive ali. Hoje em dia, ela ainda pergunta se eu posso levá-la ao estádio, acha que eu ainda trabalho no Mané”,relata, rindo.

AMIZADE

Para o carpinteiro Fábio Souza, de 24 anos, a maior saudade da terra natal, o Pará, são os amigos com os quais jogava bola nas horas livres. Esse fator é, em contrapartida, a principal alegria que ele tem tra-
balhando na construção civil.“Dá para conhecer gente de todos os cantos do país e também do mundo. Hoje, tenho amigos portugueses,espanhóis e a té um inglês.Eu entrei para a equipe do aeroporto porque um amigo me chamou. O bom da obra é fazer amizade”, define. No Mané Garrincha, ele ainda não viu nenhum jogo, mas pretende assistir à partida entre Brasil e Camarões ou entre Portugal e Gana.
Fábio ainda não tem filhos,mas planeja ficar em Brasília, onde mora há 8 anos, e quer levar a prole, um dia, para conhecer as duas grandes obras das quais participou.“Fica um pedaço de mim nesses lugares. Um pedaço de todos nós, que trabalhamos aqui. Quando eu for mais velho, tiver filhos e netos,vou poder dizer para eles que fiz parte disso”, afirma, orgulhoso.

Trabalhadores da arena


As obras no Estádio Mané Garrincha começaram em 26 de julho de 2010, com a demolição da estrutura antiga. Em 18 de maio de 2013, a obra foi entregue com uma partida da final do Campeonato Candango, entre Gama e Brasiliense.Na ocasião, os cerca de 15 mil trabalhadores foram convidados para assistir ao jogo de estreia.

Operários em terra

Para aumentar a quantidade anual de passageiros de 16 milhões para 21 milhões em 2014, foram empregados cerca de 3,3 mil trabalhadores. A previsão é entregar a primeira etapa da obra, o Píer Sul, em abril. Atualmente, a conclusão da obra está estimada em 85% e, em maio, deve ser completada.
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