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Com nariz de Pinóquio

No Dia da Mentira, 1º de abril, crianças inventam histórias para pregar peças nos colegas. Confira aqui:

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postado em 01/04/2014 12:05 / atualizado em 01/04/2014 12:12

Walisson Kennedy, Caio, João Vítor e Gabriela: mentira tem pernas curtas (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 
Walisson Kennedy, Caio, João Vítor e Gabriela: mentira tem pernas curtas

No Brasil, existe uma data que, apesar de não ser feriado e de não marcar nenhum evento histórico ou religioso, muita gente conhece e participa como se fosse uma grande celebração. Trata-se do Dia da Mentira, comemorado em 1º de abril, dia reservado no calendário para aqueles que não perdem a chance de fazer graça e de contar mentirinhas e mentironas para enganar as pessoas. É um costume praticado por gente de toda idade e, mesmo entre as crianças, há os que já estão totalmente familiarizados com esse dia, que parece ter sido feito para zoar e brincar.

Vinícius Macedo, 10 anos, é exatamente assim. Em dias normais, ele prefere falar a verdade, pois considera que esse é o caminho menos perigoso, mas, em 1º de abril, ele solta as asas e dá a si mesmo um pouco de liberdade para espalhar um pouco de ficção por aí.

— Não gosto de mentir. Depois, se descobrirem, posso me encrencar, mas em 1º de abril, eu prego peças nas pessoas. Uma vez, eu falei para uma menina da escola: “Ei, tem um rato atrás de você!” e joguei um rato de mentira nela. Ela ficou bem apavorada, hahahahaha!

Conheça casos de crianças que, como Vinícius, mentem no Dia da Mentira, mas também fora dele, e o que acontece depois.

 


Mentir ou não mentir?
Pedro Henrique Andrade, 10 anos sempre inventa uma mentirinha nesta data, só para se divertir à custa dos outros. Às vezes, as consequências não são muito graves, mas nem todo mundo reage bem às brincadeirinhas do garoto:

— Nesse dia, eu prego peças em todo mundo que eu conheço. Uma vez, quando eu tinha 5 anos, falei que tinha uma abelha no cabelo de uma colega da escola. Ela ficou com tanto medo que foi ao banheiro e cortou um pedaço do cabelo com a tesoura.

Pedro Henrique nem fica tímido e confessa que mente muito, muito mesmo, mas não é só para dar gargalhadas com a reação dos outros. Às vezes, ele inventa uma historinha para se salvar de alguma confusão. Diz ao pai que tirou 10, não conta das advertências que leva na escola… Tudo para livrar o pescoço de uma bronca. Na maioria das vezes, dá certo para ele, mas nem todas as crianças usam esse artifício. Algumas, como Ana Luísa Queiroz, 8, não se identificam muito com a turma dos mentirosos e, até em 1º de abril, ela evita dizer coisas que não sejam verdadeiras.

— Eu não costumo mentir muito porque minha avó me ensinou a não mentir. Ela sempre me dizia: “mentir é feio”, e eu aprendi isso com ela.

O colega Thiago Schupp, 11, concorda com Ana Luísa. Ele conta que faz toda sorte de brincadeiras, principalmente com os primos e amigos: corta o cabelo deles, suja os colegas com pasta de dente enquanto dormem… O menino é um verdadeiro travesso. Mas mentir, mesmo, é algo que ele não se arrisca a fazer:

— Eu quase não minto porque acho que é errado. Mentira tem perna curta e, no fim, a pessoa sempre se dá mal. Vai levar bronca, ficar de castigo. Já aconteceu comigo, quando eu disse aos meus pais que tinha feito o dever e eles descobriram que era mentira.


Ops, fui descoberto!
Enganar os outros pode ser divertido… No começo. Todo mundo, quando conta uma mentira, seja uma bem cabeluda,  seja uma mentirinha de nada, corre o risco de ser desmascarado, o que pode gerar grandes problemas. Walisson Kennedy Alves, 12, sabe bem disso porque já ficou de castigo por não ter dito a verdade.

— Uma vez, estava brincando com meu primo e, sem querer, o machuquei, mas falei para minha mãe que não  tinha sido eu. Quando ela descobriu, me proibiu de mexer no computador.

Algo parecido aconteceu com Gabriela Pádua, 11, quando ela resolveu dar uma de espertinha e, no fim, não se deu muito bem:

— Ganhei R$ 20 da minha avó e gastei tudo em um dia só, com doces e salgadinhos. Disse que tinha guardado, mas, quando ela foi procurar, não encontrou e percebeu que eu tinha gastado tudo. Como castigo, fiquei praticamente um dia inteiro sentada em frente à televisão desligada.

Caio Duarte honra a tradição e não poupa esforços em bolar uma mentira bem grande em 1º de abril. Nesse dia, ele prepara as histórias mais mirabolantes. Já inventou casos de doença, de infarto e até de gravidez na família, mas se engana quem pensa que é apenas no Dia da Mentira que o garoto usa a criatividade para tirar vantagem de situações que não existem. Sempre que pode, ele tira uma mentirinha ou outra da cartola. O problema é que, para Caio, mentira também tem pernas e braços curtos e ele tem de aguentar as consequências:

— Uma vez, disse à minha mãe que o lanche da escola custava R$ 6,50, mesmo o valor de verdade sendo R$ 4. Assim, eu ficava com R$ 1,50 para gastar com balinhas. Quando ela descobriu, fez as contas e me cobrou o dinheiro que eu devia a ela.

Para evitar ser pego no flagra e ficar com cara de bobo, o próprio João Vítor Soares, 10, se desmascara e desmente tudo o que inventa. Ele diz que, muitas vezes, tem um bom motivo para mentir: fazer amigos.

— Se eu quero me enturmar com as pessoas, faço uma pegadinha para começar a interagir.

Brincadeirinha de bom gosto


 (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 


Inventar uma história nem sempre é algo ruim e pode ser divertido não apenas para quem conta, mas também para as “vítimas” desses pequenos contos da carochinha. Depois de um susto, pode vir uma boa gargalhada de felicidade ou alívio. Maria Luiza Lustosa, 10, sabe bem como produzir esse efeito, principalmente nos familiares.

— Sempre que faço provas, minto para a minha mãe e digo que tirei 0, quando, na verdade, tirei 100. Ela leva um susto! Uma vez, disse aos meus pais que eles precisavam ir à escola, pois eu tinha levado uma advertência, mas depois revelei que era só uma brincadeira, que eles precisavam ir para ver uma apresentação que eu ia fazer. Mentir não leva a nada!

Bianca Sloboda, 10, concorda em gênero, número e grau com Maria Luiza. Ela conta que também faz esse tipo de brincadeira com os pais e que só mente quando está com problemas, mas a mentira não dura muito:

— Se minto quando estou encrencada, fico encrencada duplamente! Mas mentir de brincadeirinha e depois contar a verdade até que é uma coisa boa. Uma vez, falei para minha mãe que tinha levado uma suspensão. Ela disse: “O quê?” e eu respondi: “calma, mãe, é brincadeira! Não adianta, eu conto! Não consigo segurar por muito tempo.

Histórias de mentirinha


Confira livros e filmes que falam sobre mentira, verdade e as consequências de cada uma

Para ler

 (Editora Ática/Divulgação) 

As mentiras de Paulinho
Fernanda Lopes de Almeida
Editora Ática
32 páginas
R$ 28
Paulinho é um menino que adora inventar histórias... Mas será que são simples mentiras ou apenas
outro tipo de verdade?
É ler para saber.
 (Editora Globo/Reprodução) 

Nina e a verdade
Oscar Brenifier
Editora Globo
64 páginas
R$ 32
Nina é uma garota curiosa e cheia de dúvidas sobre verdade e mentira: toda mentira merece punição? O que acontece quando mentimos para agradar a alguém? É possível falar a verdade o tempo todo?


Para assistir

 (Disney Channel/Divulgação) 

Mentiroso clássico

Se você não conhece a história de Pinóquio, um boneco de madeira que ganha vida, já está mais do que na hora de conferir. Na história, toda vez que Pinóquio conta uma mentira, o nariz dele cresce e ele se coloca em confusões gigantescas e até mesmo é engolido por uma baleia! Acompanhe essa história e descubra um jeito melhor que mentir para escapar dos problemas.

 

 

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