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A força dos palcos

Os festivais nacionais ajudam a manter o teatro vivo e contrariam as projeções negativas para o setor

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postado em 03/04/2014 17:00

Diego Ponce de Leon

O espetáculo Do repente, da Cia. Lamira (TO), passa por Brasília em julho, por meio do Palco Giratório 
O espetáculo Do repente, da Cia. Lamira (TO), passa por Brasília em julho, por meio do Palco Giratório


Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido: apelo 
Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido: apelo


Em recente passagem por Brasília, o ator Vladimir Brichta comentou do “esvaziamento da cena”. Segundo Vladimir, “cada vez menos pessoas estão indo ao teatro”. Uma observação compartilhada por toda classe. Fernanda Montenegro também critica o público que “sempre acha o teatro caro demais”, como atestou em entrevista ao Correio. Da mesma maneira, Marieta Severo revelou a dificuldade em conseguir patrocínio para as peças que protagoniza, “principalmente quando fogem da comédia e tendem para o drama”.

Na contramão das afirmações acima, o diretor do Festival de Teatro de Curitiba, Leandro Knopfholz, afirma que o evento “vende mais ingressos que o Rock in Rio, sendo 220 mil lugares à disposição”. São pouquíssimas, de fato, as entradas restantes para os espetáculos do mais tradicional festival de teatro do país, que segue até este fim de semana. A capital paranaense recebe atrações muito concorridas, como a Royal Shakespeare Company, que surge com The Rape of Lucrece; e Reynaldo Gianecchini e Maria Fernando Cândido, protagonistas de A toca do coelho, com direção do também ator Dan Stulbach. Ambos os espetáculos, esgotados. Há 10 dias.

A escassez do teatro, criticada por Fernanda e Cia., parece não valer quando se trata dos festivais. “A cada ano, nosso público cresce. E trabalho para que seja sempre assim”, destaca Knopfholz, que ajudou a transformar Curitiba no terceiro principal polo de produção teatral no Brasil, atrás somente de Rio de Janeiro e São Paulo.

Formação de plateia
A tendência de crescimento não é exclusividade do Paraná. Eventos similares apresentam o mesmo diagnóstico. Caso do Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte (FIT), que comemora os 20 anos de estrada e aparece, em maio, com mais de 200 sessões. Além da qualidade das atrações, muitas internacionais, o festival procura atender à demanda social que paira sobre o segmento.

“Este ano, o FIT terá a escola pública como lugar excepcional para a formação de público. O festival terá como foco sobretudo alunos de baixa renda. A escola como um espaço especial para a formação de novos públicos, atribuindo ao festival um caráter social e de transformação pela arte”, conta Leônidas Oliveira, presidente da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Uma preocupação constante do setor, que enfrenta grandes dificuldades em fomentar novas produções é atingir um público mais amplo.

Para garantir um resultado producente, Leônidas preserva o olhar crítico desde a curadoria do festival: “Buscamos trazer elementos que possam agregar novos parâmetros para a produção local, tornando o festival, dessa forma, um momento para a reflexão do fazer artístico”.

O cuidado  na escolha dos textos  e, principalmente, dos artistas, é um dos diferenciais do Palco Giratório, um amplo projeto de divulgação do teatro, promovido pelo Sesc. “Não iremos apoiar aquele ator da televisão, com público garantido. Queremos revelar novos talentos, dar a chance a grupos menos conhecidos. Essa é a nossa preocupação”, comenta Marcia Rodrigues, gerente nacional de cultura do Sesc.

Ao todo, por meio do Palco Giratório, 20 companhias terão a chance de percorrer 126 cidades brasileiras no decorrer do ano. Em dezembro, 768 apresentações terão sido realizadas. Embora o Distrito Federal não esteja representado por nenhum grupo, Brasília é um dos destinos do projeto. Em julho, oito peças que integram o Palco desembarcam por aqui. Oportunidade para os brasilienses integrarem as 3 milhões de pessoas que formam o público desses 17 anos do projeto.


Números
O Festival de Teatro de Curitiba gera 1,5 mil empregos, consome  R$ 6,5 milhões  de investimento e vende  220 mil ingressos para apresentações de 430 grupos

Em Brasília
Com 14 edições realizadas, o Cena Contemporânea entrou para o circuito dos principais festivais de teatro do país. Durante o evento, companhias e grupos nacionais e estrangeiros se encontram para apresentações, oficinas e palestras, que dominam quase todos os palcos de Brasília. Na última edição, de 2013, todos os continentes foram representados. O repertório incluiu a contemporaneidade do espanhol Roger Bernat, a leveza de Drica Moraes e Camila Pitanga e as provocações de Enrique Diaz. Tradicionalmente, o Cena Contemporânea acontece no início do segundo semestre.
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