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É dia de se vestir de alegria

Quinze moças atendidas pela Abrace terão um baile de debutantes amanhã. A realização do sonho vem em uma época de dificuldades

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postado em 07/04/2014 11:08 / atualizado em 07/04/2014 11:10

Marcos Araujo

Amanhã, o sonho de 15 meninas atendidas pela Abrace vai se realizar. Um baile de debutantes foi organizado para elas, com direito a vestido, produção, book e até mesmo valsa com os cadetes da Polícia Militar. Tudo para tornar a data um momento especial.

Há sete meses, Rafaela Nunes, de 14 anos, recebeu a notícia que mudaria sua vida: ela tinha um tumor na coluna. Atualmente, passa pela oitava de 15 sessões de quimioterapia para combatê-lo. Ela ainda deve enfrentar a radioterapia — uma cirurgia não foi descartada. Mas ela não deixa o bom humor e a vaidade de lado. Bem resolvida sem os cabelos, ela aproveita para usar batons coloridos e lenços divertidos. Para o baile, escolheu um vestido da cor preferida, rosa, e vai com a cabeça à mostra. “Serei uma princesa sem cabelo. Para que vou esconder o que sou? Um dia, todo mundo vai descobrir, então, prefiro mostrar logo. Meu maior sonho, o baile de 15 anos, está se realizando”, comenta.

Para a mãe da garota, Zelândia Maria Gomes, de 50 anos, manter a alegria é crucial durante a batalha contra o câncer — e a oportunidade de participar de uma festa tão alegre se torna um alívio em um momento tão difícil. Quando a filha mais velha, hoje com 26 anos, teve o dia de debutante, ela não segurou as lágrimas. Ver a caçula no vestido, enfrentando com um sorriso o câncer, também a emociona. “Quando a mãe sofre, a filha sofre. E vice-versa. Estou com ela nessa luta. Pelo que estamos enfrentando, pelos dias difíceis que passamos, uma festa assim é algo muito bom”, garante.

Quando Carolina Pessoa, de 15 anos, reclamou de dores no cotovelo, os médicos a diagnosticaram com osteomielite. Ela tinha 11 anos e passou por três cirurgias para tentar corrigir o problema. Apenas em setembro de 2013, quando foi feita a biópsia do terceiro procedimento, descobriram que se tratava na verdade de um tipo raro de linfoma. De repente, Carolina tinha câncer e fazia quimioterapia: perdeu todo o cabelo. Em janeiro, parou de tomar os remédios. “Eu me via de forma diferente do que sou. Me olhei no espelho e pensei: eu sou assim? Não imaginava. Foi quando vi o que tinha de bonito, e passei a usar maquiagem, brincos grandes, lenços, chapéus”, lembra a garota, que está com os primeiros fios de cabelo novo aparecendo na cabeça.

Amor de mãe


A escolha do vestido — branco, longo e com cauda — surpreendeu e emocionou a mãe de Carolina, Tânia Pessoa, de 58 anos. “Tem a ver com o jeito dela, puro, meigo. Eu fico na maior alegria, dou toda a força. Ela me pergunta se está bem e eu digo que está linda! Não tem nada mais acalentador para uma menina de 15 anos do que uma festa como essa”, comenta. Carolina se alegra ao ver a mãe tão animada com as comemorações de amanhã, porque sabe que, para ela, esse tratamento também foi uma batalha. “Eu acho essa reação muito boa porque ela sofreu comigo. A gente sente essa dor por dentro, que não quer demonstrar. É medo, angústia, tristeza, choro. Mas enfrenta isso e pronto. De cabeça erguida”, afirma.

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