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Wilker e a relação com Brasília

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postado em 07/04/2014 15:00

Maíra de Deus Brito , Mariana Vieira

José Wilker em Brasília: visitas frequentes, como na gravação da  minissérie JK   (Luiza Dantas/Carta Z Noticias - 6/3/09) 
José Wilker em Brasília: visitas frequentes, como na gravação da minissérie JK


O cineasta e crítico de cinema Sergio Moriconi relembra o convívio que teve com o ator, em 2011. “Eu passei dois dias intensos com ele, que veio a Brasília participar de uma mesa no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) sobre a mostra de cinema do Arne Suvksdorff, de quem havia sido aluno”, conta. O cineasta sueco, especialista em documentário, viveu por mais de 30 anos no Brasil e foi figura influente do Cinema Novo.

A primeira vez que veio ao Rio de Janeiro, foi em 1962, a pedido da Unesco, para dar um curso de cinema para jovens brasileiros, entre os quais estava José Wilker, ao lado de Eduardo Escorel e Vladimir Herzog. “Ele aceitou prontamente o convite porque se dizia muito grato ao Suvksdorff, pois havia aprendido muito com o sueco”, conta. Moriconi também lembra de um desejo do ator: “Na ocasião, ele disse que viajaria para Nova York em breve para tentar comprar peças de jovens autores para traduzir e montar no Brasil”.

“Só de conversar com ele, dava para perceber que era um cinéfilo, uma pessoa realmente entendida de cinema, de música, de arte”, destaca. O que combina, na opinião de Sergio, com uma lembrança antiga que carrega de Wilker. “Foi há mais de 20 anos, eu passava as férias no Rio, sou de lá, e estava na Modern Sound, uma loja de discos mítica”, descreve. Eis que entra Wilker, já um famoso ator, “e o atendente surge com uma caixa abarrotada de discos, VHS, se não me engano era o pedido do mês dele, imagina”. Daquela época, Moriconi, que assistiu à montagem histórica de A China é azul, no Teatro Ipanema, guardou “a grande influência de ver Wilker no palco. Aquilo contribuiu para meu interesse pela arte”.

Espetáculos

Ator fluminense radicado em Brasília há décadas, Gê Martu recorda como conheceu Wilker. “Foi num teatro que ficava na Praia de Botafogo. Era 1964 ou 1965. Fazíamos leituras de peças e ele participava também de algumas, não como diretor e sim como ator. Os nossos papos eram geralmente sobre os espetáculos lidos e os que iríamos ler”, conta.

“Às vezes, nos encontrávamos no Fiorentina, um bar restaurante, frequentado por nós artistas, após as leituras e as estreias das montagens. Wilker foi e sempre será muito importante para a vida e a história dos artistas da nossa geração e das próximas. Fez história por onde passou: no teatro, no cinema e na televisão. O Brasil e o mundo perdem com a sua partida e ganha com o seu legado.”

Chico Sant’Anna, ator brasiliense que atuou na minissérie JK, no papel de Geraldo, o motorista do presidente bossa nova, ficou chocado com partida precoce do ator e diretor cearense. “Levei um susto quando vi a notícia na televisão, fiquei parado. Que ano difícil, mal começou e já perdemos Paulo Goulart e José Wilker.”

Sant’Anna, que tem no currículo atuação nas peças Heróis — O caminho do vento e Cru, ressalta uma das principais características de Wilker: a capacidade de reinventar. “Nosso contato foi muito pequeno durante as gravações da minissérie. Mesmo assim, ele sempre me pareceu uma figura em constante busca de novas linguagens e formas de expressão, mesmo tendo essa força maior na tevê”, concluiu.
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