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Para escolher e admirar

Brasília está cheia de exposições recém-abertas ao público. O correio apresenta um guia com alguns dos trabalhos mais inspirados

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postado em 08/04/2014 15:29 / atualizado em 08/04/2014 16:22

Nuvens em concreto, lembranças engarrafadas, móveis customizados, rostos em hiper-realismo, lembranças confusas de diários antigos. A matéria da arte é pessoal, inesgotável e pode render um sem fim de obras. O Diversão&Arte; preparou um roteiro com exposições recém-inauguradas que passeiam pelas vertentes mais conceituais da arte, como os trabalhos de Rita Almeida, mas que também têm um pé da realidade figurativa, na tentativa perfeccionista de reproduzir o que se vê, como os desenhos do tatuador Emerson Jah Bless. Veja abaixo o que visitar durante a semana.

Matias Mesquita/Divulgções


Matias Mesquita/Divulgções


Ana Júlia Melo/Divulgação

Partilha do verso e do vazio
» Viisitação até 25 de abril, de terça a sexta, das 14h às 18h, e sábados das 10h às 18h30, no Elefantes Centro Cultural (W3 Norte, 707 comercial, Bloco C, Loja 45, atrás das Óticas Brasilienses).

Levou um tempo para Matias Mesquita conseguir domar o concreto. O que parece robusto e firme é, na verdade, de uma delicadeza frágil, com rachaduras inevitáveis. Quando conseguiu preparar a superfície, o artista deu início ao jogo de ilusões que pensou para a série Impermanência: a partir de fotografias de nuvens, realizou as pinturas sobre o concreto. Às vezes, a pintura parece foto. Outras vezes, adquire uma profundidade ilusória. É esse jogo de ser e não ser que instiga o artista e motiva o trabalho. %u201CO meu jogo é o olhar em cima dos contrastes: as nuvens, feitas de vapor, sobre o concreto, que é sólido, compacto e prima pela rigidez%u201D, diz o artista. %u201CEsses contrastes se coplementam e, para mim, representam a mesma coisa: a completa ilusão.%u201D

Na mesma galeria, Rita Almeida não hesita em mergulhar na própria experiência com Patrilha do verso e do vazio. %u201CMeu trabalho é muito autobiográfico%u201D, avisa. Ao revisitar diários antigos, Rita ficou confusa: não conseguia compreender boa parte das anotações porque eram escritas soltas, sem muita referência. Resolveu então resignificar os fragmentos de texto em séries de trabalhos. Pequenos poemas sobre pequenas mortes trata de perdas e Postais para ser reúne descrições de lugares destinados a uma companheira de viagem que desistiu de partir. Mas Rita também volta os olhos para o exterior em Amor extraviado, uma série de fotografias de cartas de amor recebidas por mail e deixadas em casas vazias do Distrito Federal. A artista criou um blog no qual pedia aos visitantes cartas de rompimentos. Recebeu 35 exemplares. Imprimiu cada um e, depois de fazer um mapeamento de casas abandonadas, visitou as construções e deixou as cartas. %u201CFiz o que eu faria se essas cartas tivessem feito parte da minha vida%u201D, brinca. %u201CEssa exposição é muito sobre o vazio, a perda, o desejo de fuga.
Ana Júlia Melo/Divulgação


Ana Júlia Melo/Divulgação

Constelações
» Visitação até 26 de abril, de segunda a sábado, das 12h às 21h, na Objeto Encontrado (SCLN 102, Bloco B)

Mãe e filha se encontram no espaço de uma galeria para dialogar sobre suas vivências e explicitam a relação entre nessa mostra povoada de móveis e objetos curiosos. Na galeria Objeto Encontrado, Leo e Nina Coimbra montam uma espécie de sala de estar na qual todos os objetos são produções próprias, mas também carregam a história familiar de cada uma. %u201CO que transparece é nossa relação de mãe e filha%u201D, explica Leo, que costuma encontrar no próprio ambiente doméstico o material usado nos objetos expostos. Em uma série de garrafinhas e vidrinhos, Leo insere pequeninos objetos, lembranças de um cotidiano. Um paninho usado para não manchar as roupas durante a lavagem ganhou utilidade artística, assim como os vidrinhos usados para armazenar alimentos. As peças de Leo repousam sobre os móveis customizados de Nina, também autora dos quadros que compõem o ambiente. %u201CSe chama Constelações porque tem a relação com minha mãe: falamos de constelações familiares%u201D, explica Nina.
Emerson Jan Bless/Divulgação


Emerson Jan Bless/Divulgação

Artevismo
»Visitação até 3 de maio, de terça a sábado, das 14h às 24h, na Galeria Olho de Águia (QNF Ed Praiamar, loja 12, Taguatinga Norte)

Há pouco tempo, Emerson Jah Bless resolveu desafiar a si próprio naquilo que considera mais difícil: o desenho hiper-realista. Tatuador do estúdio Família Jah Bless, ele passou um mês em Curitiba estudando a técnica de reproduzir rostos. Voltou satisfeito com o resultado a passou a produzir os desenhos. O resultado é a série de desenhos e pinturas em cartaz na Olho de Águia. Os suportes podem variar %u2014 e há desde papel e tela até skate e pranchas de surf %u2014 mas a obsessão é a mesma: rostos, femininos de preferência. %u201CGosto de pegar rostos expressivos e os olhos são o que me atraem: eles são o espelho da alma, a parte do rosto na qual passo mais tempo trabalhando%u201D, revela.
Vinicios Fernades/Divulgação



Plano Expandido
» Visitação até 24 de abril, de segunda a sexta, das 10h às 20h, na Galeria Espaço Piloto (Instituto de Artes da Universidade de Brasília)

Estudantes da Universidade de Brasília (UnB), Ananda Giuliani, Isadora Dalle e Samantha Canovas descobriram ter um interesse em comum quando se tratava de trabalhar a superfície plana: a atenção concentrada no material, uma perspectiva diferente para a pintura e um deslocamento do foco do observador para detalhes. Resolveram então montar Plano expandido, uma reunião e um diálogo produzido por trabalhos assinados pelas três, separadamente.

Isadora utiliza grandes superfícies de papel, mas escolhe um pequeno ponto no qual concentra toda a tensão de suas pinturas a óleo. Com manchas abstratas pintadas em cores fortes, ela atrai o olhar do observador para um detalhe, já que o resto do papel é preenchido por desenhos em cores mais suaves. %u201CTenho muito interesse em despertar um olhar mais aguçado para as coisas. Parti da observação de paredes descascadas e do chão. Me interessa muito essa proximidade que você pode ter com o trabalho, independente do tamanho%u201D, garante.

Já Samantha tem como foco o material da pintura: ela desfia a lona da tela para criar os desenhos. É o processo inverso da pintura, focado na materialidade dos objetos, mas não deixa de ser um desenho. Ananda vai mais longe de transforma tela, parafusos e chassi em matéria prima para um site specific. Com a lona, cria bolsas que são preenchidas com terra. Uma delas é rasgada e a terra escorre pelo chão, formando um desenho aleatório. %u201CEla tem um interesse em um embate corporal com a obra%u201D, observa Isadora. %u201CEnquanto eu trabalho com a aproximação, ela vem de uma ideia de afastamento.%u201D

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