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Ilustradores brasileiros buscam apoio em páginas de financiamento coletivo. A ideia tem ajudado a melhorar projetos

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postado em 09/04/2014 18:00

Lucas Lavoyer - Especial para o Correio

O Recruta Zero ganhou novos traços no projeto Ícones dos Quadrinhos 
O Recruta Zero ganhou novos traços no projeto Ícones dos Quadrinhos


A revista Mês arrecadou R$ 15 mil com a vaquinha virtual 
A revista Mês arrecadou R$ 15 mil com a vaquinha virtual



Muito se passa além dos traços impressos em uma publicação de papel. Independentemente de segmentos, obras artísticas demandam exigências muitas vezes ignoradas pelo espectador. Um dos principais entraves costuma ser a obtenção de recursos. No contraponto desse problema, páginas na internet reúnem voluntários e promovem o crowdfunding ou, simplesmente, financiamento coletivo.

No coração do democrático crowdfunding, há espaço para qualquer forma de manifestação cultural. Sob aba deste extenso leque de opções, os ilustradores e quadrinistas formam um dos principais nichos de adeptos do sistema de financiamento coletivo. Segundo levantamento do Catarse.me, uma das páginas mais acessadas do setor, as histórias em quadrinhos movimentaram R$ 1,16 milhão no portal, entre 2011 e 2014, o que as coloca em terceiro lugar no ranking de arrecadações.

Segundo o coordenador de Comunicação do Catarse, Felipe Caruso, uma série de fatores poderia explicar o envolvimento dos quadrinistas com o apoio de voluntários. “O principal ponto é a existência desta comunidade articulada e que produz e consome quadrinhos, antes mesmo do Catarse existir. Mesmo não sendo a primeira em número de projetos, podemos dizer que a categoria é a mais avançada no uso do financiamento coletivo”, aponta. A página trabalha com quase 30 segmentos artísticos.

No Distrito Federal, duas HQs conseguiram juntar fundos com participação coletiva no Catarse. Entre os projetos, está o box de uma revista mensal, intitulada Mês, pensada pelos amigos estudantes Daniel Lopes e Augusto Botelho. Em 2013, os dois reuniram R$ 15.101, com o auxílio de 178 voluntários, e deram corpo à ideia maturada por ambos. “Acabamos indo além da quantidade que precisávamos, então conseguimos dobrar a tiragem e imprimir em materiais melhores que nas zines. O acabamento ficou lindo, e o pessoal tem se mostrado bastante satisfeito”, destaca Lopes.

Até o momento, 35 ilustradores doaram um pouco de seus talentos à Mês, que publicou 2,4 mil exemplares entre janeiro e dezembro de 2013. “O projeto no Catarse lançou 400 caixas especiais, com 12 zines e mais um extra cada uma. Agora, estamos em fase final de produção de duas revistas coloridas que sairão também pelo site, que são Marco, o macaco do espaço e O aguardado”, comenta. Em 2014, a obra migrou das revistas impressas à internet e agora pode ser acessada pela página MêsZines, no Facebook.

Presentes
Segundo levantamento da página Catarse, quadrinistas de São Paulo são os que mais recorrem ao apoio coletivo do portal. Nos últimos anos, foram 36 projetos inscritos, sendo que 28 deles conseguiram reunir o montante pedido pelos autores, correspondendo a 78% de financiamentos concluídos com sucesso.

Entre os projetos de São Paulo, está a coletânia Ícones dos quadrinhos, idealizada pelo publicitário e escritor Ivan Freitas da Costa. O livro reuniu ilustrações de 100 artistas do Brasil e de outros países, que deram traços a releituras dos principais personagens das HQs do mundo. A proposta do autor mobilizou 757 voluntários e arrecadou R$ 61.665, quase o dobro do valor pedido inicialmente, R$ 34 mil.

O montante surpreendeu Costa, que aproveitou para investir ainda mais na ideia. “Inicialmente, três artistas fariam uma sessão de autógrafos no evento de lançamento. Com a quantidade arrecadada, pude expandir para oito artistas. Com isto, o número de presentes aumentou consideravelmente”, ressalta. O autor também aproveitou para incrementar uma slipcase — espécie de estojo resistente e ornamentado — à coletânea, tornando-a mais atraente.

 


Com o dinheiro doado, os quadrinistas conseguem investir na qualidade do material impresso e em brindes 
Com o dinheiro doado, os quadrinistas conseguem investir na qualidade do material impresso e em brindes




R$ 1,16 milhão

Valor movimentado por projetos de quadrinhos, entre 2011 e 2014, na página Catarse.me
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