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Mobília itinerante

Banda Móveis Coloniais de Acaju lança documentário em homenagem a Brasília com direção de José Eduardo Belmonte

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postado em 09/04/2014 15:00

Lucas Lavoyer - Especial para o Correio

 


Os brasilienses trabalharam, também, em parceria com a diretora de fotografia uruguaia Bárbara Perez, responsável pelo premiado Whisky 
Os brasilienses trabalharam, também, em parceria com a diretora de fotografia uruguaia Bárbara Perez, responsável pelo premiado Whisky


Registrado sobre palcos improvisados, em cenários históricos e em meio a moradores autênticos do Distrito Federal, o documentário Mobília em casa, novo projeto do grupo Móveis Coloniais de Acaju, opera sobre duas perspectivas centrais: faz homenagem apaixonada a Brasília e um diagnóstico da identidade e da maturidade da banda, a partir das músicas do novo disco, De lá até aqui, lançado em 2013, além de depoimentos ambivalentes — alguns com teor de humor, outros emocionantes. O longa, dirigido e narrado por José Eduardo Belmonte, estreia, nesta sexta-feira, no Cine Brasília, às 20h.

A luz natural do Sol substitui a dos holofotes e ilumina a maior parte das apresentações musicais presentes no documentário. Os integrantes da banda percorreram 10 pontos do DF, levando o som, uma mistura eclética de vertentes do rock, swing e ska, a completos desconhecidos. O longa, produzido e gravado em novembro de 2012, durante seis dias ininterruptos, também reúne material heterogêneo, de depoimentos a imagens antigas, para compor fina camada crítica à situação social e política da cidade.

De início, a ideia do grupo era apenas gravar um vídeo musical, sem qualquer indício do que viria a ser o resultado final. O projeto já estava aprovado no Fundo de Apoio à Cultura (FAC), quando conversas entre Móveis Coloniais de Acaju e José Belmonte mudaram os rumos do esboço e o transformaram no atual Mobília em casa. “Tem uma história. É aí que está a graça do filme. Não são só 75 minutos de música. Há uma história toda contada, cidade por cidade, por pessoas, pelo Móveis e pelo Belmonte”, levanta Esdras Nogueira, saxofonista barítono da banda.

Apesar da presença maciça das músicas, o documentário não é indicado apenas a admiradores da banda, prestes a completar 16 anos de carreira. A maior parte do material trata de uma Brasília do passado e de outra do presente, tentando remodelar uma utopia que já teria sido possível. “É um filme bastante político, no sentido de ter postura, reflexão e pedir uma reflexão das pessoas também. Isto é uma coisa que estamos deixando de fazer. As pessoas de Brasília tem deixado de usar a cidade como elemento criativo e ela é muito potente e singular para isso”, aponta Belmonte.

Estilo candango
Mesmo que as letras não sejam tão diretas, as canções presentes no longa, saídas do álbum mais recente, finalizado simultaneamente às gravações do documentário, também foram construídas sobre o convívio com a cidade. “O estilo da banda é Brasília. A voz múltipla e o encontro com o outro é muito Brasília, e é uma referência muito maior do que Lucio Costa, Oscar Niemeyer e outros pontos históricos. Cada um de nós tem um lugar, e, nesse disco, aceitamos a diferença entre os indivíduos”, destaca o vocalista André Gonzales.

O projeto recebeu orçamento de R$ 160 mil para produzir, gravar e editar todo o longa-metragem, que terminou com tempo superior a uma hora. Apesar disto, a fotografia e a sonoplastia foram tratadas com atenção especial. Bárbara Perez, diretora de fotografia uruguaia responsável por Whisky (2003), abraçou o projeto e deixou sua marca entre as cenas de música. “Ela é muito minimalista. Estabeleceu conceito muito simples e incrível”, destaca Belmonte. O filme estará em cartaz durante o mês de abril.

Mudanças
Quando os integrantes dos Móveis Coloniais de Acaju decidiram perambular por locais emblemáticos e abandonados, o fez como forma de zelar por um bem que deveria receber mais atenção, diante da máxima “quem ama, cuida”, em vez de simplesmente mostrar um erro. “Só de estar nesses lugares e trazer movimento e vida já nos causou uma sensação muito boa, mesmo vendo abandonos e desleixos mostramos que isso funciona”, destaca o baterista Gabriel Coaracy.

Coincidências à parte, desde a conclusão das gravações, dois pontos visitados pelos músicos passaram por obras de manutenção. São os casos do Polo de Cinema de Sobradinho e da Igreja São José do Operário, na Candangolândia.

Três perguntas /José Eduardo Belmonte

 

Você já dirigiu clipes, mas não trabalhava havia algum tempo com esse formato. Como foi esse retorno?
É meu primeiro documentário, que se cuide Vladimir Carvalho (risos). Mas a divisão entre documentário e ficção, para mim, é banal. O lance da música, sempre tive paixão. Sempre quis ser músico, na verdade. Sou músico frustrado, tive banda nos anos 1980 como todo mundo, mas não tinha talento nenhum. Fiz amizades com músicos, que me chamaram para fazer clipes e fiz muitos. Tenho um senso musical comigo.

Quanto ao projeto Mobília em casa, como foi trabalhar com uma banda tão grande?
Eu tenho coisas para falar sobre Brasília, o Móveis tem coisas para falar sobre Brasília. Foi interessante reunir essas ideias. Foi um processo criativo de várias cabeças pensantes, não é um filme meu, é nosso. É como se fosse meu encontro com Móveis. São duas gerações diferentes, com pensamentos diferentes e processos artísticos diferentes, que conflitam de forma harmoniosa. Tenho orgulho imenso desse filme.

O documentário foi todo gravado em apenas seis dias. Quais foram os maiores desafios?
Conseguimos pelo nosso know-how. Ao mesmo tempo que eles se armam rápidos nos shows, tem o meu de sempre ter filmado muito rápido. Mas um mérito também foi o da Barbara Alvarez (fotógrafa uruaguaia). Ela veio de outra filosofia e é muito minimalista. Estabeleceu conceito muito simples e incrível. São poucos planos e conceito em torno da música, são praticamente quase dois planos.

 

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