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O escracho entra em campo

Com direção do brasiliense Vitor Brandt, estreia na próxima semana Copa de elite, longa recheado de sátiras a filmes brasileiros

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postado em 09/04/2014 19:00 / atualizado em 09/04/2014 10:36

Ricardo Daehn

Vitor Brandt: referências bem-humoradas a Nosso Lar e De pernas para o ar 
Vitor Brandt: referências bem-humoradas a Nosso Lar e De pernas para o ar


Aadolescência inteira passada nos corredores do Espaço Cultural da 508 Sul, entre aulas de desenho, jogos de RPG e leituras de gibis. Filho do cineasta Pedro Anísio — que, nas telas, adaptou trama até com o célebre Spirit (do quadrinista Will Eisner), — Vitor Brandt não relutou em tomar o caminho das artes, formado pela Escola de Comunicações e Artes (USP). Agora, aos 31 anos, já com o primeiro longa prestes a chegar às telas (Copa de elite estreia dia 18), Vitor faz uma ponte divertida entre a conquista e as lembranças da formação, nas poltronas do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Um filme em especial, A marvada carne (1986), com uma endiabrada Regina Casé em cena, respondeu pelos sucessivos pesadelos, todos os dias. “Aliás, não tinha coisa mais assustadora do que filmes brasileiros dos anos 1980”, diverte-se o cineasta.

Roteirista e diretor (ao lado do parceiro Pedro Aguilera) da série televisiva Vida de estagiário, com episódios baseados em tirinhas de Allan Sieber, Vitor conta que naquela obra “teve que pirar mais, em cima”, quando comparado a Copa de elite. A nova empreitada tem algo do lastro oitentista, porém, como entrega: “Tem palavrão e uma bundinha, aqui e acolá”. O grosso da história vem da atualidade. São jogadas humoradas com fitas como Tropa de elite, Bruna Surfistinha, Nosso lar e De pernas pro ar que fazem a festa. Apesar do senso crítico de brasiliense, Vitor não centrou fogo nas críticas políticas. “A gente não ridiculariza muito: não dizemos isso do ‘não vai ter Copa!’, nossa defesa é a de que ‘vai ter Copa, sim!’. Lidamos com Bope, com religião — é delicado, mas nunca pisamos muito no calo”, sintetiza.

“Tô em pânico. O filme aconteceu, meio do nada. Os produtores me chamaram para o roteiro, depois para a direção e ele foi rodado em novembro. O filme é bem ágil: nenhuma cena dura mais do que três minutos. Tentei fazer algo bem esperto. Não queríamos fazer cópia do que já foi visto. A paródia da comédia é quase impossível”, demarca Vitor Brandt. Um quê de autoria está em Copa de elite, comédia que assume como “total filha” dele. Uma previsão de 350 cópias para o lançamento já foi assinalada.

Obra autônoma
“O filme se propõe a ser popular, e é. Na balança, está tanto o humor do qual acho graça quanto aquele que se espera que o público ache”, explica. Bem risonho, o artista é modesto, na resposta, à queima-roupa, sobre a capacidade de o filme fazê-lo rir, mesmo depois de amplo envolvimento. “Rio, em vários momentos; mas não sou parâmetro: rio, fácil, fácil”. Se ficou pesado em alguns momentos, o filme acatou a observação corrente de Vitor, em termos de audiência. “As pessoas têm exigido mais, se envolvem mais com séries, por exemplo”. Caindo na real, Community e The office estão entre as referências televisivas, enquanto rever coisas mais antigas do cinema — como as fitas de Leslie Nielsen e de Mel Brooks — foi impulso natural, na hora de calibrar uma obra autônoma como Copa de elite.

A ideia inicial era a de fazer, na visão dos produtores, algo na linha de Todo mundo em pânico. “Isso das paródias teve um pico, mas se parou de fazer. Vi que dava pra realizar algo bem legal”. O senso de humor atende à demanda da produção e Brandt não esconde que relutou em fazer. “A ideia é arriscada: podia ficar uma colagem de cenas engraçadas. A cinematografia brasileira é forte, mas temos poucas imagens icônicas e precisávamos de frases e bordões que estivessem na boca do povo”, reforça.

Entrosados com o humor à la Porta dos Fundos, tanto Marcos Veras quanto Júlia Rabello estrelam o filme que tem distribuição da Fox. Com atores que primam pela colocação de cacos e  improvisos, o diretor teve que zelar por certo distanciamento. “Você tem de saber apontar e definir o que serve para o filme, além de aproveitar o que colocam no set. A stand up comedy trouxe pessoas indispensáveis, quando se fala em elenco. Há ganhos, com gente que não veríamos de outra maneira nos cinemas, sem a explosão do gênero”, avalia. Bruno de Luca, interpretando a si (e exaltando “qualidades” no senso do Twitter), comparece em cena, reafirmando a imagem, por vezes, sacaneada nas redes sociais.

“A gente não ridiculariza muito: não dizemos isso do ‘não vai ter Copa!’, nossa defesa é a de que ‘vai ter Copa, sim!’. Lidamos com Bope, com religião — é delicado, mas nunca pisamos muito no calo”

Vitor Brandt, diretor de Copa de elite


R$ 5 milhões
Orçamento do filme Copa de Elite

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