SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

CINEMA »

A superbilheteria do Capitão

Estreia da nova franquia do herói da Marvel bate recorde nos EUA e alimenta a expectativa em torno de Os vingadores 2

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/04/2014 19:00 / atualizado em 10/04/2014 10:54

Ricardo Daehn

A presença de Robert Redford, ícone dos politizados filmes setentistas, acentua o realismo da trama de Capitão América %u2014  Soldado Invernal (Walt Disney/Divulgação) 
A presença de Robert Redford, ícone dos politizados filmes setentistas, acentua o realismo da trama de Capitão América %u2014 Soldado Invernal


No mais do que rentável universo dos filmes de super-heróis, que culminou no US$ 1,5 bilhão arrecadado por Os Vingadores (2012), Capitão América — Soldado Invernal parece estabelecer um novo patamar. Se custou US$ 170 milhões; em menos de cinco dias de exibição no exterior, o dobro do investimento já foi alcançado, no cômputo de US$ 308 milhões. Mais do que isso referenda a trama que une o reanimado soldado Steve Rogers (Chris Evans) e a Viúva Negra de Scarlet Johansson, desde já escalados para o Capitão América 3, a ser conferido em 2016. O diferencial maior — e, um feito e tanto para os mesmos diretores da cômica Community (leia-se os irmãos Joe e Anthony Russo) — é manter, em meio à maré de superpoderes, o pé no chão. Tanto que o filme ganhou o tratamento de thriller político, ao lado de estouros como A soma de todos os medos (2002) e Inimigo do Estado (1998). Em menos de uma semana de exibição, aliás, já é simplesmente o oitavo do ranking, de todos os tempos, em lista que inclui Força Aérea 1 (1997).


US$ 308 milhões
Faturamento de Capitão América — Soldado Invernal cinco dias após a estreia


Em carne e osso, retratado no cinema, Capitão América suscita interesse, por diferentes atrativos. Baixista de uma banda de hardcore, o gaúcho Eduardo da Camino não deixa passar nem detalhes, como os “teminhas bacanas” da trilha sonora do mesmo autor das músicas de X-Men: Primeira classe e Kick-Ass Henry Jackman. Aos 37 anos, não vê nada de peculiar no gosto pelo longa de super-herói. “É um filme de ação de um homem que trabalha para uma agência do governo. Na nova mídia, para os heróis, implantada com mais força há uns 10 anos, a gente renova o carinho de aficionado por essas histórias”, opina. Leitor de quadrinhos desde a adolescência, o músico percebe a riqueza cinematográfica do cruzamento entre linguagens: “Há uma transposição tão boa que, mesmo para quem não é iniciado nos gibis, traz interesse. Aliás, inclusive nem precisa ter assistido ao filme anterior para acompanhar.”

“Tenho excelente expectativa pela estreia. No que vi pelo trailer e pelas sinopses que tenho lido na internet, acho que tem chances de ser tão bom quanto Os Vingadores”, aposta. Enquanto parou de colecionar gibis, “por questão de orçamento e pelo fato de as histórias estarem repetitivas”, Eduardo ressalta a tática empreendedora dos produtores, que se repete no enredo do supersoldado que dá ordens para muitos dos companheiros da Marvel: o elemento “continuidade”. “É uma das razões de todo o sucesso, mesmo nos gibis dos anos de 1960. Os heróis dialogam, cada um em seu gibi, e houve a inteligência de juntar os pontos disso, construindo um verdadeiro universo”, diz.

A reforma de “conceitos chatos de patriotismo”, que vão ralo abaixo na sequência de Capitão América, com um “herói, na marra, oposto ao governo e a favor de idealismos” motiva Eduardo da Camino. A imagem de “pessoa perfeita”, até pela educação — “repassada nas representações em parques temáticos de heróis” — é o que cativa o técnico em eletrotécnica Guilherme Kastner, 28 anos. Ele, que não se considera “um fã ardoroso”, ainda assim sublinha que “de todos os heróis, ele é meu preferido, por ser mais humano”.

 (Arquivo Pessoal) 

"Acho que o novo filme vai ser melhor do que o primeiro, muito resumido. Espero ver mais
ação e adrenalina nesta sequência”
Jefferson Felipe, 21 anos, estudante


Daí é que brota a graça do filme. “A outra produção ficou mais em cima do nascimento: conseguiram retratar bem o fracote que virou super-herói. Na Segunda Guerra, o personagem refletiu o sentimento de americanismo, e, no filme, com hiato de uns 60 anos, ele é separado do mundo, por criogenia. Me interessa isso do contexto atual — de como ele será nos dias de hoje — de como reagirá a uma linguagem moderna”, destaca Kastner, consumidor mais recente das revistas de quadrinhos.
Interesse reavivado
Um tanto decepcionado pela “trama rasa e fraca”, o estudante de ciência política (UnB) Pedro Abelin se mostra propenso a melhor degustar a continuação. “Promete ter espionagem, com abordagem de temas atuais como a guerra ao terror e a vigilância governamental. O que mais me atrai no Capitão América é o fato de ele ser levado a questionar valores para os quais foi treinado a defender, fazendo com que enfrente até o próprio ‘sonho americano’ e se torne um opositor do governo norte-americano.”

Dono de action figures (os conhecidos bonecos de brinquedo) e de camisetas do herói, o engenheiro eletricista Pedro Cordeiro, 26 anos, pretende ser dos primeiros espectadores do novo filme, a fim de fugir dos spoilers disseminados na internet. “É um dos filmes que mais espero no ano, ao lado de Guardiões da galáxia. O filme será o primeiro a ter como base uma história vinda diretamente dos quadrinhos. Espero um filme mais sério, mas com ligeiros momentos de descontração, bem característicos da editora Marvel”, comenta o engenheiro.

Há cerca de seis anos, Pedro foi fisgado pelo personagem, justo depois de ler Ed Brubaker (autor da história Soldado Invernal). “Achava que ele fosse alguém muito nacionalista, mas passei a admirar o Steve Rogers (alter ego do herói). Ed Brubaker é um ótimo escritor, que sabe trabalhar muito bem essa ideia de espionagem, a ambientação noir, e isso me atrai. Brubaker soube trabalhar o Capitão América de uma maneira que você se identifica com o Steve, uma pessoa que tenta fazer a coisa certa”, conclui.
Tags:

publicidade