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Brasilienses lotam o segundo dia da bienal

Cerca de 20 mil pessoas passaram pelas tendas do evento, na Esplanada, ontem. Houve filas para os debates e diversão com outros atrativos, como peças de teatro e música

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postado em 14/04/2014 11:02 / atualizado em 14/04/2014 15:59

Diego Ponce de Leon

Carlos Vieira
Com o domingo ensolarado, a II Bienal Brasil do Livro e da Leitura recebeu uma multidão. Um público de todas as idades e cantos do Distrito Federal lotou os estandes. Houve filas enormes para os debates. E hoje tem mais, a partir das 10h. A vasta programação segue até o dia 21, no gramado da Esplanada dos Ministérios. A produção acredita que 20 mil pessoas, pelo menos, tenham transitado, ontem, por entre as tendas que abrigam o evento. Entre os destaques do domingo, o uruguaio Eduardo Galeano levou uma multidão a um dos auditórios. A mesa, que versava sobre a relação entre futebol e ditadura, foi a mais concorrida da bienal. Muitos ficaram de fora, por não conseguir a senha para um lugar. “Queria ter visto e tentei pegar ingresso, mas já tinha acabado. Ainda assim, fiquei escutando de longe. Sempre uma aula ouvir esse cara (Galeano)”, comentou Pedro de Marra, estudante de jornalismo. Antes de Galeano, Pedro teve a chance de trocar algumas ideias com o “mais interessante autor da atualidade”, Daniel Galera. O escritor gaúcho, famoso por Barba ensopada de sangue, falou sobre literatura e internet, mas não empolgou os presentes. Outros ares Nem só de literatura vive a bienal. Diariamente, atrações do teatro e da música marcam presença no evento. Há quem venha somente por elas. Caso de Mariana Tavares, 9 anos. “No sábado, vim na contação de histórias e pedi para minha mãe trazer de novo hoje. E viemos”, comemorou a estudante, que puxava a mão da mãe para que não se atrasassem para a roda de leitura, que começaria logo mais. Entre as opções de teatro, fez sucesso o espetáculo Crianceiras, de Mato Grosso do Sul, que reuniu poesia, imagem e música, baseado na obra de Manoel de Barros, em uma montagem especial para o público infantil. No primeiro dia, o grupo Nós No Bambu, do DF, abriu os trabalhos cênicos e agradou à plateia, que acompanhou os movimentos de dança e expressão física de duas artistas sobre as varas de bambu. Uma das salas mais visitadas do grandioso espaço abriga a exposição O traço do Pasquim no combate à ditadura, que segue até o fim da bienal. As imagens expostas relembram a militância e irreverência da publicação durante o regime militar que se instaurou no país. O golpe também é tema de uma segunda exposição, O Brasil nos tempos de chumbo, de Orlando Brito. As noites da Bienal mantêm o clima de debate e discussão das mesas que se sucedem no decorrer do dia. Mesmo nos shows musicais, que ocorrem na praça do Museu da República. Da mesma forma que o compositor Carlos Lyra, que apresentou, no sábado, um repertório baseado no ano de 1964, o carioca Ivan Lins sobe ao palco, hoje à noite, para mostrar canções que serviram como resistência ao regime instaurado no país até 1985. “É o final perfeito. Depois de debatermos e escutarmos os escritores, corremos para cá para ouvir as músicas que foram trilha sonora para esse período”, ressaltou a professora Thereza de Melo, 68 anos. O esforço de encarar a longa jornada da bienal, segundo ela, “vale a pena”.

Fique atento Destaques de hoje » 11h - Debate As Múltiplas Faces de Fernando Pessoa, com José Paulo Cavalcanti Filho e Romário Schettino, no Café Literário Jorge Ferreira » 16h30 - Palestra Recordações da Alma dos Vivos: Experiências Literárias do Cárcere, de Luiz Alberto Mendes, no Auditório Nelson Rodrigues » 18h30 - Seminário Brasil, América Latina e África: Novas Realidades, Novos Escritores, com Valeria Luiselli (México), Conceição Lima (São Tomé e Príncipe), Antônio Prata e Paulo Paniago, no Auditório Nelson Rodrigues » 19h - Debate Biografias: Literatura, História e Identidade Cultural, com Ruy Castro, José Paulo Cavalcanti Filho e Toninho Vaz, no Auditório Jorge Amado » 19h30 - Exibição do filme Pra frente Brasil (1982), de Roberto Farias, e debate com o diretor, no Café Literário Jorge Ferreira » 20h30 - Seminário Krisis: Os Conflitos Políticos, as Guerras e a Intolerância Religiosa, com Peter Demant (Holanda), Dag Øystein Endsjø (Noruega), Klester Cavalcanti e Helio Schwarstman, no Auditório Nelson Rodrigues » 21h - Leitura dramática de Murro em ponta de faca, de Augusto Boal, por Chico Simões, na Arena Jovem Cecília Meireles » 22h - Show de Ivan Lins, na praça do Museu Nacional da República

Povo fala Qual a importância dos livros em sua vida?

 (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
“Nunca fui de ler muito. Comecei por influência da esposa. E, hoje, influencio minha filha, que veio comigo para a Bienal” Francisco Carvalho, operador de telemarketing
 (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
“No ensino médio, comecei a ler mais por conta de um professor. Devo a ele esse hábito. A leitura é algo libertador” Nanda Pimenta, estudante de artes cênicas
 (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
“Foi por conta do curso universitário que percebi a importância dos livros. É a melhor forma de adquirir cultura, bagagem e referência” Vitor Martins, estudante de cinema
 (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
“Meus pais pedem para que eu leia mais. Quando leio, imagino que estou dentro do livro. Prefiro as histórias com ação” Pedro Augusto, estudante
 (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
“Melhor encarar o livro do que esses jogos de computadores. Literatura é a melhor maneira de ocupar a mente” Maria Alice, auxiliar de educação
 (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
“Permitem que eu viaja sem sair do lugar. Não há melhor definição para a leitura” Ludimila Queiroz, astróloga

 

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