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Reis dos tabuleiros

Festival Interescolar de Xadrez vai reunir crianças de todo o DF em disputas que vão muito além da conquista de títulos

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postado em 14/04/2014 12:50 / atualizado em 14/04/2014 12:55

Thaís Cieglinski

Raciocínio lógico, concentração, sociabilidade, inteligência emocional. Qualidades admiradas e desejadas por grandes empresas e que podem ser encontradas não em cursos de especialização ou treinamentos, mas em um tabuleiro de xadrez. “É possível desenvolver diversas habilidades cognitivas que servem de base para um processo de aprendizagem mais abrangente”, destaca o professor Wellington Melo, que, há quatro anos começou a dar aulas para crianças. Ao longo desse tempo, viu o interesse da meninada pelos peões, pelas torres e pelos bispos crescer. Em maio, essa empolgação poderá ser vista de perto no Festival Interescolar de Xadrez 2014.

Aluno da Escola Classe 40 de Taguatinga, o pequeno Saymon Silva Santos, 8 anos, vai participar do evento que reunirá estudantes de escolas públicas e particulares emdisputas divididas por idade e sexo. A pouca idade do garoto contrasta com a experiência de veterano. É dele o título de campeão brasiliense na categoria sub 10. Apesar de colecionar troféus, para ele, o xadrez é uma grande brincadeira. “Quero jogar até fica velhinho, com uns 98 anos pelo menos”, garante o menino.

Além do aspecto lúdico e do impacto positivo no desempenho escolar, as disputas no tabuleiro rendem interação social entre os jogadores. Pai de Saymon, o professor Amauri dos Santos, 47 anos, conta que a parceria estende- se para as famílias. “Conheci vários pais de colegas dele e desenvolvemos uma espécie de rede. Hoje, a gente se ajuda, faz rodízio de caronas e viaja junto quando os meninos têm competição fora do DF”, explica. No ano passado, Amauri esteve com o filhoemBetim (MG), onde aconteceu o Campeonato Brasileiro de Xadrez Escolar. Saymon garantiu o segundo lugar na competição.

A mãe de Matheus Consolmagno Fontes, outro talentoso jogador brasiliense, também participou da excursão improvisada dos enxadristas da cidade. O garoto de 10 anos trouxe na mala mais um título, foi o campeão na categoria sub 9. “Apoiamos e incentivamos o Matheus, mas sem forçar nada. Só quero que ele jogue enquanto for uma atividade prazerosa”, afirma a dentista Lígia Consolmagno, 47. Enquanto encara o esporte do filho como um passatempo, ela conta já ter presenciado situações em que pais depositam nas crianças grande expectativa e fazem cobranças exageradas.

Wellington Melo confirma as impressões de Lígia. Dono de uma escola de xadrez e coordenador da modalidade em uma grande escola particular da cidade, ele conta que a família, muitas vezes, cria muitas expectativas. “Nunca tive problema com os alunos, mas, às vezes, os pais contestam resultados e cobram muito dos filhos.” Para o professor, colocar os pequeno sem contato com a frustração é outra função do esporte. “Hoje, muitas crianças não têm o hábito de seremcontrariadas e muito menos de perder. O xadrez ensina isso também”, argumenta.

Campeonatos como o Festival Interescolar de Xadrez possibilitam justamente esse aprendizado: a chance de aprender com os erros para projetar futuras vitórias. Essa é a quarta edição dos jogos, a primeira em que os alunos de escolas públicas terão a oportunidade de participar sem precisarem preocupar- se com o custo da inscrição, do transporte e da alimentação. As despesas serão pagas pelo GDF por meio do projeto Xadrez nas escolas. Implantada no ano passado, a iniciativa tem a missão de levar o esporte às unidades da rede pública. “Essa prática colabora com o desenvolvimento de quatro importantes saberes: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser”, diz Sólon Pereira, coordenador do programa. Hoje, a atividade está presente em 653 colégios do Distrito Federal. Segundo ele, a expectativa é de que pelo menos 600 alunos de escolas públicas participem do torneio.

Problemas reais
Amigo deMatheus e de Saymon, Erick Hideki Raira, 10 anos, é outra promessa do Distrito Federal. Aluno do 6º ano do ensino fundamental e campeão brasiliense da categoria sub-11, o garoto participou do Campeonato Brasileiro de Xadrez Escolar em 2013 e ficou na 17º colocação. Apesar de os três enfrentarem-se frequentemente, conseguem separar as disputas da amizade.

De acordo comWellington Melo, o aprendizado tirado dos tabuleiros estende-se para a vida das crianças. Pensar jogadas e antecipar os movimentos do adversário também é um excelente exercício para os pequenos jogadores, que passam a aplicar essas habilidade na solução de problemas reais. “Já tive casos de alunos que fizeram algo errado e, quando questionados sobre a razão daquela atitude, disseram que aquilo aconteceu porque não pensaram nas consequências. Noxadrez, destacam os sempre que é preciso pensar antes de fazer, ou seja, que a ação terá uma reação”, ilustra Melo.

 

 

 

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