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Feminino, não. Universal

Ana Miranda e Ana Maria Machado falam sobre a literatura escrita por mulheres e as polêmicas classificações de gênero

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postado em 15/04/2014 11:49 / atualizado em 15/04/2014 12:11

Nahima Maciel

 (Editora Ática/Divulgação) 

Não acredito em literatura
feminina, então não faço ideia
em que ela consiste”

Ana Maria Machado, escritora


 (Lucila Wroblewski/Divulgação) 

Chamar assuntos de femininos é um perigo,
muitas vezes isso encobre uma
tentativa de limitar a mulher”

Ana Miranda, escritora

Se a literatura feminina brasileira tivesse um rosto, ele seria o da língua portuguesa, com toda a diversidade de expressões nela contida. A definição é de Ana Miranda, que participa hoje do seminário Literatura no feminino ao lado de Ana Maria Machado. As duas vão conversar sobre a perspectiva feminina na escrita literária e a polêmica classificação de gênero.

Nem sempre essa distinção agrada às autoras, que se sentem rotuladas como se pertencessem a um gênero menor. “É um modo equivocado de ver o assunto, que limita a literatura à condição do autor”, acredita Ana Miranda, cronista do Correio Braziliense.

Ana Maria Machado também é reticente quanto ao tema. “Não acredito em literatura feminina, então não faço ideia em que ela consiste nem que cara possa ter a brasileira”, diz a autora de Infâmia. Para Ana Miranda, o problema de falar em literatura feminina está em supor que mulheres escrevem apenas sobre temáticas relacionadas aos seus universos, o que é um erro. Basta um passeio pelas prateleiras de qualquer livraria para constatar a diversidade temática produzida por autores do sexo masculino e feminino.

“As ‘questões femininas’, por outro lado, podem ser encontradas em livros escritos por homens, e alguns mesmo narram numa primeira pessoa feminina. Chamar assuntos de femininos é um perigo, muitas vezes isso encobre uma tentativa de limitar a mulher a um gueto literário, no qual só é legítimo falar de amor, namorados, maridos, lar, o desafio da dupla jornada, filhos, educação, cozinha, batom, moda, corte e costura... Como nas revistas ‘femininas’”, diz ela.

“Nada contra esses assuntos, todos são dignos de entrar na literatura, um grande autor transforma qualquer minúcia do cotidiano em alta literatura, mas não é possível aceitar-se uma limitação.” Em Boca do inferno, ela mergulha em Salvador do século 17 para narrar um episódio da vida de Augusto dos Anjos. O livro foi considerado “másculo” pela crítica porque tratava de uma sociedade colonial.

África em letras

Outro gênero em pauta hoje na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura é a escrita produzida a partir das histórias deixadas pela diáspora africana. No seminário Narrativas contemporâneas da história do Brasil, Lília Schwarcz, Joel Rufino dos Santos e Marco Aurélio Schaumloeffel participam de um debate sobre o registro da história em livros de ensaio e ficção.

Lília, autora de As barbas do imperador, uma das mais importantes biografias de Dom Pedro II escrita por um autor brasileiro, e Joel Rufino, historiador e referência na pesquisa sobre cultura africana no Brasil, se ancoram em histórias da colonização e da vida cultural brasileira para produzir seus livros. Em Claros sussurros e celestes ventos, Rufino promove um encontro fictício entre Lima Barreto e Cruz e Sousa, ambos negros e autores de obras emblemáticas da literatura brasileira.

Já Marco Aurélio Schaumloeffel, professor de português e estudos culturais na Universidade das Índias Ocidentais, em Barbados, vai falar sobre uma leva de escravos brasileiros originários de Gana que voltaram à terra natal entre 1820 e 1840. “Em Gana, este grupo de descendentes de afro-brasileiros é chamado de ‘Tabom’. A origem do nome Tabom é curiosa: eles receberam esse nome dos grupos étnicos locais, pois no início eles só sabiam falar o português e sempre respondiam com um ‘tá bom’, mesmo para as coisas que não entendiam”, conta Schaumloeffel.


Joel Rufino dos Santos é historiador e um especialista sobre a influência da cultura africana no Brasil (Paola Antony/CB/D.A Press - 9/2/94 ) 
Joel Rufino dos Santos é historiador e um especialista sobre a influência da cultura africana no Brasil


Efeitos da internet
A cultura virtual e seu lugar no mundo contemporâneo são temas do seminário Internet: estética, difusão e mercado, que reúne hoje o filósofo francês Pierre Lévy e os pesquisadores brasileiros André Lemos e Liziane Guazina no Auditório Nelson Rodrigues. Especializado em cultura virtual e professor do Departamento de Comunicação da Universidade de Otawa (Canadá), Lévy é autor de O que é o virtual? e Cibercultura, dois títulos fundamentais no estudo da presença e dos efeitos da internet na sociedade contemporânea.


Aula-show de Suassuna
Homenageado desta segunda bienal, o paraibano Ariano Suassuna faz uma aula-show hoje no auditório do Museu Nacional da República. Tradicionalmente, o autor de O auto da compadecida faz palestra na qual fala sobre o movimento armorial e a necessidade de preservar a cultura popular para proteger a identidade de uma civilização. Suassuna sobe ao palco às 20h e senhas serão distribuídas no local.


Hoje
» Narrativas contemporâneas da história do Brasil — com Lilia Schwarcz, Marco Aurélio Schaumloeffel e Rafael Sanzio. Às 17h, no Auditório Jorge Amado.

» Literatura no feminino — com Ana Miranda e Ana Maria Machado. Às 19h, no Auditório Jorge Amado

» Homenagem Nacional — Com Ariano Suassuna. Às 20h, no Auditório do Museu Nacional da República.

» Shows da resistência — Com Quinteto Violado. Às 22h, na Praça do Museu Nacional da República

Senhas serão distribuídas no local.
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