SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

ARTES VISUAIS »

Brasília em colagens

Mostra do fotógrafo Daniel Ferreira apresenta fotomontagens de corpos nus marcados pelos signos brasilienses

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 15/04/2014 12:07

Luana Brasil - Especial para o Correio

Publicação: 15/04/2014 04:00

Homem em flexão impregnado pelos desenhos dos azulejos de Athos Bulcão 
Homem em flexão impregnado pelos desenhos dos azulejos de Athos Bulcão


Mulher africana com texturas de cipós e fungos em fotomontagem 
Mulher africana com texturas de cipós e fungos em fotomontagem


A partir da cidade concreta, dos moradores, dos forasteiros, da arquitetura, da fauna e da flora, o fotógrafo Daniel Ferreira cria imagens ficcionais, usando recursos da manipulação digital. Ao cortar, colar e sobrepor, ele marca a pele de seus personagens. Brasiliense apaixonado pela cidade,  procura entender a ligação das pessoas com o ambiente em que vivem, por meio da imagem. Ao unir três elementos: tecnologia, humano e paisagem, Daniel consegue criar uma série de ficções fotográficas, no limiar das artes plásticas. O resultado pode ser conferido na mostra Brasília à Flor da Pele que acontece no Espaço Chatô da Fundação Assis Chateaubriand, de hoje a 2 de maio, das 10 às 18hs. A exposição reune 10 obras elaboradas pelo fotógrafo nos últimos dois anos

 Daniel é repórter fotográfico do Correio, circula muito pela cidade, observa as pessoas e sempre imagina que, de alguma maneira, são marcados pela história, pelas circunstâncias e pelos signos de Brasília: “Eu olhava os elementos do cerrado e da cidade e me perguntava: como as pessoas ficariam com a pele marcada por isso? Queria sentir na pele o Cerrado, marcar e descobrir como isso muda a forma de ver Brasília, envolver as pessoas na cidade”, explica.

A  necessidade artística cresceu no profissional, que, embora trabalhe com a dura realidade do hardnews, busca na colagem das artes plásticas um novo modo de se expressar. Ao sobrepor a sinuosidade arquitetônica de Oscar Niemeyer com a sensualidade da tez humana e ao embaralhar a majestade esplendorosa do Ipê-do-Cerrado com a forma do corpo humano, Daniel encontrou novos sentidos para o arquivo de imagens que alimenta há mais de 10 anos. “Notei que tinha muito material e precisava fazer algo”.

Novos ares
A inspiração veio da própria cidade cosmopolita, feita e habitada por variados personagens que instigam Daniel. “Comecei o trabalho com uma menina africana e um garoto indonésio que serviram de modelos. Agregava aos corpos nus de estrangeiros, os padrões e símbolos locais. Logo, um casal de velhinhos viu o resultado e pediu que eu fizesse o mesmo com eles, uma montagem para que pusessem no quarto. Isso foi fantástico, transgressor”, conta o fotógrafo. “Depois, outra pessoa pediu que eu fizesse as colagens com as imagens de três sobrinhos que moram em Brasília, seria uma forma de guardá-los na memória.”

 A expectativa é que a mostra inspire novos ares e paisagens. “Espero fotografar outros povos, outros lugares, outros estados, enfim, quero outras peles marcadas.” A intenção de Daniel é que este trabalho continue e caminhe pelo Brasil revelando novas texturas e peles.

Brasília à Flor da Pele
Daniel Ferreira. Espaço Chatô da Fundação Assis Chateaubriand. Endereço:  SIG, Quadra 2, sede do Correio Braziliense. De 15 de abril a 2 de maio. Das 10hs às 18hs
Tags:

publicidade