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"Se oriente, rapaz"

O chinês Murong Xuecun e o sul-coreano Kim Young-ha são atrações de hoje na bienal

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postado em 16/04/2014 14:00

Nahima Maciel

Kim Young-ha: um resgate ao passado sul-coreano 
Kim Young-ha: um resgate ao passado sul-coreano


Murong Xuecun:a China e suas mutações 
Murong Xuecun:a China e suas mutações


A China é um país peculiar no quesito literatura. Quando Hao Qun começou a escrever, preferiu publicar na internet. Ali, a censura é menos efetiva, e a pirataria, menos eficaz. Sob o pseudônimo de Murong Xuecun, ele escrevia ficção no boletim da empresa na qual trabalhava. As histórias juntavam personagens jovens e situações familiares do cotidiano das metrópoles chinesas. Relacionamentos estavam no topo do assunto predileto de Xuecun.

Da internet, os livros migraram para o papel, e o nome do autor ganhou os leitores. Ele chegou a ter mais de 3,97 milhões de seguidores na Weibo, o Twitter chinês, antes de o governo encerrar a conta. Foi quando teve início um jogo de gato e rato entre o autor e as instâncias oficiais: cada vez que Xuecun reabria a conta, ela era encerrada. E foram sete contas.

O escritor acabou por se tornar um defensor da liberdade na internet em um país no qual até os diretórios acadêmicos são controlados pelo governo. Atualmente, ele escreve no Weibo com o nome de Murong Yicun e já contabiliza 57 mil seguidores. É sobre a tensão de produzir literatura nesse cenário que ele fala hoje, na mesa A literatura que vem do Oriente, na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura. Ele divide a cena com o sul-coreano Kim Young-ha.

Críticas ao sistema
Curiosamente, é apenas na Weibo que a veia política de Xuecun sobressai. Seu primeiro romance, Deixe-me em paz, e todos os outros três romances que publicou são mais focados nos relacionamentos dos personagens do que em ideologias. “Na China, existem vários conteúdos censurados, o mais crítico é a questão do Tibet e de Xinjiang, a seguir estão as críticas à cúpula do poder e depois as críticas ao sistema socialista e aos dirigentes do Partido Comunista. Existem assuntos que são proibidos de circular, como a calamidade da fome, a Revolução Cultural e os Protestos na Praça da Paz Celestial em 1989. Minha obra nunca tratou dessas questões, mas no meu novo livro Os Ladrões não vou mais evitar esses assuntos”, avisa o autor.

Já Kim Young-ha não tem amarras quanto aos temas dos quais pode tratar. Nascido em 1968, é conhecido na Coreia do Sul com um autor muito ligado às temáticas urbanas contemporâneas, mas é com um livro sobre a história da imigração coreana na América Latina que ele chega ao Brasil.

Em Flor negra, Young-ha narra um episódio pouco conhecido na história latino-americana, quando uma leva de 1.033 imigrantes deixou a Coreia para desembarcar no México, em abril de 1905, sob a promessa de um futuro próspero. Em terra, a realidade foi outra. O trabalho escravo esperava os coreanos, além da violência da Revolução Mexicana.

 

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