SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Todo dia é dia do índio

O Super! mostra a visita da tribo Walê Fulni-ô a escolas do Distrito Federal e lista pontos turísticos para visitar e celebrar a data que homenageia os primeiros povos do Brasil

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 20/04/2014 12:53 / atualizado em 22/04/2014 15:39

Ana Paula Lisboa

Lula Lopes

Lula lopes/Esp.CB/D.A Press

O Brasil tem 300 povos indígenas, 230 tribos e 890 mil índios, que falam mais de 270 línguas diferentes. É para homenagear os cidadãos originais da primeira nação brasileira (antes da chegada dos portugueses) que existe o Dia do Índio, comemorado hoje. É uma celebração mais do que merecida e também uma lembrança para o respeito que os guardiões da floresta e da terra merecem. Muitas vezes vistos como seres míticos, diferentes e selvagens, eles são brasucas como você.


A cultura indígena está no dia a dia, em comidas como mandioca, pipoca e tapioca, na rede de descansar, e até em palavras como abacaxi, buriti, caju, canga, canoa, guri, Guará, xará... Até o ‘oi’ é uma saudação tupi! Em quase todo brasileiro, corre sangue indígena. Essa origem e essa cultura é sua também. Por isso, nada mais justo que valorizá-la. Para Tânia Primo, gerente do Memorial do Memorial dos Povos Indígenas, o Dia do Índio, comemorado hoje, tem uma grande importância:
— A data serve para lembrar que os índios existem e que merecem nosso respeito. Os índios são brasileiros natos. Foram eles que, verdadeiramente, descobriram o Brasil. Eles são a nossa origem e contribuem muito para a nossa cultura atual. É preciso acabar com o preconceito.

Aula com os Walê Fulni-ô
Representantes da tribo Walê Fulni-ô, de Águas Belas, de Pernambuco, reservam o mês de abril, há mais de 15 anos, para visitar escolas públicas e particulares do Distrito Federal. Mais de 1,7 mil km distantes da aldeia, onde vivem 6 mil índios, 10 membros da tribo fazem apresentações com canto e dança, conversam com estudantes, tiram dúvidas e expõe e vendem artesanatos. Afinal, não basta ver os índios em livros: para entender as origens do Brasil é preciso conhecê-los pessoalmente. Essa é a proposta do grupo cultural que leva o mesmo nome da tribo. É uma oportunidade para desmitificar preconceitos e para trocar conhecimentos. Para saber mais sobre o grupo, visite www.projetowale.com.

 

Confira galeria de fotos

Foi essa experiência que alunos do Colégio Maximus, em Vicente Pires, vivenciaram esta semana. Depois de uma palestra bem-humorada com o coordenador do projeto e arte-educador Pablo Ravi, 35 anos, sobre os Fulni-ô (ou “povo da beira do rio”, em português), a garotada ficou pronta para conhecer os índios — todos homens, pois as mulheres ficam na tribo cuidando dos filhos. O cacique Walê, 37, conversou com as crianças na língua yatê. É claro que ele faz uma tradução para o português. Depois de um bate-papo, começa a parte mais esperada: os índios tocam chocalho, cantam, dançam e trazem professores e alunos para dentro da roda. Walê, cujo nome significa ‘porco do mato’, conta como é a experiência:
— O encontro com as escolas de Brasília valoriza nossa cultura e, aqui, vendemos artesanato e podemos levar um dinheirinho para a tribo. No início, os alunos ficam até com medo, mas o contato faz com que nos conheçam e gostem de nós. Para o Dia do Índio, eu deixo um apelo: cuidem da natureza.


O índio Henzo Barbosa, 30 anos, passou a gostar de vir ao DF:
— Eles sempre querem saber como é nossa infância. Eu gosto de vir aqui, me acostumei. O Dia do Índio é importante para nos valorizar, mas, para falar a verdade, todo dia é dia do Índio!
Beatriz Felicidade, 8 anos, Arthur Isaque Teixeira e Breno Manuel Caixeta, 7, e Maria Eduarda Ferrari, 6, acompanharam com brilho nos olhos a visita dos Fulni-ô e com ânimo as danças. Beatriz ficou animada com a visita na escola:
— O Dia do Índio é muito especial para celebrar os primeiros moradores do Brasil. Minha bisavó é índia e mora em Rondônia. Então, eu tenho muitos motivos para comemorar essa data.


Breno até que queria falar yatê, mas não deu:
— Eu não entendi nada da língua deles, mas achei muito bonita. Nunca tinha visto um índio de perto e gostei de conhecer a dança deles.

 

Palavra de indiozinho

Lula lopes/Esp.CB/D.A Press

Sheilo Marques Ribeiro, 13 anos
Filho do cacique Walê
Na primeira vez que eu vim a Brasília, eu tinha 8 anos. Foi estranho sair da tribo e fiquei muito cansado porque a viagem é longa. Depois de todos esses anos, me acostumei. Os alunos das escolas sempre fazem muitas perguntas: querem saber como é viver na tribo e essas coisas. Na escola onde estudo agora, que é fora da tribo, também tinham muita curiosidade no começo. Eu preferia meu antigo colégio que ficava dentro da tribo, onde todo mundo se conhece. Na tribo, brincamos de pega-pega no rio, jogamos bola e fazemos artesanato. Acho que minha infância é bem diferente das que têm as crianças daqui.

 

Locais para visitar Você pode não estar no meio da floresta, onde existam tribos para conhecer, mas Brasília tem pontos onde a cultura indígena é preservada. Aproveite!

Memorial dos Povos Indígenas

Paula rafizza/ESP/D.A Press

Paula Rafiza/Esp.CB/D.A Press

Um prédio circular e branco em Pleno Eixo Monumental chama atenção e, logo de cara, dá para perceber que é mais uma das criações de Oscar Niemeyer. Vale a pena entrar e circular pelo espaço, que é muito mais interessante por dentro. O Memorial dos Povos Indígenas foi fundado em 1987 para mostrar a diversidade e a riqueza da cultura indígena. Cerca de 1,2 mil pessoas passam por ali mensalmente. O Dia do Índio é momento oportuno para visitar.

Há dois anos, o local recebe a exposição Mundo em Movimento: Saberes Tradicionais e Novas Tecnologias que, por meio de fotos, vídeos, músicas, vestimentas, vasos e outros objetos de artesanato, do passado e do presente, representam 55 etnias. Para aproveitar a chegada do Dia do Índio, cerca de 150 alunos da Escola Classe 1 do Paranoá vieram ao Eixo Monumental visitar o Memorial dos Povos Indígenas nesta semana. Foi a chance de ter uma aula fora da sala.

Pedro Henrique Félix, Eduarda Sousa, Nicoly Fontenele, Hellen Azevedo, 10 anos, Pedro Henrique Carvalho de Araújo, 11, e Samuel Silva, 9, aprovaram o passeio e saíram prontos para responder qualquer prova da escola sobre a história dos índios. Samuel sabe que carrega no sangue a riqueza do povo indígena:
— Aprendi que os índios têm muito respeito pelos animais e que nunca caçavam mais do que precisavam. Foi muito legal vir aqui, ainda mais que sou descendente de índio.

Hellen se identificou muito com o que viu na exposição:
— Os índios são os primeiros brasileiros, e a cultura deles é muito bonita, por isso, o Dia do Índio é importante. Eu gostaria de ser índia porque eles vivem em harmonia com a natureza.
O Memorial dos Povos Indígenas fica no Eixo Monumental, na Praça do Buriti, em frente ao Memorial JK. Funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 17h; e sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h. A exposição Mundo em Movimento: Saberes Tradicionais e Novas Tecnologias fica no local até julho, quando o Memorial será fechado para reforma. Mais informações pelo telefone 3344-1154.

Funai
A Fundação Nacional do Índio (Funai) lançou a campanha Abril Indígena para combater o preconceito e a discriminação contra indígenas. Uma exposição de artesanato indígena e fotografias das etnias Karajá, Kaiapó, Zoé e Xavante continua no prédio da Funai (SBS Quadra 2, Lote 14, Edifício Cleto Meireles) até 30/4. Visitas podem ser feitas, das 9h às 18h, de segunda a sexta, exceto feriados.

Praça do Compromisso
Localizada entre as Quadras 703 e 704 Sul, conta com uma escultura que retrata uma pessoa em chamas e uma que representa uma pomba, o símbolo da paz. É uma homenagem a Galdino Jesus dos Santos, índio da etnia pataxó-hã-hã-hãe, que, no Dia do Índio de 1997, veio a Brasília para as comemorações. Na madrugada do dia seguinte, acabou dormindo numa parada de ônibus na 704 Sul e, aos 44 anos, foi queimado vivo por cinco jovens. Foi um evento muito triste, mas que não deve ser esquecido.

Tags:

publicidade