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Uma festa interativa

Com participação do público em votação on-line, Festival Taguatinga de Cinema traz curtas que repercutiram na internet

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postado em 23/04/2014 17:00

Visão social: a produção brasiliense Meu nome é Fábio conta a história de um jovem que morava dentro de um contêiner em Taguatinga 
Visão social: a produção brasiliense Meu nome é Fábio conta a história de um jovem que morava dentro de um contêiner em Taguatinga



Na contra-corrente dos filmes comerciais, cineastas independentes buscam nos festivais e na internet meios de contar histórias, denunciar agressões e se expressar por meio da câmera. Essa nova linguagem é a proposta da 11ª edição do Festival Taguatinga de Cinema, com a exibição, a partir de hoje, às 20h, de 56 curtas-metragens. Desses, 29 participam da mostra competitiva, construída sob o tema cultura da paz.

Do total de concorrentes, 10 foram selecionados pelos internautas, que, desde março, votaram nos preferidos pela página oficial do evento. Os cineastas participantes do festival concordam que a rede mundial pode ser uma aliada. “A internet virou um grande veículo, porque se torna também um suporte para a formação de novos profissionais de cinema e para a divulgação dos trabalhos”, destaca Weivson Andrade, diretor de O herói noir, que trata de corrupção e aborda o ato de fazer justiça com as próprias mãos.

Bruna Monteiro, diretora de Somos todos, que retrata a violenta desocupação dos moradores da Comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, acredita que a web estimula as pessoas a irem ao cinema. “Um veículo não exclui o outro, porque a internet ajuda na divulgação, e aí muitas pessoas assistem ao filme on-line e sentem vontade de ver também na sala de cinema, que é uma experiência diferente”, observa a realizadora.

Já Ivaldo Cavalcante, responsável por Meu nome é Fábio, que traz a história de um garoto que mora dentro de um contêiner em Taguatinga, enxerga nos curtas um potencial para ocupar as redes sociais. “Eles acompanham essa dinâmica de comunicação acelerada. E isso me deixa muito feliz, porque trabalhos de denúncia conseguem dar voz e cara a quem é invisível”, pontua.

Apesar das possibilidades de visualização em larga escala, muitos cineastas ainda enfrentam as famosas panelinhas. “Elas sempre existirão, mas é possível driblá-las com os financiamentos coletivos e as plataformas on-line”, observa Evandro Ramadon, diretor de Obrigada por me deixar assim, que aborda os conflitos vividos por uma cineasta. Weivson Andrade é pontual: “Festivais como o de Taguatinga quebram esses circuitos quando colocam centenas de filmes para voto popular. Muitas produções ganham prêmios por ter pessoas influentes, por isso essa brecha é um sinal de mudança”, acredita.

Na edição de 2014, o vencedor da votação prévia do público para a mostra competitiva, feita pelo site do festival em março, foi o carioca Obrigada por me deixar assim, de Evandro Ramadon, com 1.082 votos. Entre os concorrentes do Distrito Federal, dois filmes foram selecionados pelos usuários: O pé de bico, de Tiago Cruvinel, com 931 votos, e O heroi noir, de Weivson Andrade, com 596 votos.

A votação totalizou 21 mil votos e 55 mil acessos ao site nos 40 dias em que ficou no ar. “Um dos motivos principais para a adoção do sistema on-line foi a inclusão da dinâmica da internet e a atualização do festival, envolvendo o internauta no processo de seleção dos filmes. Além disso, os realizadores que se inscreveram fizeram campanha pelos filmes promovendo uma divulgação do evento nacionalmente”, aponta Henrique Rocha, produtorexecutivo da mostra.

“Existe um público interessado na arte cinematográfica, que busca cinema autoral, e os estamos descobrindo. Inclusive, foram essas pessoas que ajudaram na votação do nosso curta”, observa Evandro Ramadon.

Bastidores
Desde o ano passado, quando completou 10 anos, o Festival Taguatinga de Cinema promoveu uma atualização na forma de selecionar filmes. Para fechar a lista de escolhidos desta edição, estabeleceram-se duas etapas. Primeiro, os filmes de pequena duração inscritos foram disponibilizados em uma plataforma de votação via internet, na qual 10 foram selecionados pelo voto popular. Em seguida, uma curadoria oficial, composta pelos cineastas brasilienses André Carvalheira e Adriana Gomes, elegeu 19 outras obras.

Aguardado por cineastas de todo o Brasil, o festival contou com 400 filmes inscritos, sendo alguns inéditos. “Esse festival não segue formatos estéticos, políticos ou comerciais, por isso é plural. Temos filmes poéticos, ativistas e de várias outras abordagens. Isso faz o festival ter uma identidade particular, da cultura taguatinguense, que também é única no Distrito Federal”, observa William Alves, diretor-geral do evento.

11º Festival Taguatinga de Cinema
De 23 a 26 de abril, mostra competitiva de curtas-metragens nacionais no Teatro da Praça (Praça do Relógio de Taguatinga, QNB 01 – AE 01 Setor Central). Confira dias e horários de exibição dos filmes em www.festivaltaguatinga.com.br. Entrada franca.



Público infantil
Os pequenos também terão vez no evento. Amanhã e sexta-feira, às 8h30, será exibido Tainá 2 – A aventura continua, de Mauro Lima. Ao final, haverá um bate-papo sobre cinema e ecologia com a protagonista do filme, Eunice Baía.


400 mil
Total de filmes inscritos na edição 2014 do Festival Taguatinga de Cinema

 

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