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Todas as glórias do teatro

O diretor Hugo Rodas recebe, hoje, o título de professor emérito da Universidade de Brasília, a mais distinta honraria da academia

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postado em 25/04/2014 14:00

Diego Ponce de Leon

 
"Nossa Senhora! Ainda é difícil acreditar. Entre tantos anseios que tive, nunca cheguei a sonhar tão alto. Estou orgulhoso" Hugo Rodas, professor de artes cênicas e laureado com o título de professor emérito da UnB

Somente aos 14 anos, pelos idos de 1953, o adolescente Hugo Renato Rodas Giusto pôde chamar o local de nascimento de cidade. Até então, a pequena Juan Lacaze, no extremo sul do Uruguai, era apenas uma vila e não continha mais que 8 mil habitantes. O último censo, de 2011, registrou 12.816 moradores. Hugo Rodas não estava mais entre eles.

Desde 1975, o ator, diretor, coreógrafo e bailarino uruguaio elegeu Brasília como residência fixa e palco principal de uma carreira artística de cinco décadas. Radicou-se, mudou a cena cultural da capital, exportou talentos para o resto do país, reformulou o Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília e, aos 74 anos, aparece como principal nome do teatro brasiliense.

Uma retribuição à altura está marcada para hoje, às 10h, quando Hugo recebe o título de professor emérito da UnB, a maior honraria do meio acadêmico. O diretor será o primeiro professor de artes cênicas, na história da entidade, a receber tal distinção.

Hugo Rodas (C) em ensaio na UnB, em 1987, quando entrou na universidade como professor visitante  (Mila Petrillo/CB/D.A Press - 22/9/87) 
Hugo Rodas (C) em ensaio na UnB, em 1987, quando entrou na universidade como professor visitante

Tucan
“Nossa Senhora!”, exclama Hugo, cada vez que o prêmio é mencionado. “Ainda é difícil acreditar. Entre tantos anseios que tive, nunca cheguei a sonhar tão alto. Estou orgulhoso”, comentou, em entrevista ao Correio. Entre os trabalhos realizados, ele destaca algumas montagens, como O olho da fechadura, Shakespeare in concert e Adubo — Ou a sutil arte de escoar pelo ralo, considerada um clássico moderno da cidade. Além das exitosas colaborações ao lado de cânones do teatro nacional, como Zé Celso Martinez.

A principal contribuição, no entanto, foi a criação e manutenção do Teatro Universitário Candango (Tucan), que se manteve ativo por 15 anos. A iniciativa, que gerou uma série de premiados espetáculos, foi elemento fundamental na inserção da universidade no panorama cultural do Distrito Federal. “O Tucan teve o apoio de vários amigos. Devo tudo àqueles que vieram antes de mim. Espero que seja o primeiro de muitos outros. Há, no departamento, tantos outros merecedores”, disse.

A história com a UnB se inicia em 1987, quando Hugo foi convocado para ministrar algumas aulas como professor convidado. Três anos depois, finalmente assume a vaga em definitivo, sob certas circunstâncias que ainda o emocionam: “A UnB me ofereceu o título de notório saber, para que, assim, eu pudesse ter a devida chancela para adentrar o quadro. Foi quando tudo começou”.

Elogios
O colega de ofício e de departamento, Marcus Mota, fez questão de salientar as qualificações de Hugo que transcendem os palcos: “Ele não é somente um realizador, mas, igualmente, um pensador que muito nos inspira”, elogiou. Para exemplificar o alcance da obra do uruguaio, Mota lembrou que “há teses de doutorado debruçados sobre os trabalhos de Hugo Rodas”.

Quanto aos apanágios cênicos, o também diretor parece não ter dúvidas. “Ele será sempre lembrado por promover a integração entre várias artes. Em um único trabalho, unia imagem, expressão física, musicalidade. A vitalidade dele sempre residiu nesse junção”, listou Mota.

Opinião similar à da renomada atriz e coreógrafa Denise Stoklos que, inclusive, foi consultada durante a proposta de concessão do título de professor emérito. No parecer oficial, Denise chama a atenção para o “enorme comprometimento (de Hugo Rodas) com o desenvolvimento da consciência do ser humano através da expansão de sua responsabilidade pelo ato criativo”.

A trajetória do homenageado é velha conhecida até mesmo do reitor da UnB, Ivan Camargo. “Na época de estudante, eu conheci a figura do Hugo, que já era um agitador cultural de Brasília”, recordou o entusiasmado Ivan, que terá a chance de condecorar o veterano artista. “Quando a faculdade se propõe a algo dessa magnitude, está atestando um exemplo a ser seguido. Uma referência”, sentenciou o reitor, que definiu Hugo como sendo “um grande cientista, artista e poeta”.

Colaborou Guilherme Pêra

Honrarias

» Professor emérito da UnB (2014)
» Cidadão honorário de Brasília (2000)
» Oficial da Ordem do Mérito de Brasília (1993)
» Comendador da Ordem do Mérito Cultural do DF (1991)
» Título de notório saber, pela UnB (1990)
» Prêmio Shell de melhor direção, por A doroteia (1977)

O que dizem os alunos

Priscilla Poyares, 20 anos

“Esta é a primeira vez que trabalho com ele. O Hugo tem um jeito muito original de dar aula, a música sempre está presente. Merece a homenagem mais que ninguém.”

Yuri Rocha, 19 anos

“A aula é muito boa, minha primeira com o Hugo. É puxado, ele é tido como uma pessoa difícil, mas é bem profissional, puxa o melhor de cada aluno. Indicação aprovadíssima.”

Zé Reis, 21 anos

“Já acompanhava o trabalho dele. Os alunos têm aproveitado muito. O Hugo trabalha o ritmo do corpo, a experiência tem sido muito rica para mim, que já tenho certa trajetória na dança. Excelente professor.”

Tainá Baldez, 21 anos

“O Hugo é uma figura. Vive e respira teatro,
é um personagem. Inspiro-me no trabalho dele, admiro muito. Ele é muito intenso, incisivo com os autores. A honraria vem bem a calhar.”

Arthur Romão, 19 anos

“Conheço o trabalho do Hugo há mais tempo. Segue uma vertente interessante, revolucionário aqui em Brasília. Ele ensina o aluno a pensar na presença, estar por inteiro no palco.”

Luísa Caetano, 23 anos

“Já tinha visto algumas peças dele, excelente diretor. Quando soube que ele ia dar essa aula, corri para fazer matrícula. Ele usa o corpo mais que a cabeça — o ritmo vem nisso”
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