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A (re)descoberta da cidade

O novo guia de Brasília surge em meio a uma onda de valorização da capital, mas traz olhar crítico sobre a metrópole planejada

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postado em 28/04/2014 16:00

Juliana Figueiredo

Uma paisagem encantadora: o céu de Brasília, as superquadras, os prédios públicos e outros cartões-postais da capital são as principais fontes de inspiração da estudante de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB) (Gabriela Bilá/Divulgação) 
Uma paisagem encantadora: o céu de Brasília, as superquadras, os prédios públicos e outros cartões-postais da capital são as principais fontes de inspiração da estudante de arquitetura da Universidade de Brasília (UnB)


 (Gabriela Bilá/Divulgação) 


 


 (Gabriela Bilá/Divulgação) 


Gabriela Bilá é a autora do guia  (Reprodução/Facebook) 
Gabriela Bilá é a autora do guia

“Um guia feito por alguém que quer compartilhar um pouco da cidade em que nasceu e cresceu como se estivesse a apresentando aos próprios amigos.” Esse é o propósito da estudante de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Gabriela Bílá, ao escrever O novo guia de Brasília. O projeto, feito para a faculdade no final de 2013, busca verbas para a publicação no site de financiamento coletivo Catarse.

É impossível folhear o único exemplar impresso da obra e não sentir que algo especial foi criado ali. O novo guia de Brasília não é um livro qualquer. Ao contrário das obras do gêneros, geralmente muito comerciais ou institucionais, esse trabalho mostra a capital pelo olhar de alguém que, com 24 anos, ainda vive o frescor de descobrir o dia a dia da cidade e deseja compartilhar as novidades com os outros.

Gabriela foi a responsável por toda a criação de conteúdo — textos, fotos e ilustrações — e pela diagramação do projeto. A autora recebeu dicas de outros apaixonados pela cidade e usou algumas fotos de arquivo público para contar a história da capital. As cerca de 200 páginas foram concebidas em quatro meses, enquanto a estudante se dedicava a outras disciplinas do curso. “Tive que virar noites na reta final, mas acreditava e gostava tanto do que estava fazendo, que nem senti”, lembra.

Para explicar o Avião
A vontade de fazer o guia surgiu durante o período em que Gabriela morava na Europa (2011-2013) e precisava explicar Brasília aos inquietos arquitetos estrangeiros. A principal dúvida consistia, acredite se quiser, em saber se a cidade era realmente habitada. “Todos tinham muita curiosidade, e eu sentia muito prazer em falar da capital. Eu via como a Europa estava superpreparada na questão do turismo, e comecei a refletir sobre os turistas que vêm para cá, e como é difícil para eles descobrirem a cidade”, conta.

O objetivo de Gabriela não era falar de Brasília só para os visitantes, mas, também, para os próprios habitantes daqui. “Acho que os principais interessados no guia serão os brasilienses. Vivemos um momento de valorização da cidade pelos moradores. A geração que nasceu aqui está descobrindo possibilidades além do serviço público e sentindo vontade de ocupar a cidade. Voltei para cá no meio do ano passado e percebi que tinha algo no ar”, reflete.

Em seis capítulos, O novo guia de Brasília viaja pelas quadras, tesourinhas e passagens subterrâneas da capital, apresenta as famosas obras arquitetônicas, conta como é viver sobre os pilotis, e visita lugares e festas imperdíveis, com direito a paradas nos melhores bares e lanches da cidade. Ainda há espaço para momentos dedicados a apreciação da natureza: o Lago, o céu, os parques e as frutas.


Como colaborar
Para apoiar O novo guia de Brasília basta entrar no site do Catarse e colaborar com qualquer quantia até o dia 5 de junho. Conforme o valor, o doador receberá as seguintes recompensas: uma edição do livro (editado em português e inglês), o mapa das frutas urbanas dobrável em tamanho A3, o cartaz do projeto, ímãs de cobogós, e até a marca de “patrocinador” nas páginas.


 


Ocupação
De dia, Funarte, Espaço Cultural Renato Russo e Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). À noite, Bar do Calaf e Balaio Café. Ou seria o contrário? O novo guia de Brasília mostra que não há regras para ocupar a cidade. Até os espaços públicos se tornam propícios para festas. “No guia, eu dei preferência para os lugares de graça e que tem movimentado a cena de Brasília”, diz.

Os programas culturais são variados, assim como as comidas de rua, que vão de pamonha, dog, acarajé, a tradicionais churrasquinhos. Para curtir a noite, basta consultar o mapa com os bares, e se divertir com as descrições dos ilustres vendedores ambulantes que o turista com certeza encontrará durante a estadia na cidade. Entre os mais marcantes, estão o Homem dos Incensos e a Cigana da Sorte.

 

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