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Na estrada outra vez

Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo, leva o restante do acervo do pai, guardado em Brasília, para o Rio de Janeiro. Ele pretende montar uma exposição e rodar o país com os objetos do líder da Legião em 2016

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postado em 01/05/2014 14:04 / atualizado em 01/05/2014 14:17

Diego Ponce de Leon

Acervo renato Russo/Ricardo Juqueira
“Escutei o Júnior tocando no Japão. Ou seja, ele já saiu de casa há muito tempo. Pertence ao mundo. Mas, como mãe, claro que doeu um pouco. Como se levassem um pedaço do meu filho”, comentou Dona Carminha, ao falar sobre a ida do acervo de Renato Russo para o Rio de Janeiro. Há algumas semanas, Giuliano Manfredini, filho de Renato, alugou um pequeno avião e saiu da capital federal com o restante dos objetos pessoais do pai, que ainda ocupavam a casa da avó.

Apesar do tom de despedida, a matriarca da família Manfredini apoia o gesto do neto, que pretende montar uma exposição itinerante com parte do acervo e rodar o país em 2016. “Ele (Giuliano) está no caminho certo. Meu sentimento foi coisa de mãe. Mas entendo a vontade dele. É um carinho com os fãs. Há muito tempo, aprendi a dividir o Renato com os demais”, disse.

Em entrevista ao Correio, Giuliano confirmou a exposição: “O primeiro passo foi reunir todo o material em um só lugar, no caso no apartamento do meu pai no Rio de Janeiro. A partir daí, começaremos o trabalho de tratamento profissional, que inclui catalogação, recuperação, higienização e digitalização”, revelou. Ele aproveitou para sanar algumas dúvidas, como a expectativa de que um museu dedicado a Renato Russo seria aberto na capital carioca: “Não confere”, garantiu.

Em tom poético, Giuliano disse haver somente um local em homenagem ao pai: “Brasília é a única cidade que realmente tem um museu do meu pai a céu aberto”. A transferência do acervo não findou a ligação de Giuliano com os brasilienses, pelo contrário. “A minha relação com Brasília é, e sempre será, de muito carinho, principalmente por ter minha família e grandes amigos aí. Além disso, mantenho um escritório da Legião Urbana Produções Artísticas na capital, com estrutura de atendimento de comunicação e parte do administrativo”, listou.

Quanto às recentes controvérsias envolvendo o site da banda e os ex-integrantes, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, o filho de Renato fez questão de esclarecer o episódio e garantiu que o mal-entendido já foi desfeito. “Quando a EMI (gravadora da Legião Urbana) foi adquirida pela Universal, eles decidiram não mais manter o site e me devolveram o domínio sem o conteúdo. Como eu já estava com o site www.renatorusso.com.br bem adiantado, para homenageá-lo no aniversário de 54 anos, a solução encontrada foi integrá-los. Isso já foi esclarecido e estamos trabalhando no relançamento do www.legiaourbana.com.br”, antecipou. A data para a nova página ir ao ar, inclusive, está marcada: 3 de junho.

No que diz respeito a Dado e Bonfá, Giuliano voltou a dizer que a ligação entre eles “é formal, profissional”. Mas destacou: “É uma relação também de respeito e até admiração”.
Ed Alves/CB/D.A Pres
Arquivo Pessoal
Arquivo Pessoal

Legado

Carmem Teresa, irmã de Renato, mostrou-se satisfeita com a condução do sobrinho, que, atualmente, responde por tudo que diga respeito a Renato Russo. “Fiquei feliz em saber do processo de recuperação do acervo. Lá no Rio, por mais cuidado que temos, as coisas estão fechadas. Precisam de uma atenção especial, que agora terão”, salientou.

Para auxiliar o sobrinho na empreitada, Carmem fez questão de participar do processo: “Fui eu quem separei as coisas dele, para facilitar na organização”. Antes de Giuliano, era ela quem cuidava dos artigos de Renato. Em 2004, Carmem montou uma primeira exposição com os objetos do cantor, compositor e poeta. Tentou levar para outros lugares, como o Rio, mas não conseguiu. “Fizemos no CCBB, aqui em Brasília. Mas o CCBB do Rio recusou a mostra. Disse que não era o perfil deles”, lamentou. Nada que não possa ser compensado. A exposição imaginada por Giuliano está prevista para “cobrir todo o país e visitar do Nordeste ao Sul”.

Professor de artes cênicas da UnB, Fernando Villar certamente fará uma visita ao projeto quando passar por Brasília, mas matar as saudades será difícil, principalmente para ele, que conviveu anos ao lado do amigo Renato. “Queria mesmo era vê-lo dançando, como ele fazia nas festinhas. O que mais sinto falta constitui um patrimônio imaterial, que nunca poderei rever”.

Enquanto conversava com o Correio, Villar encontrou um bilhete de 1981, escrito por Renato e o leu, emocionado. Renato menciona alguns locais que frequentavam juntos, como o bar Adrenalina (na Asa Norte e que hoje não existe mais), e faz brincadeiras com amigo. “Bom, deixa eu voltar para a realidade. Isso já passou. Vou ali na UnB escanear isso, para nunca perder”, disse Villar, antes de desligar o telefone. De alguma forma, o gesto ajuda a manter o legado de Renato Russo, cujo acervo, como se vê, deve e será preservado.

Projetos em andamento
» Exposição itinerante com objetos pessoais, canções, poemas, livros, entre outras coisas, de Renato Russo
» Nova imagem holográfica do líder da Legião Urbana
» Lançamento do site oficial da banda, em 3 de junho

400 kg

Peso do material inédito de Renato Russo, levantado por Giuliano
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