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20 ANOS NA SÉRIE B DA F-1

Morte de um dos maiores ídolos do esporte brasileiro em todos os tempos assolou o país em 1994, é lamentada até hoje e empurrou o Brasil para o ostracismo na principal categoria do automobilismo

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postado em 01/05/2014 16:30

Felipe Seffrin

Universal pictures/Divulgação
 

São Paulo
Duas décadas já se passaram desde que um acidente aparentemente sem grandes consequências tirou a vida do brasileiro tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva. A tragédia na Tamburello, no GP de San Marino, em Ímola (Itália), às 14h17 do dia 1º de maio de 1994, deixou marcas que não parecem cicatrizadas mesmo depois de tanto tempo. Ídolo máximo do esporte nacional, Senna deixou as pistas para se transformar em mito. Hoje, num mesmo 1º de maio, os 20 anos sem o piloto serão lembrados não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

No autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, onde o brasileiro acelerou em suas derradeiras voltas, uma série de eventos homenageará aquele que foi um dos maiores pilotos de todos os tempos. Uma missa será realizada no pitlane do circuito com a presença de diversos pilotos e ex-pilotos, como os ferraristas Fernando Alonso e Kimi Raikkonen, além de Bruno Senna, sobrinho de Ayrton. Um busto do brasileiro será desvelado no local, que terá ainda a exposição de carros e objetos pessoais do piloto. Mais de 200 jornalistas de 20 países vão cobrir as cerimônias.

Ícone no resto do planeta, Ayrton, no Brasil, era protagonista sem sombras. Além de talentoso, encarnava a personificação do brasileiro que deu certo no mundo. No esporte individual, sua morte deixou lacunas que foram opacamente preenchidas, vez ou outra, por Gustavo Kuerten no tênis, Cesar Cielo, na natação, e mais recenetemente Anderson Silva, no MMA. Nas pistas, o buraco se mostrou mais profundo. A morte do tricampeão jogou o Brasil na Segundona da Fórmula 1. Foram seis anos até uma nova vitória na categoria e já são mais de duas décadas sem qualquer título. O país que, entre 1972 e 1991, venceu oito campeonatos não ganhou mais nenhum nesses mesmos 20 anos.

Nessa leva, a torcida brasileira de automobilismo teve em Rubens Barrichello e Felipe Massa casos distantes de amor — sem qualquer grau de comparação, evidentemente —, ao mesmo tempo em que ignorou sem dó jovens até talentosos, como Antônio Pizzonia e Lucas di Grassi (leia quadro abaixo).

Em uma época em que a Seleção Brasileira de futebol era reconhecida pela “Era Dunga” — entre 1970 e 1994, o Brasil ficou sem ganhar qualquer copa —, Ayrton Senna era o orgulho verde e amarelo, uma espécie de herói nacional de um país ainda em reconstrução após 21 anos de ditadura.

Nas pistas, Ayrton Senna talvez tenha ganhado menos corridas e menos títulos do que o talento permitiria. Na Fórmula 1, carro é 90%, e Ayrton nem sempre teve o melhor equipamento. Na primeira temporada, em 1984, na Toleman, acelerou mais do que a escuderia possibilitava. E ganhou um contrato na Lotus. Mas a Lotus, por onde andou de 1985 a 1987, estava longe de ser boa. Traduzinho para o século 21, Senna não deu a sorte de pegar uma “Red Bull” em seus primeiros anos como piloto.

Esse presente, o brasileiro só recebeu em seu quinto ano na categoria, quando assinou com a McLaren. Ao menos guiou o melhor carro da história da Fórmula 1, o MP-4/4, de 1988. Não à toa, sagrou-se campeão do mundo. Em 1990 e 1991, cravou bi e tri. À época, tornou-se o tricampeão mais jovem da história, com 31 anos. Outros tempos.

Em 1992 e 1993, a Williams tinha o melhor carro da Fórmula 1. Com uma McLaren já capenga, Senna fez o possível, mas não conseguiu impedir as vitórias da escuderia dos rivais. O brasileiro ficou em 4º em 1992 e foi vice em 1993, atrás do arquirrival Prost.

Em 1994, forçou a barra para correr pela Williams. O melhor piloto do mundo voltava a ter, enfim, o melhor carro do mundo. Até foi pole position nas três primeiras corridas do ano, inclusive naquela que pôs fim à carreira e à vida. Senna morreu aos 34 anos de idade, lá se vão exatas duas décadas.

Senna na F-1

161

corridas

41
vitórias

65
pole-positions

5
vitórias no GP de Mônaco

8
poles consecutivas entre 1988 e 1989

6
títulos de campeão da pole-position

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