SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

No topo da rampa

Depois de quase desistir da profissionalização, skatista brasiliense engrena bons resultados nos Estados Unidos e já é um dos brasileiros de street mais bem-sucedidos no cenário internacional. Ajuda do pai foi fundamental na carreira

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 01/05/2014 17:00 / atualizado em 01/05/2014 14:28

Marcelo Maragni/Red Bull Content
A frustração por não ter recebido o prêmio prometido em um campeonato de skate em 2007 deixou o brasiliense Felipe Gustavo desiludido com o esporte e quase acabou com sua carreira. A confiança do pai, porém, não deixou isso ocorrer e, hoje, ele é um dos brasileiros mais bem-sucedidos no circuito internacional da modalidade. “A premiação era uma passagem e uma inscrição para competir em Tampa, nos Estados Unidos. Eles nunca cumpriram o acordo e meu pai, depois de ver minha tristeza, vendeu o carro para realizar meu sonho”, lembra o skatista, criado no Guará, mas que agora ganha o mundo com suas manobras.

À época, o jovem de 16 anos já era um dos principais skatistas amadores do Brasil e, com vários títulos nacionais, queria uma chance de competir nos Estados Unidos. “Sempre quis viver do esporte e sabia que só aqui conseguiria isso”, afirma Felipe Gustavo, morador de Costa Mesa, na Califórnia. A aposta do pai deu certo e Buxexa, como é mais conhecido no meio, não precisou voltar para casa. Ele ganhou aquele campeonato na cidade de Tampa (EUA) e recebeu propostas para ficar.
Mesmo com participações em provas profissionais ao redor do mundo e bons resultados, foi só no fim do ano passado que Buxexa entrou oficialmente para o circuito profissional, quando fechou contrato com a equipe Plan B. Agora, ele tem um shape personalizado, com seu nome estampado, e estrela as campanhas da marca. “O ano de 2013 foi muito bom para mim. Além de subir na Plan B (antes, ele era contratado como amador), ganhei o Run & Gun, que me fez aparecer mais na mídia. Hoje, estou exatamente onde queria estar: ganhando minha vida com o skate”, comemora.

Atualmente, Felipe Gustavo está envolvido em mais uma produção audiovisual com a equipe, que deve ser lançada ainda neste mês. Sua profissão o levou a conhecer o mundo, mas em momento nenhum ele se esquece da família. “Meu pai é meu herói. Se não fosse pelo apoio dele, da minha família, não estaria aqui. Tudo que eu ganhar, quero dar para eles”, ressalta.

Saudade
Com mais de seis anos morando fora, longe dos pais e amigos, é inevitável sentir saudade de casa. As ruas do Guará I, onde foi criado e aprendeu a andar de skate, são lembrança recorrente. “Foi ali, na QE 1, que ganhei meu primeiro skate, há mais de 15 anos. No início, não tinha coragem de andar em pé e apostava corrida de skate sentado, pegando impulso com as mãos”, recorda.

Depois que aprendeu a ficar de pé na prancha, ninguém mais o seguou. “Era o dia todo com ele no pé. Meu pai chegou a construir uma rampa para mim no fundo de casa.” O Setor Bancário Sul, claro, não podia fugir às lembranças de Buxexa. “É lá que todo mundo pratica. Eu ia sempre. Aquela banca ali perto salvava, porque ficávamos lá o dia todo. Aí, comprávamos um refrigerante, um salgado, e voltávamos para as manobras. Foi ali que aprendi tudo que sei”, acrescenta.

Grana boa
O Run & Gun é uma competição decidida pelo público e que dá ao vencedor um prêmio de US$ 25 mil. Os skatistas têm 24 horas para percorrer um circuito montado e gravar um vídeo de 60 segundos, mostrando suas manobras.
Depois, os internautas elegem os melhores. Felipe Gustavo ficou com a bolada.
Tags:

publicidade