A última e mais especial flor do Lácio

O Dia da Língua Portuguesa é comemorado na próxima segunda-feira, e o Super! reúne uma galera para prestar homenagem ao nosso idioma

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postado em 05/05/2014 12:43 / atualizado em 05/05/2014 13:17

Ana Paula Lisboa

Breno Fortes

Uma senhora ilustre, filha do latim, irmã do galego, do espanhol, do italiano e do francês. Surgiu de muitos cruzamentos lá pelo século 5 e começou a ser usada pela primeira vez em documentos escritos no século 9. Tem berço na região da Lusitânia, mas, ambiciosa, se expandiu para a África, para a América do Sul e para a Ásia. Abraçada por nativos de outras terras, se moldou à vontade dos falantes ao longo dos anos. Foi assim que saíram e entraram na moda muitas palavras, termos e gírias. Apesar da idade, essa dama não deixa de se atualizar e está em constante evolução.

Essa é a nossa amada língua portuguesa, nativa para portugueses, brasileiros, moçambicanos, angolanos, guineenses, guinéu-equatorianos, timorenses, cabo-verdianos, são-tomenses e macaístas. É conhecida por aí como a língua “cantada”, já que, de tão bonita, soa como música. Fundamental para conversas, narrações, poesias e músicas, o idioma é homenageado na próxima segunda-feira, 5 de maio.

A beleza do nosso idioma é como o desabrochar de uma flor. É assim que o poeta Olavo Bilac a descreve no Soneto da Língua Portuguesa. É chamada de “última flor do Lácio” porque foi a última língua derivada do latim que, por sua vez, surgiu na região do Lácio, na Itália.

Perto do Dia da Língua Portuguesa, o Super! convidou  Dad Squarisi — editora de Opinião, escritora e professora, que escreve todos os sábados a coluna Diquinhas de português — para um bate-papo com seis alunos do Colégio Militar Dom Pedro II. Entre os 2,4 mil estudantes da escola, foram escolhidos os craques em português do 5º ano: João Gabriel Castanheira, Anna Beatriz Monteiro, Paula Cristina Veludo, Bernardo Lima e Isabele Barroso, 10 anos, e Ana Júlia Dimatteu, 8. Confira o que saiu do encontro.

O jeitinho de dizer
Para escrever, João Gabriel se inspira em algo alegre e, ao fim, passa o texto a limpo. O primeiro passo, para Isabeli, é bolar o título: é a partir daí que ela desenvolve a história. Anna Beatriz, ao contrário, só se preocupa com o nome do texto depois de terminá-lo. Ana Júlia planeja a história toda na mente antes de passar para o papel. Paula finge que é uma personagem vivendo aventuras na hora de inventar. Cada um constrói um texto de um jeito. O que faz muita diferença, além do conteúdo, é a maneira de usar a língua.

— Vocês já ouviram falar da história do sultão? Não? Então, eu vou contar pra vocês.

Foi assim que Dad começou a falar com as crianças e contou sobre um poderoso sultão que sonhou que tinha perdido todos os dentes. Dois sábios interpretaram o pesadelo. O primeiro disse que o soberano teria uma vida tão longa que veria todos os descendentes morrerem um a um. O segundo disse que o sultão veria seus descendentes tornando o reino uma grande potência. O primeiro pensador foi castigado com 80 chibatadas; o segundo, premiado com 80 moedas de ouro. Qual a diferença entre os dois discursos? Dad Squarisi explica:

— A diferença é o jeitinho de dizer! O que sobressai é a maneira de contar.

Dad trabalhou muito tempo em sala de aula e sabe que tão importante quanto o que dizer é como dizer. Afinal, de que vale uma boa ideia se não é bem contada? Mas não é um bicho de sete cabeças: com atenção e vontade, qualquer um fica treinado.

Produção de texto
Durante o bate-papo, os seis estudantes exibiram os cadernos de redação e compartilharam os melhores textos. Foi uma chance de aprender como melhorar as habilidades de escrita com a escritora Dad Squarisi. Paula e João Gabriel fizeram um fim alternativo para o livro de dramaturgia para crianças A bruxinha que era boa e o rapto das cebolinhas, de Maria Clara Machado. Em diálogo feito para o teatro, João Gabriel inseriu personagens diferentes, como Indiana Jones e Batmam.

— É porque eu jogo muito videogame e acabo inspirado, esclarece.

Criativa, Anna Beatriz compartilhou uma experiência real:

— Uma casa abandonada me dava medo. Alguns meninos ouviram isso e resolveram dar um susto em mim e nas minhas amigas. Eles fizeram uma armação, deixando pegadas com suco de groselha.

Quando a professora propôs um texto sobre as expectativas para o 5º ano, Ana Júlia fez versos bonitos, como Quem estuda é invencível. De olhos brilhando, ela admite seu estilo preferido:

— Gosto tanto de fazer poesia que faço até no tempo livre.

Detalhista, Isabele contou uma aventura sobre o dia em que queria comprar sorvete, mas estava sem dinheiro para o ônibus. No fim, encontrou uma saída:

— Um amigo tinha uma bicicleta de dois lugares e ofereceu carona.

Uma das narrativas de Bernardo é sobre o desespero de um náufrago. O fim, pelo menos, foi feliz:

— Depois de passar um tempo ali, foi resgatado por outro navio para nunca mais voltar.

Como nasce um livro?
Não é sempre que esse grupo de crianças fica cara a cara com uma escritora: Dad Squarisi é autora de vários livros de português e de redação e de dois livros infantis: Deuses e heróis e Pedalando pelas fábulas. Por isso, foi natural que surgissem dúvidas sobre como são feitos os livros. O grupo percebeu que qualquer um pode escrever e publicar, desde que o material seja bom. João Gabriel ficou todo interessado pelo tema e saiu dali com a certeza de se tornar escritor:
— Vou escrever uma história, procurar uma editora para publicar e espero ganhar dinheiro com isso!

O animado bate-papo só terminou com uma sessão de autógrafos: Dad deixou sua assinatura em livros da biblioteca e nos cadernos da meninada.

Homenagens à nossa língua


 

 (Fotos: Breno Fortes/CB/D.A Press) 

“A língua portuguesa é importante para nos expressarmos e mostrar-mos nossas qualidades. É com ela que conhecemos uns aos outros”
Ana Júlia Dimatteu

 

“Imagine se não tivéssemos o português: não teríamos como falar ou escrever… Ia ser uma bagunça!”
Bernardo Lima

 

“É importante ter uma data para homenagear o português porque é com ele que nos comunicamos”
João Gabriel Castanheira

 

“Escrever e falar português tem a ver com escolher e usar as palavras corretas”
Anna Beatriz Monteiro

 

“Sem o português, não poderíamos estudar ou aprender nada. Por isso, é a principal matéria da escola”
Paula Cristina Veludo

 

“A língua portuguesa é fundamental para as pessoas se entenderem e merece ser homenageada”
Isabele Barroso


“A língua se presta para tudo. O importante é dominá-la e se expressar bem”
Dad Squarisi


“A minha pátria é a língua portuguesa”
Fernando Pessoa


“Última flor do Lácio, inculta e bela, és, a um tempo, esplendor e sepultura”
Olavo Bilac, em Soneto da Língua Portuguesa


“A língua portuguesa é a língua mais sonora que existe no mundo”
Miguel de Cervantes


“A língua portuguesa é um mimo, um regalo”
Miguel de Unamuno


 

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