SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Senta, que lá vem história...

Projeto usa música e teatro para apresentar contos populares em bibliotecas públicas do Distrito Federal. Dá para conferir até 31 de maio

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 05/05/2014 12:54 / atualizado em 05/05/2014 13:14

Ana Paula Lisboa

Marcelo Ferreira

O circuito de apresentações do projeto Biblioteca Viva está a todo vapor, e a previsão é superar a média de público de 8 mil pessoas do ano passado. Num espaço pequeno, mas aconchegante, crianças se apertam pelas cadeiras e até pelo chão para escutar as mais interessantes narrativas. E não param de chegar meninos e meninas, que passam pela rua, atraídos por músicas e vozes. A Biblioteca Pública de Itapoã, ao lado da Escola Classe 1 da cidade, visitada pelo Super!, é apenas uma das 22 beneficiadas.

Lá dentro, ao lado das estantes de livros, é improvisado um pequeno teatro, que dá asas à imaginação dos ouvintes com objetos simples, como fantoches, bonecos e tecidos bordados. As responsáveis pelo encantamento são as professoras e contadoras de histórias Míriam Rocha, 46 anos, Iclélia Maranhão, 52, e Carleuza Farias, 51, do grupo Paepalanthus. As três mulheres fortes e apaixonadas por literatura têm uma história em comum: começaram a exercitar a arte de descrever e narrar casos e fábulas ainda na infância para parentes e amigos, como conta Carleuza:

— Quando criança, eu juntava meninos de rua na minha casa para contar histórias. Eu já era contadora de histórias e nem sabia… É uma paixão que está em mim antes mesmo de me tornar professora.

É com a mesma boa vontade de quando eram garotas que elas apresentam contos populares, falando com as crianças de igual para igual. Há várias sensações experimentadas a cada narrativa. Quando o bicho papão Berlúcia passa pela sala querendo comer a cabeça de todo mundo, muitos se assustam. A história da aranha que subiu pela parede convida os presentes para cantar a conhecida canção. A bruxa, o fantasma e o vampiro do castelo mal-assombrado lembram filmes de terror. O conto que explica o por que de as galinhas não voarem encabula. Na hora de ouvir a história sobre três carneirinhos — chamados Dó, Ré e Mi —, muita criança e até adulto pula da cadeira ao tomar um susto com a risada da bruxa…

A receptividade do público não poderia ser melhor. É o que explica Míriam:

— Usamos recursos sonoros, bonecos, figuras de pano e recebemos um carinho muito grande. As crianças e até os adultos ficam encantados, de boca aberta. O que fazemos ainda é pouco, mas é uma sementinha para que a arte e a literatura cheguem a locais onde não costumam chegar. Incentivamos o gosto pela leitura nos alunos e nos professores também.

A passagem do grupo Paepalanthus traz mudanças e faz das bibliotecas lugares vivos, conta Iclélia:

— Nós mostramos que a biblioteca não é um lugar chato. Recebemos depoimentos de funcionários e professores que contam que o local, depois da nossa visita, passou a ser muito mais frequentado. É isso que nos move. Com a cultura e a arte, aproximamos as pessoas da literatura.

Saiba mais


Grupo Paepalanthus
Míriam Rocha, Iclélia Maranhão, Carleuza Farias, Simone Carneiro, Rose Costa e Aldanei Andrade são as integrantes do grupo Paepalanthus, criado há quatro anos. A equipe adota o nome científico da sempre viva, uma planta do cerrado. As integrantes têm mil e uma utilidades, já que, além de se apresentarem, costuram, confeccionam objetos cênicos e muito mais. Pelas contações de histórias, costumam ser reconhecidas por crianças e adultos nas ruas. O grupo se formou depois que as educadores perceberam que, juntas, podiam fortalecer o movimento dos contadores de histórias. Saiba mais pelo blog www.paepalanthuscontandohistorias.blogspot.com.br.

Projeto Biblioteca Viva
Desde março, bibliotecas públicas do Distrito Federal integram um circuito de contação de histórias com três espetáculos diferentes. Até 31 de maio, 22 bibliotecas vão receber a visita ilustre de contadores do DF por meio de projeto patrocinado pelo Fundo de Apoio à Cultura. Qualquer pessoa pode aproveitar os espetáculos, de graça. Não perca os próximos:

Contos de encantamento
O grupo Paepalanthus apresenta histórias populares usando música, teatro, bonecos e muito mais para a educação infantil. Apresentações às 10h e às 14h a cada dia. Informações: 9936-7946 ou 9236-0572.
  • 9/5: Biblioteca Pública de São Sebastião (Quadra 101, Área Especial, Residencial Oeste)
  • 23/5: Biblioteca Nacional de Brasília (Setor Cultural Sul, Lote 2)
  • 30/5: Biblioteca Pública de Ceilândia (QNN 13, Módulo B, Área Especial)

Contos na brisa
A artista Sabrina Falcão apresenta contos famosos ou de sua autoria para crianças a partir de 10 anos. Apresentações às 10h e às 14h a cada dia. Informações: 9347-7748.
  • 6/5: Biblioteca Pública de Samambaia Norte (QS 407/409)
  • 8/5: Biblioteca Pública Machado de Assis (CNB 1, Taguatinga)
  • 13/5: Biblioteca Pública do Recanto das Emas (Quadra 805, Área Especial)
  • 15/5: Biblioteca Pública do Gama (Salão de Múltiplas Funções, Praça 1, AE S/N, Setor Leste)
  • 20/5: Biblioteca Pública Machado de Assis (CNB 1, Taguatinga)

De boca em boca
Histórias do grupo Paepalanthus para educação de jovens e adultos. Apresentações às 19h30 e às 20h30 a cada dia. Informações: 9936-7946 ou 9236-0572.
  • 6/5: Biblioteca Pública de Brazlândia (AE 4, Veredinha, ao lado da Emater)
  • 20/5: Biblioteca Pública de Ceilândia (QNN 13, Módulo B, Área Especial)
  • 27/5: Biblioteca Nacional de Brasília (Setor Cultural Sul, Lote 2)
  • 3/6: Biblioteca Pública de São Sebastião (Quadra 101, Área Especial, Residencial Oeste)

  • Eu vi


     (Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press) 

    Rafaela Belo, 10 anos
    A galinha não voa e foi bom descobrir a razão: ela teve que soprar todo o vento de suas asas para conseguir recuperar seu filhote que havia sido preso por uma árvore. Foi um sacrifício. As histórias foram muito divertidas.

     

    João Pedro Alexandre Ramos, 10 anos
    Eu gostei muito de assistir, nunca tinha visto algo assim na biblioteca. A parte que eu mais gostei foi quando a bruxa saiu de onde estava escondida para assustar o Dó, o Ré e o Mi.

     

    Ana Paula Turíbio, 10 anos
    Eu gosto de ler e até fui à Bienal do Livro e da Leitura. Não costumo gostar que leiam para mim, mas desse tipo de contação eu gostei porque é diferente, envolve música e interpretação, e me ajuda a entender melhor as histórias.

     

    Guilherme Silva, 10 anos

    O espetáculo foi muito bom! Mostra para a gente que contar e ler histórias é muito divertido. Gostei de todas as histórias. Talvez eu até comece a contar histórias para os meus amigos a partir de agora.

     

    Maria Giovanna Rodrigues, 10 anos
    A história da galinha foi a melhor de todas e eu gostei de participar da dança ao fim. Foi tudo muito divertido e animou a biblioteca. Eu gosto de ler e só tiro notas boas, mas não costumava vir aqui.
Tags:

publicidade