Antiguidades digitalizadas

Biblioteca da Câmara dos Deputados começa processo a fim de transformar acervo de obras raras em formato PDF e colocá-las na internet à disposição do público em geral. São mais de 4 mil livros

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postado em 06/05/2014 13:00

Guilherme Pera

Rosa Paganine e Maria Cristina Silvestre mostram algumas obras que já estão passando pelo processo de digitalização (Bruno Peres/CB/D.A Press) 
Rosa Paganine e Maria Cristina Silvestre mostram algumas obras que já estão passando pelo processo de digitalização

Boa notícia para pesquisadores, historiadores, professores universitários, estudantes e leitores em geral. O Centro de Documentação e Informação (Cedi) da Câmara dos Deputados vai disponibilizar o acervo de obras raras de forma gratuita na internet. Por enquanto, cerca de 80 livros foram digitalizados e colocados para download no portal do órgão. A meta para a primeira etapa é de 200 obras. A expectativa, porém, é de liberar tudo o que for possível.

“A ideia é disponibilizar todo o acervo na internet”, afirma a chefe da seção de obras raras e especiais da Biblioteca Pedro Aleixo, Maria Cristina Silvestre. Ao todo, são 4,6 mil livros e 108 periódicos entre as raridades. As obras são mais centradas nas áreas de direito, política, história e literatura, mas também há títulos de geografia e religião.

Para todos os 4,6 mil livros na internet, serão precisos 26 anos de trabalho (Bruno Peres/CB/D.A Press) 
Para todos os 4,6 mil livros na internet, serão precisos 26 anos de trabalho

Na parte de política, Cristina cita a coleção de Diários Oficiais de 1862 a 1899, relatórios, constituições e legislações de Portugal na época do Brasil colônia e o livro Notices of Brazil — 1828 and 1829 (Avisos do Brasil — 1828 e 1829, em tradução livre), de Robert Walsh (1830), no qual há uma rara ilustração da Câmara dos Deputados da época. “Uma biblioteca on-line dessas é uma ótima ideia. Imagino quanta informação podemos descobrir com o cruzamento de dados nesses Diários Oficiais antigos”, anima-se o cientista político Rafael Barroso, 26 anos.

A diretora da Biblioteca, Rosa Paganine, define a disponibilidade dos arquivos de forma gratuita como um ponto alto na carreira. “Nós devemos preservar, organizar e divulgar as obras. Conseguir disponibilizar o acervo de raridades na internet é um passo muito importante, um ponto muito alto de realização profissional”, emociona-se.

A obra mais antiga do acervo é De orbis situ, de Pompônio Mela, de 1522 (Bruno Peres/CB/D.A Press) 
A obra mais antiga do acervo é De orbis situ, de Pompônio Mela, de 1522

Ao falar da importância da divulgação do conteúdo, Cristina dá um exemplo curioso. “Em A history of the Brazil (Uma história do Brasil, em tradução livre, de James Henderson, 1821), temos uma imagem em que uma escrava negra aparece abanando uma mulher branca rica”, conta a bibliotecária. “A ilustração causou revolta entre os europeus e já na segunda edição veio sem ela”, continua. Ela fala da preservação. “O arquivo digital vai evitar a exposição do livro ao manuseio”, diz a chefe da seção.

A estudante de história da Universidade de Brasília (UnB) Victoria Junqueira, 21 anos, empolga-se com a notícia. “A época do Brasil Colônia, em particular, me fascina. E, geralmente, quando faço pesquisa, tenho que ir até o local do arquivo para poder tirar o documento e fotografar. Às vezes, nem posso tocar direito. É muito bom quando está digitalizado”, diz. “Com isso, pessoas de outras regiões terão acesso, é o que as grandes bibliotecas do exterior fazem. Fora que sou terrivelmente alérgica”, emenda.

Dificuldades
Mas o aficcionado ou o especialista empolgado não terão todo o acervo disponibilizado tão rapidamente. O manuseio com obras antigas requer cuidado e cada uma delas demora entre um e dois dias para ser digitalizada. No processo, decide-se por manter ou não a cor original, mandar para os escâneres e voltar para checar a qualidade do arquivo. Se for gasto um par de dias para cada obra, haverá uma espera de aproximadamente 26 anos para tudo estar na internet.

Alguns livros têm ainda o empecilho das lei do direito autoral. É o caso de A morte de Quincas Berro d’Água (1962), de Jorge Amado, que ainda não caiu em domínio público. “Por mais que nossa vontade seja disponibilizar tudo, não temos autorização legal para colocar livros como esse na internet”, diz Cristina.

Passo a passo
 
É simples o acesso às obras raras, mas não é na página inicial do site. Veja como acessar:

1. Acesse http://www2.camara.leg.br/

2. Abaixo da bandeira do Brasil, há a aba Documentos e pesquisa

3. Ao passar o mouse por cima dela, aparecerá outras opções. Clique em Biblioteca Digital

4. Uma nova página abrirá e, nela, Obras raras é a quarta opção. Os arquivos estão disponíveis para download em formato PDF


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