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Machado de Assis mais fácil divide opiniões

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postado em 06/05/2014 14:00 / atualizado em 06/05/2014 12:20

Ana Pompeu

A escritora Patrícia Secco defende o projeto como forma de atrair leitores (Arquivo Pessoal) 
A escritora Patrícia Secco defende o projeto como forma de atrair leitores


O Alienista, de 1882: um clássico reescrito, com apoio do Ministério da Cultura (Reprodução) 
O Alienista, de 1882: um clássico reescrito, com apoio do Ministério da Cultura



A linguagem usada por Machado de Assis pode provocar estranhamento em alguns leitores diante de termos em desuso ou eruditos. Para que o estilo do autor não se torne um empecilho e deixe jovens leitores afastados do romancista, uma escritora decidiu tornar uma das grandes obras do autor mais acessível. A iniciativa, no entanto, causou polêmica no meio literário depois que se tornou pública. O projeto de Patrícia Secco consiste em relançar clássicos, como os de Machado, em linguagem simplificada.

Além da troca de palavras consideradas difíceis por outras mais conhecidas, a escritora acrescentou notas de rodapé à obra. O método aparece já no título de O Alienista: “Médico especializado no tratamento de doentes mentais, o mesmo que psiquiatra”. Patrícia Secco trabalha com literatura infantil há 18 anos.

O projeto Livro e Leitura para Todos, que oferece acesso gratuito a títulos da literatura clássica brasileira, existe desde 2008 em parceria com a Secretaria do Livro e da Leitura do Ministério da Cultura. Prevê, além de O Alienista, uma versão simplificada de A Pata da Gazela, de José de Alencar.

A escritora disse que foi mal-interpretada sobre o assunto. “Eu não falei que vou reduzir a obra. Faço um trabalho para incentivar o hábito da leitura há quase duas décadas. Machado de Assis é meu autor favorito e por isso foi escolhido”, afirma. Segundo ela, o projeto tem um público específico. “Sou autora infantil. Escrevo e levo livros para crianças que não têm acesso à leitura, pessoas que não têm o hábito da leitura. Com o livro escrito dessa forma, isso pode ser uma porta de entrada ao mundo dos clássicos, que muitas vezes as pessoas não se interessam justamente por acreditarem que não vão entender o que está lá”, explica Patrícia.

No caso desse projeto, o livro será distribuído pelo Instituto Brasil Leitor, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). No total, são 600 mil cópias. A entidade tem 247 bibliotecas espalhadas pelo país em estações de metrô, paradas de ônibus e instituições de ensino. Por meio de assessoria de imprensa, o IBL afirmou que aceitou a tarefa de distribuir o livro “pela capilaridade única e alcance nacional” do projeto.

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