SIGA O
Correio Braziliense

"Minha chance de mudar"

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 12/05/2014 13:00

 (Daniel Ferreira/CB/D.A Press) 


Antes de começar o relato, Jefferson dos Santos Soares, conhecido como Alemão, estava nervoso. “Nunca disse nada disso antes”, confessa. Aos poucos, ele esclarece os motivos da resistência. “Nasci em Brasília, mas me mudei para São Paulo. Anos depois, retornei, mas tive que morar nas ruas”.

Um beco nas imediações do Novo Gama foi onde Alemão encontrou abrigo. Durante dois anos, o jovem passou fortes necessidades por ali. “Para matar a sede, esperava um pessoal acabar de lavar roupa em um tanque e tomava a água que ficava”, conta.

Como a trilha das ruas era o rap, aos poucos, ele acabou se envolvendo com o gênero. “As letras falavam da minha realidade. A identificação foi muito forte”. A afinidade com o hip-hop coincidiu com a vinda da mãe, que ainda estava em São Paulo. Recuperou-se com o apoio dela e se debruçou sobre o rap como um elemento constante de resgate. “Era quando eu lembrava qual melhor caminho seguir”.

Para ajudar a família, ele trabalha como ajudante de eletricista e ainda encara a noite no pequeno boteco de propriedade da mãe. Continua no Novo Gama, mas agora dorme numa casa, com teto sobre a cabeça.

As letras de Alemão (são quase 50 canções, sem um único palavrão) transmitem mensagens de otimismo e superação. Vão ao encontro da personalidade deste animado rapper, um dos nomes mais queridos da cena. Ao final da entrevista, bem à vontade, ele demonstra entusiasmo: “Se eu conseguir atingir uma única pessoa com minha história, hoje terá sido o dia mais feliz da minha vida”.

“Um jovem morto
Uma vida arrancada
Um beija-flor sem asa
O céu sem uma nuvem
O tempo passa
E transforma as armas
em ferrugem”
Alemão, rapper
Tags: