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"Estou consciente do meu papel"

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postado em 12/05/2014 13:00

 (Carlos Moura/CB/D.A Press) 


A nova geração costuma se referir a ele como “poeta” ou “professor”. De fato, a jornada de Markão Aborígene está muito ligada ao ensino, mesmo que aconteça fora dos padrões estabelecidos. O rapper acabou conhecido no panorama da cultura marginal não somente pelas letras engajadas, mas igualmente pela verve literária.

“Eu busquei o rap muito pela possibilidade da escrita. Cheguei a imprimir uns textos e entregar nos ônibus”, conta. A necessidade de expressão surgiu desde a adolescência. “Era a melhor forma de falar do local de onde vim, dos meus problemas. O rap funciona como um diálogo”, define.

A vontade de inspirar as pessoas se tornou ainda maior depois de Markão vencer uma luta contra o alcoolismo, um vício que o consumiu por dois anos. No rap, o poeta conseguiu as ferramentas para discutir as questões periféricas e atingir as pessoas em situação de risco. “Durante três anos, fui conselheiro tutelar. Minha proximidade com a realidade e com a linguagem dos adolescentes facilitou. Muitos confiam a mim seus problemas”, recorda.

Apesar do reconhecimento, Markão não almeja passos muito distantes. “Não busco sucesso nem fama. Sei bem qual é meu papel: colocar em prática a teoria revolucionária, de superação, que o rap propõe. Poder colaborar com a vida das pessoas que amo”. O exemplo surte efeito a partir de casa: “Meu filho já dança break. É um primeiro passo”.

“Componho iluminado pela clave que brilha no horizonte
Resulta, nesta sombra, um jovem empunhando, um microfone
Um pequeno homem que caminha com uma caderneta
Mostra orgulhoso ao irmão suas simples letras”
Markão Aborígene, rapper
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