"Sonho de uma menina de 15 anos"

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postado em 12/05/2014 13:00

 (Carlos Moura/CB/D.A Press) 
 

Ela ainda beira os 20 anos, mas já é conhecida como uma das promessas do rap de Brasília. Como acontece na vida da maioria que vive em regiões periféricas marcadas pelo abandono público e pela violência, a jovem Layla Moreno encara um cotidiano repleto de dificuldades no Varjão.

“Nosso barraco foi derrubado recentemente. Tivemos que pedir ajuda para uma amiga”, relata a rapper, que hoje divide um quarto com a mãe. O irmão mora com a avó, no terreno ao lado. “Levou quatro tiros um tempo atrás, quando foi confundido com um marginal. Quer ir embora agora”.

 Layla conheceu o rap por meio de um amigo e encontrou no gênero uma válvula de escape para uma realidade tão atroz. “Foi logo depois que meu pai morreu. Foi a maneira que encontrei de lidar com aquilo tudo”. O pai de Layla faleceu na prisão, onde cumpria pena por tráfico de drogas. “Felizmente, eu nunca me envolvi com nada disso. Meu único vício é o rap”.

Como a carreira ainda não paga as contas, a artista trabalha em um salão afro e frequenta a faculdade de enfermagem, à noite. “Um investimento para que eu possa seguir no caminho da música, minha prioridade”, decreta. A trajetória de Layla mal começou, mas ela já se mostra grata: “Pode não parecer muito, mas jamais achei que pudesse conhecer algumas pessoas que admiro e subir em tantos palcos”.

“Me chama no cantinho
e me fala umas poesias
Mas hoje eu estou só e vou estar só no fim do dia
Respira bem fundo, aproveita toda essa brisa
Deixa o cheirinho de chuva invadir o que se imagina”
Layla Moreno, rapper
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