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postado em 19/05/2014 12:30

Quadrinhos de Ramón Esono: crítica política do exílio com traço contundente  (Ramón Esono/Divulgação) 
Quadrinhos de Ramón Esono: crítica política do exílio com traço contundente


Há 40 anos, o escritor Donato Ndongo foi obrigado a morar na Espanha. Mais recentemente, desde 2011, Ramón Esono teve de fazer quadrinhos na capital paraguaia Assunção, a quase 8 mil quilômetros de distância de sua terra natal. Os dois nasceram no pequeno país Guiné Equatorial, são opositores da ditadura de Teodoro Obiang — que dura mais de três décadas — e vão conhecer, pela primeira vez, a capital brasileira.

Donato e Ramón vêm à Universidade de Brasília (UnB) para compartilhar a história do país subsaariano a partir de suas obras. Eles foram convidados para participar da Semana da África — Jornadas sobre a Guiné-Equatorial, que começa hoje e vai até sexta-feira (23), das 9h às 13h, com programação marcada por debates, workshops, exposição de quadrinhos e mostra de filmes africanos.

Donato é considerado pela crítica espanhola a personalidade mais importante da literatura guinéu-equatoriana. Entre suas mais reconhecidas publicações estão Las tinieblas de tu memoria negra, História y tragedia de Guinea Ecuatorial e El metro, todos sem tradução no português.

 “O Brasil é um país importantíssimo por sua cultura de herança africana, então terei prazer em compartilhar e aprender muitas coisas. Quero conhecer, e de alguma maneira reviver, os cenários que aprendi nos romances do meu admirado Jorge Amado”, entusiasma-se Donato, que neste mês também participará de congresso em Natal.
Por sua vez, o renomado quadrinista Ramón Esono recebeu prêmios na França e na Itália pelos desenhos de cunho político, além de ter participado de exposições nos Estados Unidos, Paraguai, Moçambique, Espanha, entre outros países. No encontro desta semana, falará sobre o que ocorre na Guiné Equatorial e a cultura ativista.

“A arte é o meu principal ponto, e, a partir dela, contarei sobre os danos no país e também de esperança”, destaca Ramón, que completa, irônico: “Vou agradecer minha estada nessa cidade com um tema que acredito interessá-los, pois os brasileiros não se afastaram de atuações inadequadas para gente de ‘saúde mental’”.

O evento ocorre pela primeira vez na universidade e comemora os 51 anos da união de líderes africanos pela independência das colônias europeias no continente. Segundo Alejandro Pérez, professor de língua espanhola e organizador das jornadas, a escolha da Guiné Equatorial deu-se pela peculiaridade no continente africano: é o único país que adotou o idioma espanhol, o que lhe confere certo isolamento cultural em relação aos demais países.

“Queremos apresentar a produção artística de Guiné Equatorial a partir do exílio, porque a criação mais importante desse país vem de fora”, observa Alejandro: “É muito difícil criar no país, por causa das condições políticas que ele enfrenta. Muitos são ameaçados e acabam fugindo, é uma situação bem delicada”.

Semana da  África — Jornadas Sobre a Guiné-Equatorial
Sala de Reuniões do antigo Instituto de Letras (Instituto Central de Ciências, Centro, Universidade de Brasília). De 19 a 23 de maio, das 9h às 13h. Debates com o escritor Donato Ndongo e workshop com ilustrador Ramón Esono.Informações: 3107-7605.

 

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