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Pela primeira vez, o CCBB tem a programação de um mês preenchida exclusivamente por artistas de Brasília: as produções locais permitem temporadas mais longas e revelam um pouco da cidade

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postado em 20/05/2014 10:58

O mês de maio é brasiliense no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Todos os espetáculos e as exposições em cartaz foram produzidos na capital e realizados por profissionais locais. A presença de artistas da cidade na pauta do CCBB é uma constante desde a abertura do espaço, em outubro de 2000, mas esta foi mais intensa devido à quantidade de produções locais de qualidade que concorreram ao edital de ocupação para 2014.

“O objetivo do CCBB é promover a programação regular e de qualidade e é importante que artistas brasilienses participem disso. É o nosso papel fomentar para ver essa cena crescer”, explica Paula Sayão, diretora do espaço. “É um direcionamento mesmo. No próximo edital essa estratégia vai continuar.”

As vantagens para o centro em investir em produções locais são muitas, mas a maior delas diz respeito aos custos e à possibilidade de esticar as temporadas. Como os artistas e a maior parte das equipes técnicas moram na cidade, não é preciso gastar com deslocamentos. Assim, as temporadas podem ser maiores do que aquelas realizadas com profissionais de fora. Veja quais são os espetáculos e como foram produzidos…

 

Dona Bolota e o segredo da árvore encantada
Em cartaz até 2 de agosto

No texto de Ronaldo Guedes, dona Bolota é a guardiã de uma árvore que serve de muro de lamentações para os habitantes da floresta. Cansada do azedume das queixas, a personagem, que também é uma fada, se empanturra de doces e se esquece da porção mágica que protege os quatro elementos da natureza. O desequilíbrio e a falta de harmonia tomam conta da floresta, até quatro crianças e um passarinho, com aspirações a cantor, ajudarem dona Bolota a recuperar a porção.

Para a diretora, Catarina Accioly, três meses em cartaz já é um ganho, mas ela queria mais. “Três meses é o que deveria ser sempre”, argumenta. Catarina só descobriu a quantidade de produções brasilienses na pauta de maio do CCBB pouco antes da estreia do espetáculo, no último dia 10. “É muita coisa de Brasília no maior centro cultural da cidade e é uma oportunidade para o espectador engatar um espetáculo no outro. Acho uma iniciativa superinteressante”, diz a diretora, que divide a direção da peça com William Ferreira. No total, 17 pessoas da cidade, entre atores e técnicos, são responsáveis por Dona Bolota.


 

Eu vou tirar você desse lugar —As canções de Odair José
Em cartaz até 1º de junho

O musical inspirado nas canções de Odair José conta com uma equipe de 50 pessoas, incluindo atores e técnicos de som e luz. Desse total, 44 são de Brasília. As únicas figuras que não saem do palco em nenhum momento são os quatro integrantes da banda responsável pela música do espetáculo. Três são de Brasília e o guitarrista William Glaucio veio de Goiânia.

“Para a gente foi um desafio, porque Brasília não tinha esse know-how de musical”, explica Sérgio Maggio, diretor de Eu vou tirar você desse lugar. Ele sempre soube que a cidade era rica em talentos vocais, mas ficou surpreso ao encontrar uma equipe técnica qualificada para fazer um musical. “É um projeto com 90% das pessoas de Brasília, inclusive com algo fundamental para um musical, que é o som. Essa era a parte mais delicada do projeto”. Entre os seis artistas de fora da cidade que integram o elenco, está a cantora mineira Maria Alcina.


 

Teatro extraordinário
Em cartaz até 1º de junho

A peça comemora 10 anos do Teatro do Concreto com um texto sobre utopia e frustração. No palco, jornalistas são reunidos para uma entrevista com um ser humano que nunca teve contato com a civilização. A reflexão, explica o diretor Francis Wilker, começou com a ideia de fazer uma peça sobre a história de Brasília, mas foi além, movida pela própria realidade.

Os protestos de 2013, a frequente frustração com a expectativa depositada no ser humano e a própria dificuldade em conseguir patrocínios e sobreviver como grupo de teatro conduziram o texto para Teatro extraordinário. É a segunda vez que o grupo se apresenta no CCBB, e Wilker acredita que a presença brasiliense no espaço é uma tendência. “Tenho a impressão de que eles estão se abrindo cada vez mais para as produções da cidade”, diz.


 

Fora do Lugar: A poética do espaço e do objeto na obra de Rodrigo Paglieri
Em cartaz até 4 de junho

Brasília é a grande galeria do chileno Rodrigo Paglieri. Radicado na capital desde 1988, ele faz das ruas e da arquitetura o espaço de suas intervenções urbanas. Paglieri confessa que prefere o espaço amplo e aberto às paredes das galerias, o que fica claro na exposição, uma retrospectiva de 15 anos de produção. São 10 trabalhos, sendo que dois foram produzidos especialmente para a mostra.


 

Arte para crianças
Abertura sábado. Visitação até 11 de agosto

A intenção de Evandro Salles é permitir que as crianças tenham contato com o melhor da arte contemporânea brasileira. Continuação da exposição de mesmo nome que ocupou o CCBB em 2007, Arte para crianças reúne obras de nomes como Ernesto Neto e Vik Muniz, que produziram trabalhos inéditos para a exposição, além de Cildo Meireles, Waltércio Caldas, Paula Trope e Eduardo Coimbra. Não há artistas da cidade entre os selecionados, mas o próprio Evandro Salles cresceu em Brasília, e toda a equipe de produção é local. “A exposição propõe apresentar a arte a partir de um entendimento de que a questão poética é a questão central a ser tratada na arte. O instrumento fundamental é a poesia da experiência estética”, explica Salles. Os artistas são apresentados de forma independente e a ideia é que a criança não precise de intermediações e explicações para curtir as obras.
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