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Craques caminharam entre nós

Fotos do Arquivo Público do DF algumas inéditas mostram que estrelas, como Pelé, Jairzinho e Carlos Alberto Torres, desfilaram em gramados brasilienses. As imagens também registram o início do futebol na capital

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postado em 22/05/2014 13:00 / atualizado em 22/05/2014 10:37

Thaís Paranhos

Primeira partida de um campeonato da cidade só com operários  (Arquivo Público do DF/CB/D.A Press) 
Primeira partida de um campeonato da cidade só com operários


Inauguração do antigo estádio Mané Garrincha: festa e jogo (Arquivo Público do DF/CB/D.A Press) 
Inauguração do antigo estádio Mané Garrincha: festa e jogo


Na partida contra o Haiti, o Brasil foi escalado com (da esquerda para a direita, em pé): Zé Maria, Leão, Marinho Chagas, Luís Pereira, Clodoaldo, Piazza. Agachados: Jairzinho, Carpegianni, César Maluco, Rivelino e Paulo César Caju  (Arquivo Público do DF/CB/D.A Press) 
Na partida contra o Haiti, o Brasil foi escalado com (da esquerda para a direita, em pé): Zé Maria, Leão, Marinho Chagas, Luís Pereira, Clodoaldo, Piazza. Agachados: Jairzinho, Carpegianni, César Maluco, Rivelino e Paulo César Caju


Brasília escreveu capítulos importantes na história do futebol brasileiro, desconhecidos por muita gente. Se os jovens brasilienses aguardam ansiosos para ver jogar craques como Neymar e Cristiano Ronaldo, na Copa do Mundo deste ano, antigos moradores viram passar por gramados candangos nomes consagrados mundialmente, como Pelé, Tostão, Sócrates e Garrincha. Times de ponta do Brasil travaram duelos no extinto Estádio Pelezão, hoje ocupado por condomínios residenciais. Em outros campos do Distrito Federal, brilharam também as seleções brasileiras de 1974 e 1982.

Tudo está registrado em fotografias, algumas inéditas. As imagens raras desses momentos históricos fazem parte do acervo do Arquivo Público do Distrito Federal (ArPDF). O órgão também guarda registros nunca publicados do início do futebol na capital, como o protótipo de um Campeonato Brasiliense, realizado em 1958, quando os principais times eram formados pelos operários dos acampamentos das construtoras.

Rabello, Pederneiras, quase todas tinham um representante nas competições pioneiras. Do governo local, também saíram equipes como o Defelê, formado por funcionários do Departamento de Força e Luz da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Mas o futebol foi deixando de ser amador e, em 1976, Brasília sediou o primeiro torneio profissional, em que equipes como Brasília, Taguatinga e Gama começaram a se destacar.

Palco de feras

Nas décadas de 1960 e 1970, o Estádio Pelezão, localizado no Setor de Oficinas Sul (Sof Sul), recebeu grandes nomes do futebol nacional. Fotografias do ArPDF mostram Pelé defendendo o Santos diante da Seleção Amadora de Brasília, em maio de 1967, no estádio em que, nos anos 1990, foi tomado por barracos de sem-teto e depois acabou extinto para dar lugar a prédios residenciais. Contra a mesma equipe da capital, no mesmo campo, ficou registrada nas lentes e no arquivo a atuação do ídolo botafoguense Mané Garrincha pelo Flamengo, dois anos depois. Ainda no Pelezão, jogaram Grêmio e Atlético-MG, como mostram as imagens digitalizadas do Arquivo Público.

O Pelezão recebeu as principais partidas no DF até 1974, quando foi inaugurado o Estádio Mané Garrincha, que, à época, se chamava Governador Hélio Prates da Silveira — só no fim da década de 1970 o craque recebeu a homenagem. Fotografias e documentos do ArPDF preservam a memória da construção do então maior estádio brasiliense. Entre eles, está a autorização para o início da obra, em 1972, assinada pelo governador do DF à época, Hélio Prates.

A ideia inicial, de acordo com o documento, era construir um estádio para 100 mil pessoas, mas o projeto ficou incompleto e o anel superior não foi concluído. Dessa forma, o estádio nunca teve autorização para receber mais de 50 mil pessoas.
Fotografias mostram os jogos da Seleção Brasileira contra o Haiti e o time de Brasília, em 1974, durante visita do secretário de Estado dos Estados Unidos à época, Henry Kissinger, durante a ditadura militar. Na imagem, uma faixa menciona a presença dele e do presidente Ernesto Geisel.

O Arquivo Público também guarda imagens importantes das conquistas do Brasil ao longo das edições da Copa do Mundo. As condecorações aos jogadores que fizeram parte do time campeão de 1970 estão eternizadas em imagens digitalizadas. As fotografias mostram os atletas desfilando em carro aberto pela Esplanada dos Ministérios e sendo recebidos no Palácio do Planalto por autoridades.

Digitalização


Boa parte das imagens sobre futebol veio dos fundos da Novacap e da Secretaria de Comunicação Social do DF. A companhia urbanizadora cedeu os documentos ao Arquivo Público no fim da década de 1980. Mas nem tudo está disponível no computador. O acervo começou a ser digitalizado em 2012 e ainda há muito material somente em negativos. “O início da digitalização é de 2006, ou seja, os documentos de 1961 a 2006 são analógicos. É um trabalho demorado”, comenta o gerente de Acervo Audiovisual, Marcelo Durães. Ao todo, são mais de 1 milhão de fotografias que precisam passar pelo processo de digitalização. O ArPDF já tem, em computador, as imagens da construção do Mané Garrincha, dos campeonatos antes da inaguração de Brasília e da Seleção Brasileira em terras candangas.

Mais de 6 milhões de imagens

A digitalização do acervo do Arquivo Público do DF começou em agosto de 2012. A um custo de R$ 5 milhões, mais de 6,5 milhões de itens — entre fotografias, revistas, jornais, microfilmes, mapas e cartazes — saíram de caixas e armários para ficar registrados nos computadores. Além disso, o ArPDF vai criar um portal na internet para que qualquer pessoa tenha acesso aos documentos digitalizados. Cerca de 40 técnicos de uma empresa especializada fazem o serviço nas dependências do arquivo, localizado na Novacap. O trabalho é feito por meio de parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).


Pelé posa durante o certame inaugural do estádio que leva o nome dele (Arquivo Público do DF/CB/D.A Press) 
Pelé posa durante o certame inaugural do estádio que leva o nome dele


O Furacão Jairzinho prepara-se para atuar em Brasília (Arquivo Público do DF/CB/D.A Press) 
O Furacão Jairzinho prepara-se para atuar em Brasília


Mané Garrincha ainda em construção: poeira ao redor (Arquivo Público do DF/CB/D.A Press) 
Mané Garrincha ainda em construção: poeira ao redor


Campeões mundiais de 1970 são recepcionados no DF (Arquivo Público do DF/CB/D.A Press) 

Campeões mundiais de 1970 são recepcionados no DF

 


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