Quando a cultura vai de metrô

Projeto Estação Brincadeira Popular une dois grupos para levar música, teatro, mamulengos e apresentações de improviso até estações do DF. O objetivo é fazer com que a arte siga até o público

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postado em 22/05/2014 13:30

Maryna Lacerda

Os artistas que fazem parte do projeto Estação Brincadeira Popular comemoram a iniciativa  (Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press) 
Os artistas que fazem parte do projeto Estação Brincadeira Popular comemoram a iniciativa


O forró pé de serra atravessa o ritmo dos passos que entram e saem do metrô. Nas estações, em um dia comum da semana, o triângulo soa forte como o tirintar dos trilhos. A rabeca, por sua vez, “canta” tanto quanto os freios das composições. Por alguns minutos, não são os relógios que determinam o caminhar dos trabalhadores que passam por ali, mas os toques da zabumba. A fala divertida de bonecos mamulengos interrompe o anúncio formal do trajeto a ser percorrido. É assim que um sutil milagre cultural toma forma nas plataformas de embarque e desembarque, antes tomadas de pressa, preocupação e compromissos. A intervenção faz parte do projeto Estação Brincadeira Popular, cujo objetivo é difundir a cultura além dos espaços tradicionais de apresentação.

A iniciativa é comandada pelo grupo Mamulengo Fuzuê e pelo Palhaço Amendoim e pretende aproximar o público da tradição do teatro de mamulengos e da narrativa de histórias populares. Ao todo, quatro estações do Metrô recebem a visita do grupo Mamulengo Fuzuê e do Palhaço Amendoim. Na próxima semana, a trupe desembarca na Estação Guará (leia Serviço). “Nós vamos aonde o popular acontece, aonde a cultura nordestina é bastante forte”, conta a produtora executiva do projeto, Mirella Dias. O teatro de mamulengos é uma brincadeira popular em que se contam anedotas sobre os tipos comuns, principalmente no nordeste — o trabalhador, o coronel, a filha do coronel, os palhaços —, por meio de marionetes de pano e madeira. O teor das esquetes é a crítica social, como a exploração do trabalhador e o abuso de poder, sempre com humor. O improviso, originado da participação dos espectadores, também tempera as cenas. “É uma brincadeira em que o roteiro é construído em conjunto com as pessoas que assistem à apresentação”, explica o coordenador do Mamulengo Fuzuê, Thiago de Francisco.

Do encontro, sobram risadas e brincadeiras, como as que fazem a dona de casa Ivone Holanda Pereira, 71 anos, se lembrar da infância, no interior do Ceará. “É maravilhoso porque me faz lembrar das músicas, do forró e do jeito das pessoas da minha terra”, conta. A mulher se mudou para o Distrito Federal há 30 anos e defende a valorização da cultura para as gerações mais novas. “Eu queria que meu neto, que está na escola agora, estivesse comigo para assistir à apresentação e conhecer um pouco mais das origens dele”, conta.

Tradição e fortalecimento do desenvolvimento social são duas contribuições destacadas pelo motoboy Luiz Cláudio Rosa Souza. Ele e os filhos passavam ao lado da Estação Ceilândia Centro quando perceberam a música que vinha da entrada da plataforma. “Os meninos pediram para ver o que estava acontecendo e adoraram a apresentação. Acho que a fala dos personagens diz sobre nossa vida, da necessidade de conscientização sobre política, inclusive. Além disso, é importante eles saberem o que é o teatro de mamulengos, como ele é feito”, afirma. A interpretação divertida conquistou os irmãos Polderick Soares de Souza, 11, e Rick Cristyano Soares de Souza, 13. “A interpretação dos cantadores e dos bonecos é muito interessante”, destacam.

Próximas apresentações

 » 31 de maio
Onde: Arco da Cultura, ao lado da Feira do Guará
Horário: às 10h
Onde: Estação Feira do Guará
Horário: às 16h

 » 9 de junho
Onde: Rodoviária do Plano Piloto
Horário: às 10h
Onde: Estação Central do Metrô
Horário: às 18h

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