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postado em 26/05/2014 12:30

Aposta para Rio-2016, Caio Bonfim só começou no atletismo aos 16 anos (Rafael Ohana/CB/D.A Press - 27/7/10 ) 
Aposta para Rio-2016, Caio Bonfim só começou no atletismo aos 16 anos


Quase no fim da carreira, a então maratonista brasiliense Carmem de Oliveira embarcou rumo aos Estados Unidos para garantir melhores resultados. Com o técnico norte-americano, algumas marcas dela entraram para a história brasileira, inclusive a da Maratona de Boston, que acaba de completar 20 anos — terminou em quinto lugar com o tempo de 2h27min41.

Ao chegar a Albuquerque, no Novo México, Carmem ouviu lamentações por não ter ido antes, quando as universidades disputam os maiores talentos. “Lá, há uma massificação nas escolas. Tem muito mais gente fazendo atletismo, e os melhores se destacam”, comenta.

Para Carmem, uma forma de o tempo que ela detém na Maratona de Boston ser superado por uma competidora brasileira seria investindo no esporte mais cedo, para que menos atletas comecem aos 17 anos como ela. “Nos Estados Unidos, há uma sequência montada na escola e, quando os alunos saem do ensino fundamental, já existem estabelecimentos de ensino médio brigando por eles”, ressalta.

O reflexo de os estudantes começarem cedo lá fora está nos índices nacionais (veja quadro). Alguns recordes que no Brasil completaram mais de 20 anos já haviam sido batidos pelos norte-americanos. É o caso, por exemplo, da marca de Carmem de Oliveira nos 10km. Enquanto nenhuma brasileira conseguiu completar a prova em menos de 32min06 em duas décadas, nos Estados Unidos, Mary Decker cravou 31min38 ainda em 1984.

Competidor de Sobradinho, como Carmem de Oliveira, Caio Bonfim também poderia ter começado mais cedo. Filho de treinador de atletismo e de atleta de marcha atlética, ele sempre frequentou as pistas, mas resolveu desistir do futebol para encarar a marcha somente aos 16 anos. Caio conta que, na primeira competição internacional que participou, um chileno chegou a perguntar quanto tempo de carreira ele tinha. Tímido, respondeu que marchava havia dois anos, e teve de ouvir que o oponente tinha 10.

“Assusta, mas eu ganhei dele naquele dia. Nem sei por onde anda atualmente”, recorda o atleta, que defende a “importação” de técnicas estrangeiras para o atletismo nacional, mas vê desvantagens em iniciar a carreira cedo demais. “Na Rússia, por exemplo, eles começam muito cedo, e a competitividade é enorme porque tem muito menino bom. Para o país, isso é ótimo, mas para o atleta pode ser muito desgastante”, defende.

 

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