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Festival de Brasília renovado

A 47ª edição, em setembro, terá menos longas e curtas na competição, e as categorias serão unificadas: documentários disputarão com filmes de ficção. Na abertura, haverá a exibição de cópia restaurada do clássico Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha

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postado em 01/06/2014 15:38

Ricardo Daehn

Na divulgação do edital para o festival, a comissão organizadora revelou que os 50 anos da ditadura serão lembrados no evento (Rodrigo Viana/Divulgação) 
Na divulgação do edital para o festival, a comissão organizadora revelou que os 50 anos da ditadura serão lembrados no evento

Ao som das Bachianas Brasileiras nº 5, de Heitor Villa-Lobos, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional abrirá, em 16 de setembro, o 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com exibição restaurada do clássico de Glauber Rocha Deus e o diabo na terra do sol (1964). Um pacote de novidades foi anunciado na divulgação do edital para o evento, no Cine Brasília. Entre as medidas mais radicais, estão a diminuição do número de obras em competição — de 12 longas-metragens e 18 curtas, no ano passado, voltam a ser seis e 12, respectivamente — e a unificação das categorias: documentários competirão, em pé de igualdade, com filmes de ficção.

O ator Othon Bastos, o Corisco de Deus e o diabo na terra do sol: obra completa 50 anos  (Tempo Glauber/Divulgação - 19/10/11) 
O ator Othon Bastos, o Corisco de Deus e o diabo na terra do sol: obra completa 50 anos

Novas diretrizes serão planejadas pela reformada comissão organizadora do evento, que, presidida pelo secretário de Cultura do DF, Hamilton Pereira, terá como coordenador Miguel Ribeiro e, como coordenadora adjunta, Sara Rocha, conhecida ainda por ser neta de Glauber Rocha. Hamilton Pereira adiantou que o cineasta Vladimir Carvalho, muito ligado ao documentarista Eduardo Coutinho (morto de forma trágica em fevereiro), formata uma homenagem ao diretor de Cabra marcado para morrer e Edifício Master.

“Vamos manter o festival nas outras cidades, mas sem se limitar à projeção dos filmes. Pretendemos intensificar a ambientação do evento nesses outros locais. Teremos ações com a Secretaria de Educação, as universidades e os cineclubes, para incrementar a mobilização. Queremos um público maior”, explicou o coordenador, Miguel Ribeiro. “Houve aumento no valor das premiações do júri popular. Agora, serão R$ 50 mil para o melhor longa e R$ 25 mil para o curta escolhido”, ressaltou Sara Rocha. “Assegurar a melhor qualidade das projeções” foi uma das promessas do secretário Hamilton Pereira para driblar incidentes como o do ano passado, quando a exibição de Os pobres diabos chegou a ser inviabilizada, por problemas técnicos. O prazo de inscrições se estenderá até 10 de julho.

Personagem da notícia

 (Rodrigo Viana/Secult) 

Uma nova visão

“Faltava o olhar de produção e de gestão de projetos culturais associados”, opina a nova coordenadora adjunta do Festival de Brasília, Sara Rocha. Jornalista e gestora cultural, aos 31 anos, ela — que é neta de Glauber Rocha — respira cinema, profissionalmente, há 13 anos. Produtora executiva de filmes como Mr. Sganzerla — Os signos da luz e Olho nu, além de assistente de direção de Anabazys (exibido em Veneza, na Itália), Sara comemora a homenagem aos 50 anos de Deus e o diabo na terra do sol, integrada ao evento.







“Apesar de ter sido feito no contexto político da ditadura, foi algo universal. Há uma subjetividade no longa, no retrato da organização social e política do Brasil, que persiste até hoje”, ressalta Sara. Ela adotou parte da missão da bisavó, dona Lúcia Rocha, mãe de Glauber e guardiã do legado dele até morrer, em janeiro último. Na “retaguarda operacional”, com a mãe, Paloma Rocha, Sara estudou material inédito, com prospecção de 400 horas de áudio, de manuscritos e de imagens. Tudo democratizado no site da organização Tempo Glauber, que tem como principal objetivo manter vivo o legado do cineasta por meio da montagem de mostras e da restauração digital de seus filmes.
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