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Arte para criança ver e fazer

Nova exposição no CCBB convida o público infantil para entender, interagir e se divertir com obras de artistas contemporâneos

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postado em 02/06/2014 10:14 / atualizado em 02/06/2014 10:20

Ana Paula Lisboa

Paula Rafiza

O que é que você pensa quando ouve falar de arte contemporânea? Talvez imagine obras esquisitonas e feias. Talvez não tenha uma imagem formada que venha à cabeça. Que tal descobrir na prática? Essa é a proposta da exposição A experiência da arte — Série arte para crianças, que chegou ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no último sábado.

Com obras de artistas de destaque, como Vik Muniz e Paula Trope, a mostra interativa entretém e captura a atenção do público infantil. Oportunidade ótima para chegar à aula de artes arrasando! Mas a ideia é que a visita não seja uma aula: o objetivo não é explicar as obras dos adultos para as crianças, mas permitir que meninos e meninas vivenciem a arte sem intermediações.

Evandro Salles, o curador da mostra, começou a levar arte para crianças entre 2007 e 2010, com uma mostra de arte contemporânea itinerante que passou por várias cidades brasileiras.

De galeria em galeria
A visita começa na Sala amarela, onde estão espalhadas frases inspiradoras de personalidades como o criador da psicanálise, Sigmund Freud, e o poeta Manuel de Barros pelas paredes. Tudo isso tem um motivo:

— É a porta de entrada para que o visitante comece a se inserir  no mundo da arte e a ver as coisas de um jeito diferente, pelo olhar do artista, conta Evandro Salles.

Depois da imersão, cada visitante escolhe para onde seguir. A exposição reúne sete espaços independentes que formam um painel da arte contemporânea do Brasil, com fotos, instalações, esculturas, poemas visuais, obras sonoras... Conheça aqui os sete pontos por onde você pode passar.


Não perca!

A Experiência da arte — Série arte para crianças fica aberta até 11 de agosto, de quarta a segunda-feira, das 9h às 21h. De graça, no CCBB (SCES, Trecho 2, Lote 22). Informações: 3108-7600. O CCBB oferece transporte escolar gratuito para escolas públicas, ONGs e instituições assistenciais mediante agendamento pelo número 3108-7623.


Eu fui

Sofia Menezes, 13 anos


“Tudo aqui é muito criativo, eu adorei! Essa exposição desperta o interesse pela arte, mesmo que não seja minha matéria preferida na escola. O que eu mais gostei de ver foi a Câmara-luz, que é linda porque dá para ver a paisagem refletida de um jeito diferente. No espaço para construir poemas visuais na parede, escolhi usar as palavras céu e sol. Com as pecinhas de Malhas da liberdade tentei montar meu nome, Sofia, mas é difícil porque é tudo quadradinho.”

João Guilherme Fernandes, 11 anos

“A primeira vez que eu vim ao CCBB foi para ver a exposição da japonesa Yayoi Kusama, que era muito legal. Essa exposição de arte para criança também é muito divertida: com ela, dá para brincar e aprender ao mesmo tempo! Como eu gosto de montar peças de Lego, adorei as pecinhas laranjas de encaixar. Na parede, virei poeta: usei as mesmas palavras que um artista para criar um poema diferente. Essa exposição é boa para adultos e crianças começarem a ver o mundo pelo olhar dos artistas.”

Caio Berg, 12 anos

“Na Sala amarela, gostei muito de uma frase do Sigmund Freud, que fala que toda criança que brinca é um poeta: isso é mesmo verdade! Toda criança gosta de inventar e tem criatividade. E é por isso que eu gostei muito dessa exposição. Ela foi feita para as crianças se expressarem e serem livres. Aqui, eu criei um poema divertido, brinquei nos cubos, montei peças… Recomendo que outros meninos e meninas também venham visitar.”

Cubos gigantes


 (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 

Com uma longa trajetória em instalações públicas, Eduardo Coimbra traz à mostra um conjunto de cubos de três tamanhos diferentes, pintados de preto e branco e adornados com listras. Eles estão logo na entrada do CCBB. Os diversos módulos formam pequenos prédios que podem ser escalados e aproveitados pelos visitantes. Boa parada para tirar fotos e brincar.

 (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 

Câmara-caracol
No espaço externo do CCBB, está a Câmara-luz, preparada por Paula Trope. O espaço é cheio de furos e, à medida que eles são destampados, imagens são refletidas nas paredes, no teto e no chão. A base para o funcionamento é a mesma de uma câmera fotográfica. A artista explica como é:
— É uma caixa branca, é uma casa-câmara e também uma câmara-caracol. É uma máquina de ver que dá uma cambalhota nos sentidos. Aqui, as imagens se refletem em 360º.

 (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 

Para montar e construir
As esculturas e instalações de Cildo Meireles envolvem a participação do público — e não poderia ser diferente. Em Malhas da liberdade, o visitante encontra pecinhas laranjas que podem se encaixar para formar grandes tramas ou o que mais você quiser. RIO OIR é outra obra, dessa vez, sonora: o artista reuniu sons gravados nos principais rios brasileiros.

 (Paula Rafiza/Esp. CB/D.A Press) 

Poemas na parede
O poeta visual Wlademir Dias-Pino adaptou o livro-poema A ave para três dimensões. A partir de uma “tábua de palavras”, o artista forma poemas visuais. Numa parede magnetizada, as crianças também criam  poesias, pregando palavras e traços. É um modo de experimentar o sistema de escrita e leitura inventado pelo poeta.

 (Joana França/Divulgação) 

Ateliê fotográfico
Num grande pavilhão, estão obras de Vik Muniz, grande artista brasileiro, famoso por representar imagens com açúcar, gel, manteiga e até lixo. Na primeira parte, há uma série de trabalhos originais. Na segunda, está um ateliê e estúdio fotográfico, que revela como Vik trabalha. Também é a chance de o público criar as próprias imagens.

 (Joana França/Divulgação) 

Passeando numa serpente
Um labirinto? Uma cobra? A Riogiboia é uma mistura dos dois: a escultura penetrável ocupa uma galeria inteira. O piso, feito de madeira, imita a pele de uma cobra. Nas paredes, estão fotografias da Amazônia, de São Paulo e de nuvens. As obras revelam um pouco do trabalho de Ernesto Neto, que tem o costume de transformar esculturas em enormes instalações.

 (Paulo Costa/Divulgação) 

Reflexos e espelhos

A série Fala maçã — construída com seis mesas de metal e de vidro, colocadas em vários níveis diferentes — traz reflexos e espelhamentos de objetos. Inflamáveis brinca com as cores vermelha e branca. As duas obras são do escultor, artista gráfico e cenógrafo Waltercio Caldas.

 

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