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Meu caro amigo

Instrumentistas da banda de Chico Buarque de Hollanda revelam ao Correio como são os bastidores das turnês do artista

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postado em 16/06/2014 13:06 / atualizado em 16/06/2014 13:20

 (Walter Carvalho/Revista Alfa) 
%u201CEle não é estrela, não fica se entitulando coisa nenhuma.  Conversa com todo mundo, cumprimenta todo mundo.%u201D  Wilson das Neves, baterista (Antônio Cunha/Esp. CB/D.A Press - 5/8/11) 
Ele não é estrela, não fica se entitulando coisa nenhuma. Conversa com todo mundo, cumprimenta todo mundo. Wilson das Neves, baterista
%u201CTem muita coisa que eu sugiro, mas a definição é dele. O trabalho é dele, e a minha função é viabilizar da melhor maneira aquilo que o Chico quer%u201D Luiz Cláudio Ramos, violonista (Leandro Souto/Reprodução) 
Tem muita coisa que eu sugiro, mas a definição é dele. O trabalho é dele, e a minha função é viabilizar da melhor maneira aquilo que o Chico quer Luiz Cláudio Ramos, violonista
%u201CVocê gosta de trabalhar sem vontade? Eu também não. Chico é o único artista que só trabalha quando quer. Ele tem contrato apenas com ele mesmo.%u201D Chico Batera, percussionista (Kiko Albuquerque/Divulgação) 
Você gosta de trabalhar sem vontade? Eu também não. Chico é o único artista que só trabalha quando quer. Ele tem contrato apenas com ele mesmo. Chico Batera, percussionista
%u201CEle gosta de piadas e causos engraçados, histórias de bastidores de amigos e outros artistas. Chico é uma pessoa simples, simpática e alegre.%u201D Jorge Helder, baixista (Marcos Issa/Argosfoto) 
Ele gosta de piadas e causos engraçados, histórias de bastidores de amigos e outros artistas. Chico é uma pessoa simples, simpática e alegre. Jorge Helder, baixista
 


Entre os muitos atributos de Chico Buarque, o que Chico Batera — percussionista da banda do compositor carioca há 40 anos — mais aprecia é a independência. “Você gosta de trabalhar sem vontade? Eu também não. Chico é o único artista que só trabalha quando quer. Ele tem contrato apenas com ele mesmo”, elogia Batera. A afirmação faz parte da resposta sobre o porquê de Chico Buarque, para o lamento dos fãs, não frequentar o palco com tanta assiduidade.


Chico Batera faz parte de uma seleta trupe que acompanha Buarque em suas, cada vez mais raras, apresentações pelo mundo. Há algumas décadas, durante as temporadas de shows, esses homens têm o privilégio de dividir os bastidores com o artista — notadamente avesso aos holofotes. Mas a relação de Chico com Batera, Luiz Cláudio Ramos, Jorge Helder, Wilson das Neves e os outros instrumentistas é apenas profissional, não há espaço para intimidade, conforme relataram ao Correio.


“Mas ele não é estrela”, diz o baterista Wilson das Neves, “não fica se intitulando coisa nenhuma. Conversa com todo mundo, cumprimenta todo mundo”. O camarim de Chico é privativo. É o próprio cantor quem vai visitar os colegas em seus locais quando bem entende. Das Neves fica pimpão ao contar que faz aniversário cinco dias antes de Chico. Ambos são de Gêmeos. “Quando ele não estava viajando, ia, às vezes, comer um feijão lá em casa. Levava uma garrafa de vinho ou de uísque de presente. Pode ser que ele me ligue sábado, espero que lembre”, comentou, três dias antes do último 14 de junho.


Batera é apenas um ano mais velho que Chico. Fez 70 em abril de 2013. Mas, apesar de pequena, o cantor trata a diferença como se o amigo tivesse anos-luz a mais que ele. Traço de um bom humor peculiar que Chico manifesta a todo momento. “Nesse tempo todo que estou com ele, se ele não tivesse tanto senso de humor e eu também, um não aguentaria mais o outro”, diz Batera. “A gente brinca muito com essa coisa da idade. Poucas vezes falamos sério.”


O percussionista se utiliza do termo “sabedoria lacônica” para se referir ao ar discreto de Chico Buarque. Acredita que a simples condição de estar ao lado dele é um aprendizado constante. “Ele não é de falar muito, mas uma fonte de sabedoria, amizade e carinho. Sinto-me privilegiado.”


Música, segundo Batera, também não entra na pauta de papos com frequência. “Gostamos de tocar e cantar, não de falar sobre o assunto.” E o “tocar” exige bastante da trupe. Segundo Batera, são dois meses de ensaio, de segunda a sexta, antes de cada turnê. “O show não começa no palco. Para os músicos, a história é outra. Aquilo dá uma trabalheira danada. E não somos mais garotos: depois de um ano na estrada, a gente cansa mesmo”, entrega.

Relação profissional

Luiz Cláudio Ramos dedica-se à obra de Chico desde os anos 1970. Gravou com ele, ao violão, a faixa Bárbara, em 1973, e, a partir daí, integrou quase todos os álbuns do artista. Subiu ao palco com Chico, pela primeira vez, no antológico espetáculo do carioca com Maria Bethânia, e tornou-se personagem fundamental nas apresentações do cantor desde então. É do violonista a direção musical dos shows do compositor desde 1993, ano em que Paratodos veio a público. “Mas eu não tenho contrato com ele”, garante Ramos.


O cargo é difícil, já que o violonista dificilmente atreve-se a discordar do “chefe”. “Tem muita coisa que eu sugiro, mas a definição é dele. O trabalho é dele, e a minha função é viabilizar da melhor maneira aquilo que o Chico quer”, explica. Contudo, Ramos garante que é fácil lidar com o cantor, “uma pessoa muito fraterna, “apesar da estatura artística”.


“A gente tem relação fora do palco, mas ela se alicerça na questão profissional. O Chico é muito solicitado, todo mundo quer ser amigo dele”, afirma. Acompanhado da mesma turma desde 1994, Chico preza para que o clima durante as temporadas de shows seja constantemente divertido. “Sempre existem as diferenças, mas elas são cristalizadas com o tempo”, observa Ramos.


Em 1992, o baixista Jorge Helder, que iniciou a carreira em Brasília, estava matriculado em um curso de música nos Estados Unidos quando recebeu o chamado do empresário de Chico para acompanhá-lo em um show. “Eu adorava as músicas dele, as parcerias com Tom, Francis, Edu… Tocava essas músicas com uma banda instrumental que eu tinha em Brasília”, relembra Helder. Desde então, o baixista segue Chico nas turnês e nas gravações dos discos.


“Ele gosta muito de ouvir piadas e causos engraçados, histórias de bastidores de amigos e outros artistas. Chico é uma pessoa simples, sempre simpático e alegre”, descreve Helder, que acabou se tornando parceiro do ídolo da juventude em duas canções. “Tocar com Chico me abriu as portas musicalmente: cheguei a Edu Lobo e Francis Hime, por exemplo”, comenta.

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