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Características como criatividade e colaboração influenciam aprendizagem

Seminário debate desenvolvimento de habilidades socioemocionais nas escolas

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postado em 02/09/2014 20:00 / atualizado em 03/09/2014 15:37

Juliana Espanhol

A escola do futuro terá de ensinar muito mais do que português e matemática. Pesquisadores que se apresentaram no 11º Seminário Itaú Internacional de avaliação econômica de projetos sociais, realizado nesta terça-feira (2) em São Paulo, defenderam a inclusão de habilidades socioemocionais nos currículos escolares.

Fundação Itaú Social/Divulgação
"O desenvolvimento de competências socioemocionais deixa as crianças mais reguladas e menos ansiosas. Imagine uma turma com trinta alunos, sendo que dez sempre estão brigando, em comparação com uma turma em que há poucas brigas. O professor gastaria menos tempo impondo disciplina e teria mais tempo para ensinar", explica John Lawrence Aber, professor da Universidade de Nova Iorque.

O pesquisador apresentou uma série de estudos científicos que mostram que a identificação e a valorização de características como responsabilidade, colaboração e criatividade são capazes de melhorar desempenho e comportamento individual e coletivo de uma turma. As pesquisas, replicadas em países como Estados Unidos, Alemanha e Japão com resultados semelhantes, sugerem que os benefícios são universais.

Na prática, a implantação de métodos que valorizam essas características passa por mudanças no método de ensino. "É importante usar reforços positivos ao invés de punir. Se o aluno ouve gritos e recebe punições a todo momento, há mais probabilidade de que ele se comporte da mesma forma. O segundo ponto é investir na aprendizagem responsiva, que leva em consideração o contexto em que a criança está. Também é possível construir princípios e práticas socioemocionais em atividades de outras disciplinas, como matemática e leitura", diz Aber.

Filip de Fruyt, professor da Universidade de Gent (Bélgica), apresentou resultados de intervenções na área. Segundo ele, os participantes dos experimentos tiveram competências e desempenhos escolares aumentados em 76% e 5%, respectivamente, em comparação com os alunos que não participaram da intervenção.

Professores
Durante o evento, os pesquisadores discutiram o papel do professor no processo. O professor John Lawrence Aber, da Universidade de Nova Iorque, sugeriu que os docentes recebam treinamento específico. "É preciso dar apoio aos professores. O estresse da profissão é muito grande. Parte da aprendizagem é ensinar ao professor a cuidar de si mesmo. São necessários mecanismos de observação, coaching e feedback", disse.

O professor e psicólogo Oliver Jonh, da Universidade da Califórnia, citou ainda o papel dos gestores. "O diretor da escola também pode dar o exemplo, interagindo diretamente com os alunos, circulando nos corredores", afirmou.

*A jornalista viajou a convite da Fundação Itaú Social

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