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Dia Nacional do Livro é comemorado nesta quarta (29)

Segundo Censo Escolar, 65% das escolas do país não têm bibliotecas. Projetos buscam aumentar número de leitores no país

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postado em 29/10/2014 16:26 / atualizado em 29/10/2014 16:39

Fundação Biblioteca Nacional/Reprodução
Nesta quarta-feira (29), é comemorado o Dia Nacional do Livro. A data foi escolhida em homenagem à fundação da primeira biblioteca do país, a Biblioteca Nacional, transferida de Portugal em 1810. Duzentos e quatro anos depois, os números do Censo Escolar 2013 mostram que não há muito o que se comemorar: 65% das unidades de ensino do país ainda não possuem biblioteca. Para tentar reverter esse cenário, a Lei 12.244 entrou em vigor em 2010, obrigando todos os gestores, de instituições públicas e privadas, a providenciarem um acervo de livros de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado.

Para fazer valer a lei – que deve ser efetivada até 2020 –, o Instituto Ecofuturo, organização não-governamental focada na promoção da leitura e da escrita de qualidade, encabeça há dois anos a campanha Eu quero minha biblioteca. No site, é possível se inscrever e indicar as escolas sem biblioteca de uma região. Assim, a cada dez cadastros feitos em uma única localidade, o site envia automaticamente um e-mail à Prefeitura ou à Secretaria de Educação reivindicando a biblioteca da instituição de ensino.

A diretora do Ecofuturo, Christine Fontelles, destaca no entanto que essa é, sobretudo, uma campanha de informação. Apesar dos recursos nacionais destinados à educação (sobretudo os do Plano Nacional do Livro e Leitura, que podem ser utilizados para a criação de bibliotecas nas escolas), é preciso que os esforços de mobilização venham também das iniciativas privadas e, principalmente, da sociedade civil. “A ideia é que a própria comunidade se engaje e interaja com o poder público local e que demonstre interesse por essas políticas públicas”, destaca.

No processo de ampliação da leitura – e, sobretudo, devido à ausência de políticas públicas adequadas –, Christine ressalta que a sociedade civil acaba desenvolvendo ações criativas, como as do açougue cultural T-Bone, que há mais de sete anos articula o projeto Biblioteca Popular no Distrito Federal. “A sociedade deve oferecer o além, o criativo, o solidário. Mas não pode substituir as políticas públicas”, pondera.

Como atrair leitores

Para a maioria dos brasileiros, as bibliotecas são a única forma de contato com a leitura e, por isso, Christine preconiza que as bibliotecas criadas nas escolas sejam também abertas à comunidade. O desafio de se formar leitores, entretanto, é grande. “É curioso que as pessoas me perguntam como as crianças podem ser mordidas pelo bichinho da leitura, como se isso fosse possível. A gente precisa ter o contato cotidiano com os livros para desenvolver o hábito efetivo de leitura”, conta.

Tornar as bibliotecas lugares mais criativos e estimulantes também é parte do desafio. Para Christine, é vital que as bibliotecas não se contentem em atrair usuários, mas que desenvolvam leitores. Nesse processo, a figura do bibliotecário aparece de forma estratégica. “Gosto de fazer comparação entre bibliotecas e locadoras. A pessoa que te atendia nas locadoras já conhecia seu ritmo de consumo e te abria outras perspectivas cinematográficas. O educador que está dentro da biblioteca tem um papel análogo: é capaz de proporcionar outras experimentações de leitura”, explica.

O Instituto desenvolve ainda, desde 1999, o projeto Ler é Preciso, que pretende abrir bibliotecas comunitárias pelo país por meio da articulação entre governo, comunidade e empresas. “A leitura também pode ser fruição, mas nunca será entretenimento fácil. O que a biblioteca não deve fazer é ser um pequeno teatro, um pequeno cinema, uma pequena oficina de arte. Cada lugar tem a sua função e cabe à biblioteca inventar e reinventar a sua”,  diz Christine.

Para comemorar o dia

Em comemoração ao dia do livro, a Biblioteca da Universidade Católica de Brasília (UCB) promove a semana da troca de livros. O livro usado (limpo e em bom estado de conservação) pode ser trocado por um vale-livro, a ser resgatado até 5 de novembro. Cada pessoa pode trocar até cinco livros.  

Período de entrega dos livros: de 27 a 31 de outubro de 2014, das 8h às 22h
Período de troca do vale-livro: De 3 a 5 de novembro de 2014, das 8h às 22h
Onde: Biblioteca Central, Universidade Católica de Brasília (UCB)
Endereço: QS 07 Lote 01 EPCT, Águas Claras - CEP: 71966-700 - Taguatinga/DF
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