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Editora lança livros em HQ com protagonistas fortes e mulheres

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postado em 01/04/2015 18:41 / atualizado em 02/04/2015 15:21


A editora Nemo lançou dois livros de história em quadrinhos com protagonistas mulheres. Ambas são fortes e têm vontade de fazer o bem, cada uma com suas particularidades

O mundo de Aisha: A revolução silenciosa das mulheres do Iêmen, de Ugo Bertotti, é baseado nos relatos de viagem da fotógrafa Agnes Montanari e conta com algumas palavras do vocabulário árabe, que ajudam o leitor a entrar no universo do livro.

Durante a obra, são apresentadas sete mulheres: Sabiha, Hamedda, Houssen, Ouda, Fatin, Ghada e Aisha, que sofrem por conta da tradição cultural e histórica do local onde vivem. Inúmeros abusos, violência gratuita, menosprezo e falta de consideração compõem o cotidiano delas, que tentam encontrar lugar numa sociedade absolutamente machista e patriarcal.

Na cultura muçulmana, a mulher é considerada um mero produto que deve dar dinheiro a família. Na história, a maioria não tem estudo, se casa assim que tem a primeira menstruação, com homens consideravelmente mais velhos, não são permitidas trabalhar e tem serventia apenas para cuidar da casa, dos filhos e satisfazer o marido.

A revolução, que consta no subtítulo, se dá no momento em que essas mulheres resolvem ter pequenos atos de rebeldia, seja se recusando a usar o Niqab, véu que cobre o rosto deixando apenas os olhos a mostra, adiando casamentos, investindo na educação ou abrindo um negócio próprio.

Aisha tem lugar especial no título por ser uma guerreira diferente. Recusou-se a usar véu até os dezessete anos, foi contra casar com um primo, quis fazer um curso superior em informática para poder trabalhar, mesmo num ambiente onde a maioria são homens, e luta para que as mulheres deixem de ser submissas e assumam um lugar de igual.

A dificuldade encontrada pelas revolucionárias é a rejeição que sofrem da família, do marido, de homens em geral e até de outras mulheres. Taxadas com nomes pejorativos por não se encaixarem no padrão estabelecido, elas lutam para conseguirem seus direitos fundamentais.

Já o livro Gata Garota - Volume 1, de Fefê Torquato, traz a história de Gigi, que é metade humana e metade gato. Ela pode se transformar no híbrido gato-mulher quando desejar, mas mesmo em sua forma humana mantém características felinas.

Transformada, Gigi ajuda pessoas em perigo, como uma moça pendurada de um prédio e outra que é assaltada por um ladrão. Apesar de ser uma boa pessoa, ela é vista como a ovelha negra da família e menosprezada por seus parentes gato-humanos.

O rumo da história muda quando a mãe de Gigi decide se aposentar do cargo de líder da comunidade, deixando Fefê, a prima/irmã da protagonista como sucessora. Mas um terrível acidente ocorre com Fefê e ela deixa nossa heroína com a missão de liderar a família.

Esses dois livros tornam claro a tendência de que as mulheres, cada vez mais, estão sendo representadas como personagens fortes e capazes de mudar o rumo da sociedade. Não dependem de homens para salvá-las, como as antigas princesas e demais protagonistas, e ao invés de esperar que o acaso decida o destino delas, tomam suas próprias ações para traçar um futuro diferente.

Leia
O mundo de Aisha: A revolução silenciosa das mulheres do Iêmen
Ugo Bertotti
Editora Nemo
144 páginas
Preço: R$ 39,90

Gata Garota - Volume 1

Fefê Torquato
Editora Nemo
160 páginas
Preço: R$ 37,90

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